ISSO PRA
MIM NÃO É QUALIDADE,É UM VÍCIO.
Sob
as cinzas do
denso nevoeiro que flutuam
em minha mente,vejo traços
de minha verdade.Continuo recluso
em mim.Preso a
um mundo ilusório que só
agora vejo qual é
seu objetivo.Ele é escravizador.Ilude-me, fazendo-me
pensar que sou
trabalhador,quando na verdade
eu uso este artifício como
refugio para não
permanecer num plano
racional.Fujo ,me desgasto a exaustão.Porém,agora percebo
que assim como todo
individuo que tem algum
problema de ordem
emocional, se refugia nos vícios
nas drogas, também
sou viciado em
trabalho.Única forma encontrada
por mim que justifica
minha existência e
me faz viver atrás
dele,camuflado como ser humano.
Nunca imaginei
que fosse assim.Que
eu precisasse dessa
rota de fuga
para me sentir
útil.Agora está claro todo
desespero demonstrado por mim,quando
o assunto é
trabalho.Eu não sou tão
trabalhador assim,o que ocorre é
que sou imprudente.Lanço-me de corpo
e alma em minhas tarefas,pois
elas me dão um pouco
de paz.Ver o trabalho finalizado
me faz bem ,mesmo
que, pra isso eu me
arrebente por concluí-lo.
Não
sei.Existe exagero.Deixo de
comer para trabalhar.Deixo
de me
divertir para trabalhar.Porque só produzindo
é que eu
me sinto pronto,completo.Sinto-me não exposto
a opiniões.Minha arte
é fascinante,coisa extraordinário aos
olhos dos que
não tem tempo
e nem habilidade para
executá-la.
Assim sou
eu.Vivo só no meu
mundo de trabalho,me
desdobrando para conquistar
respeito,dignidade e paz.Porém,ainda
com tudo isso
me sinto vazio.Por isso ,concluo que algo
assim não é habilidade espontânea,.Não é uma
qualidade,é um vício.
Autor: Francisco Lisboa
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