terça-feira, 21 de janeiro de 2014

FALA

Conta  teu  segredo,
Eu  não tenho  receio em ouvi-lo.
Conta  tua  história,
Porque agora,
Estou pronto para te ver sorrir
Fala  de você...
O que te alegra, o que te entristece,
O que te faz  sofrer?
Fala.Sou  todo  ouvidos,
Estou  contigo nisso.
Sou  seu confessor...
Estou  aqui  para ouvir você.

Autor:Francisco Lisboa

domingo, 19 de janeiro de 2014

p.s

Deixa  seus comentários,isso é muito importante para mim.Ajuda a aprimorar a escrita.Abraços,Francisco Lisboa

LENICE

Seu ventre produz vida,
Seu coração arde em paixão,
Seu ofício é seu guia,
Seu trabalho satisfação.
Tudo isso testifico,
E ratifico o que eu disse...
Tu és prenda preciosa,
De codinome Leníce.

Autor:Francisco Lisboa

sábado, 18 de janeiro de 2014

DESAPEGO

Desapegar é estar disposto a amar,
Mesmo não tendo a quem se amar.
Não desapegar é  odiar...
É tornar-se  marionete nas mãos da rejeição.
Ou seja, eu amo  quem não me ama...
Mais  esse alguém tem que me amar,
Porquê ‘eu’ desejo que me ame,
Independente se  ele me ame ou não.
Eis o egoísmo... O autentico ditador...
O me dá, me dá, sem partilhar.
Agora, claro  está...
Talvez quem não  desapega,
Quem não aceita que seu bem maior se foi,
Talvez  não  tenha amor próprio.
Isso  é  viver nas trevas.É entornar sicuta...
É tragar  fumaça, é respirar  as cinzas do ópio.

Autor:Francisco Lisboa

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MALÁSIA

Malásia, Malásia...
Estrela  que bilha,
No majestoso céu da Ásia...
Terra  de encanto,magia...
 Inspiração que cria asas,
E pousa no reino da alegria.

Autor: Francisco Lisboa

OLHOS VERDES

Olhos  verdes,
Estou com  sede de você.
Chega mais perto,
E a conta gotas, 
deixa eu  te  beber.
Autor: Francisco Lisboa

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O PRISIONEIRO 214

DEVANEIO PELO INCONSCIENTE 
DO PRISIONEIRO 214

I Capítulo

Encontrava-me vagando tranquilamente pelo  universo do  meu ‘eu’ ,num voo sereno que me levava a um grau de contentamento  extasiante,jamais experimentado  por  qualquer  outro  ser.
De repente, fui  seduzido  por  uma  imagem de  rara beleza.Encantado  com  tanta  magia vista  do  alto,pousei  ao  lado  de  uma cerca  de  aspecto decadente,que contornava ao  redor de  uma  exuberante  mata  verde.
Minha  ideia  inicial  era apenas  apreciá-la.Mas  ocorreu que,ao  que  toquei-a,meu  pulso  foi coroado pela  algema  de  um  soldado de aspecto assombroso que entre os  galhos se escondia.Sua presença repentina trouxe  do  nada uma atmosfera fúnebre aquela paisanagem antes deslumbrante. 
Pelo    empenho demonstrado por  ele  ao  me  deter,tive  a  sensação  de que o  mesmo  havia  se  escondido  naquela vegetação  com  intuito  de   me  aprisionar, cumprindo ordens de  algum  comando perverso, uma vez que  não  falava nada  enquanto agia.Só  agia de  cabeça  baixa,bastante ofegante, sem me olhar nos olhos.
Aprisionado, não esbocei qualquer reação.Mantive    serenidade  até  descobrir que  motivos me  levaria  a  me  envolver    naquela  injusta  prisão.Minha  consciência  me  alertava  no  sentido  de  que   me precavesse,pois  no  mundo ilusório  onde   me  encontrava, tudo  era  perfeitamente possível. O  que  logo  ficou  claro  para  mim  era  que  aquele  soldado  era extremamente obediente a  seu  reinado  de  trevas,e ,estava  ali  para  me  aprisionar  e  colocar-me atrás das  grades num lugar  medonho  e frio.Rapidamente  fui  conduzido  a  um  presídio  de  segurança  máxima,onde permaneci  confinado  como  prisioneiro. 
No  meu  devaneio,não  tinha  ideia  de  onde  poderia  estar.O  certo  era  que,depois  daquele  episódio nunca  mais   alçaria  voos  prazerosos pelo  interior  do  meu  ‘eu’,em  segurança,como  habitualmente  fazia. 
O presidio era reduto das piores  espécies  de marginais.Mentes  doentias  que estavam  ali  representadas por  criaturas  más,avessas aos princípios  morais.Em  sua  maioria jovens delinquentes que  se  tornaram  escravos de seu  ego megalomaníaco.
Diariamente  o  cheiro repugnante de violência  contaminava  o  ar interno,que de maneira escassa circulava dentre as  paredes  sombrias do  malévolo  carcere.Suas características inóspitas revelavam  clara evidencia  de culto  a  terror.Todo tipo de selvagerias eram cometidas ali sem nenhum pudor.
Conflitos entre jovens  pedófilos,assaltantes,homicidas,traficantes,eram  constantes.Ou seja,a  escoria da  delinquência  humana  estava  representada naquele  ambiente da ociosidade  mundana por  seus  inescrupulosos  admiradores.Ali  era  o  ultimo lugar  do  meu  subconsciente onde    desejaria estar.Ninguém me  comunicava  nada.Assitia  tudo  a  minha  volta  como  se  fosse  num filme.Eu  era    espectador do  meu próprio  devaneio.Portanto,me  vir  livre  dali  era uma  questão  de  tempo.Estava  tudo  errado!
Estava  acostumado  fazer  desdobramentos  espirituais com extrema  tranquilidade e,no  entanto,naquela  ocasião   me encontrava  preso naquela arapuca,num  plano  nebuloso de nível inferior,o qual   não  sabia  que  existia  me  mim.Estava flutuando num  oceano  de  maldade  interna.
Será  que  em  repouso,havia  me  permitido me envolver  com  meu lado mau  humano?Será que   fui pego de surpresa pelo mau enquanto dormia e meu espirito havia se torando escravo do meu eu maléfico,do  eu sombrio...?!Que  experiencia  desagradável!
Estava  decepcionado,pois    estava  acostumado ser o  dono da situação,voando pelo  universo  do  eu,priorizando somente  as  boas  coisas  que  acontecem  no universo  da  mente.Imaginava   em silencio,enquanto um  e  outro  se aproximava   querendo estabelecer laços de amizades.Mas  eu os  ignoravam.Agindo  assim  talvez    os  fizesse entender  que  tudo  aquilo  não  passava de um  infeliz  engano e, que por isso,não  tinha  qualquer  interesse  em  estabelecer vinculo com  aquela corja diabólica.
Desgastado  com  o  impacto da prisão, não  pude  me  conter e,comecei  alçar  pequenos  voos  que  mau atingiam  a  metade  da muralha intransponível.
De repente ouço:
-Tentando fugir?Capturamos  dois  que  tentaram  fugir daqui antes  que  você  chegasse.
Fingi  que  não  ouvi  o  que  disse o chefe da  segurança.Mas, em seguida  me  senti  frustrado,uma  vez que    estava  me expondo  atoa.Não  queria  que  soubessem  que tinha  aquela  habilidade.Já  que o   que movia as  coisas ali  não  era outra  coisa  senão  o oportunismo  e  a  inveja.Mas por outro  lado,quem é  que não  desejaria  vez  outra  se  ver  livre daquelas grades?
Por  conta  disso  não  demorei  a  perceber  que naquele submundo  infernal,  eu era infinitamente diferente  de  todos. Então,quando    não  estava  ensaiando  algum voo libertador que me  levasse  a alcançar  a  liberdade,perambulava pelos  confins daqueles  pavilhões  sombrios ,me  perguntando  porque  me  encontrava  encarcerado naquele lugar  sujo,imundo e frio?
Quase  sempre  me encontra   só,isolado..Porém,ao  mesmo  tempo  parece  que  as  paredes  cobertas  de musgo  verde  tinham  olhos  que me  vigiavam o tempo todo.  No,entanto,quando  me  encontrava rodeado pelos  outros  membros  daquele  reino  de  terror,eles  se lançavam  sobre mim,tentando  me  agredir,pois,consideravam  que,por  eu  não  me  comportar como um  deles,  os  estavam  tratando com soberba.Com desdem.Isso  os  irritavam.
Noutra  ocasião se lançavam contra  mim tentando arrancar de minhas  mãos uma  velha  lamparina  que todas  as manhãs deveria ser  entregue aos  cuidados  do  almoxarife.Pois  se  isso  não  acontecesse  as  penalidades  seriam  severas.Isso  explicava  o  interesse de  tentarem  tirá-la  de minhas  mãos.
Todavia,ao  me  vir  acoado vi  com muito bons  olhos a  chegada de uma brigada  motorizada que  ordenou  que  todos  deitassem  no  chão.Ia  ser  ministrada uma  revista de rotina.Enquanto permaneci  deitado,era  como  se  estivesse  ali  sozinho.A todo movimento,toda perseguição  acontecia no  interior de  minha mente,que  fantasiava  tais  personagens .Então,eu  poderia estar tranquilamente deitado  em  minha  casa dormindo,aos  olhos  de  quem  me via,mas jamais imaginaria a atribulação que estava acontecendo em  mim.
O presidio...Aquele  mundo quase  que  parecia  real,mas ao mesmo  tempo não...Encontrava-me numa  especie de plano neurótico,onde tudo que eu  sentia,  nada  acontecia.Para  dar  um basta  nisso  era   apenas    acordar,porém,mesmo  acordado   continuaria  perturbado com  os  reflexos daquela situação  quase real.
Deitado  junto  ao  chão  não  pude  deixar  de observar  as  corres  aterradoras do  veiculo  que os  transportavam.
Salvo  na  hora  'H'. A  intervenção inesperada  fez  com que  meus  perseguidores  se  refugiassem  no  interior  de  suas  celas  não  saindo mais  de lá.
Essa  era minha  rotina.Num  instante    estava  rodeado por milhares  de  vozes,noutro  elas  sumiam  como  fumaça e  eu  ficava  só  lamentando  com pesar,como  poderia ter ido parar   ali.
Minutos  depois,ouvi:
-Levantem-se!
Ao  que  ouvi  a  ordem  entendi  que a  revista havia acabado.Porém,era  como  se  eu  estivesse  sempre  de cabeça  baixa e  as  criaturas numa  especie  de elevação.Eu  não  via  os  rostos  delas. Imaginava  que a  voz  vinha  de alguém  de estatura  elevada,pois  eu  a  ouvia  de baixo para cima.Mas no que tentava ver  o corpo,via apenas uma especie de funil de fumaça subindo para o alto como  se  quem  davam  as  ordens  fossem  uma  especie de gênio  que  havia  acabado  de  deixar  sua lampada.
Dali em  diante  um  a  um    foram embarcando no carro  do  pavor.Eu  sabia  que  era  uma  tropa ,naturalmente pelo tropel  que  ouvia  quando  se  movimentavam.
Em  seguida um  silencio marasmento  tomou  conta  do ambiente.Nem  os  ratos  e  baratas que estavam adaptados  aquelas condições nebulosas ousaram  se  manifestar.

II  Capitulo 

PALHAS / MORTES/PAGAMENTO NO REINO DAS VOZES

Mais  tarde  o  silencio deu  lugar ao  reboliço  quando  ouvi:
-Chegaram  as  palhas!
A chegada de tal artefato  havia causado  frenesi  geral.
-As  palhas chegaram!
Na  tentativa  de  entender aquele  fenômeno,olhei  do  outro lado  de um precipício,e vi  um  detento que descarregava  as  palhas trazidas num  carroção  imenso.
-Qual a  finalidade dessas palhas?Será  que  essas  criaturas possuem  alguma habilidade  artesanal?Será que  possuem alguma outra atividade alem  da  maldade?
Ao  meu lado  alguém murmurou  algo incompreensível num  primeiro  momento,mas  depois percebi que   se  referia as  cores  das  palhas,que  por  serem  secas,eram  opacas.Não tinham vida! Ao passo  que  outro  retrucou  dizendo  que  eram cinzas.
Pressentindo que aquela era  mais  uma  situação de explosão alucinógena os ignorei e  segui adiante para a entrega de minha  lamparina,algo  que eu fazia  de  forma rotineira.
Dali  a  pouco  ouvi  gritos  de  dor,de  alguém  que  parecia gravemente ferido.Desconfiado  segui  na  direção de onde  vinham  os  gritos e  do  nada,deparei-me  com  um  individuo sobre uma  maca,com  um  punhal  encravado nas costas suplicando por socorro. Médicos o  atendiam  enquanto  seguranças  armados  faziam  escolta.
Ao  me  vir  disse:
-Foi  ele que  fez  isso  comigo.
Meu  espanto  foi  tanto que instintivamente  olhei  para  trás,e  só aí  percebi que   não  falava  de  mim,apesar de apontar  na  minha  direção,mas de  individuo  que  se  encontrava a  minhas  costas.O  mesmo  que antes alardeava  que as  palhas haviam  chegado.
-Foi  eu  mesmo!Dizia  aos  berros  o  acusado,enquanto golpeava a  cabeça  do  outro  com  uma  lanterna.Enquanto todos  se afastaram,deixando o agressor  livre para  dar  cabo à  vida do individuo.
De repente um  segurança que  trajava roupas e sapatos  de primeira grandeza  se aproximou do  agressor e  de  forma  bastante  tranquila , sacou  sua  pistola  e  disparou  varias  vezes contra a  cabeça do  infrator.E  seu  corpo caiu  sobre o  corpo do  outro  sobre  a  maca,que  em agonia  clamava  por  socorro.Já  o  segurança  por  sua  vez  afastou  se  dois  passos  para  trás,voltando  a  sua  posição original  de  espera,tranquilo,ao  passo  que,com  as  pontas  dos  dedos  limpava  respingos  de  sangue  do  paletó,como  se  nada tivesse  acontecido.Enquanto  os  corpos  escorregavam  lentamente  da  maca  para  o  chão.Onde  sem  receber  qualquer  tipo de  atenção,permaneceram imoveis.
Nunca  havia  imaginado  presenciar  tamanha brutalidade.E ali  permaneci  estático.
-Meu  Deus!Que  sena  devastadora!
-Voltem  ao  trabalho! 
Ao  ouvir  a ordem sai  depressa  e  acabei  deixando  minha  lamparina  cair  ao  lado  dos  corpos e,sem  fazer caso  dela,entrei numa  porta semi aberta  a minha  frente.Dentro do ambiente me deparei com um sujeito sentado  numa  cadeira  de madeira  bruta atrás de uma escrivaninha,demonstrando ares de superioridade.Segundo  disse ao me vir,imaginava  que me  conhecia  de algum lugar.Mas  não  dei  importância ao  comentário,pois alguém  que me conhecia  não poderia  estar  ali  naquele  lugar odioso.
-Senta aí!Vou  fazer  seu  pagamento.
Fiquei  surpreso  com a  afirmação,pois não  sabia  o  que  estava  fazendo  ali,e,no  entanto,já estava  recebendo  o primeiro pagamento.  Senti-me  invadido,mas  mesmo  assim apanhei  as  cédulas de  suas  mãos e  comecei  contar.
-Aí  tem  214 ! E  foi saindo pela  porta  que  acabei  de entrar sem  dar  maiores  satisfações.
Pensativo  me  entretive  esfregando  as  tais  notas  umas  nas  outras  sem  saber  o  que  significava aquele enigma.
-Cadê  o novato!
-Estou  aqui.
-O  que  você está  fazendo  aí nessa  sala?
-Entrei  aqui  por  acaso e  me  deparei  com um moço  que me  fez  esse paga....
-Cale-se!Não  quero  saber  de  suas  lamurias.Apenas me escute.
-Mas  quem  é  vocês?Por que não  posso vê-los e apenas  ouço suas  vozes?
-Eu  sou  o  comandante Vozes!
-Então,vocês  são  meus  pensamentos?
-Entenda  como  quiser. Sou  poderoso,porque sou um  e  ao  mesmo  tempo  sou  todos.Sou  muitos  em  um. Sou enxurradas de pensamentos. 
-Vocês  são  pensamentos alucinógenos!Por isso  não  vejo sua complexão  física.
-Cale-se e escuta  as  ordens!Você  não  está  aqui  para fazer  perguntas,mas  para  cumprir ordens.Você  agora  é  nosso  refém.Está  vendo aquela  caldeira  em  chamas  lá  adiante?
-Sim.
-Você cuidará  para  que  não  falta calor  as  máquinas.
No  que  olhei  para  ela  não pude  deixar  de  ver  que,o  que  mantinham  as  chamas  acesas eram   os  corpos  cansados  de velhos  prisioneiros  que  já  não  correspondiam  ao  rigor  dos  trabalhos  forçados.Por isso,eram  descartáveis.Magros e  fracos,eram  lançados  na  fornalha  ardente com  intuito  de produzir energia.Mas  ao  olhá-los    nos olhos,percebi esperança  neles,ainda  que  estivessem  sendo encaminhados  ao  fogo.Aquilo me  intrigou.
Ao  que  se  aproximavam  da  caldeira  as  chamas  parasse  que  tinham  vidas  próprias  e  se  lançavam  sobre  eles  querendo  sugá-los  para  dentro da  fornalha.Triste fim daqueles  podres de não tiveram  tempo hábil  para  cumprirem  suas  penas.
-Meu senhor!O  que  são  essas  palhas  secas que  um  rapaz  me  entregou  dizendo que  valia  214?214 o  quê?
-Há,há,há,há...! 
-Calem-se!Não  tenho tempo para gracejos.
Rapaz,não.Tenha respeito ao  se referir ao senhor juiz.
-Mas o que    fiz para ser julgado por um juiz? Ah!Esse  juiz é  mais  uma  das  facetas do  Vozes,não é?
-Ah!Sim.Já  que   acha  tão importante ver minha  forma física lhe  dei uma  pequena amostra quando apareci  como juiz.Foi apenas  um  lampejo  rápido é  verdade,pois minha  caraterística principal não  é  essa.  Sou  Vozes e ponto final.Ouvindo-me é  o  que  importa.Mas  isso já  não  vem  ao  caso.Posso  continuar 214?
-Sim,senhor.
-Muito bem.Vou esclarecer  as coisas  a  você de uma  vez  por  todas para  que  se  conforme  com  sua  condição e,mais do  que isso...Aprenda  a  cumprir  minhas ordens  como  todos  o  fazem,
e  que  saiam  de  acordo com  que ordeno.
214 é  o  numero  de anos  que  você foi  sentenciado a prisão.Causa para isso  não  tem e,ao  mesmo  tempo  tem,porque sou livre para fazer  o  que  quero com  quem  quiser na hora  que  quiser.lembre-se: sou Vozes,o  senhor  das  alucinações.Portanto,a  partir  de  hoje  seu  nome  será  214.
Ao sentenciar-me o Vozes  se  tornou  centenas  de  vozes que eu  ouvia  me minha  mente  sorrindo de  minha  sina  em  forma  de deboche.
-Calados  escravos!Ainda não  terminei.Dizem  que  você tem  que  ter esse  numeral como  nome  porque  é  diferente.Seja como for se contenta  com  esse  pois  não haverá  outro.
Ao  passo  que  ouvia  o discurso os  questionamentos tomavam conta  de mim,sobre quem eu era.Estava perdido numa profunda crise existencial,mental e espiritual.Não lembrava meu próprio nome.De fato  estava mercê daquela situação.
Era  como  se aqueles  seres imaginários se referissem  a  mim como um desvalido ,um ninguém.Minha  autoestima estava no chão.
Rapidamente  me convenci que  naquele plano ilusório o 'eu'significava nada.Eu era uma  vaga lembrança da minha existência conturbada no plano real.Confuso e vulnerável era o  que  eu  era...Mas  noutra  parte de  mim uma  força maior me impulsionava para que eu  lutasse  e  revertesse aquele  jogo.  No,entanto,naquele exato  momento  estava  de mãos  atadas.
-Atenção! Ainda  não acabei  de  lhe passar  as  ordens de serviço.
-Mais...!
-Está  brincando comigo prisioneiro?Ou melhor:está querendo brincar com  fogo prisioneiro?Por  que  se  for assim,num  estalo  de dedos posso  ordenar a  meu  exercito de vozes  que  te  levem a loucura.
-Não.Só  fiquei  impressionado com  o  tanto de  trabalho.
-Ora!É para isso  que  servem  os  escravos!
-Ha,ha,ha,ha!
-Calem-se.Não  sabem  que,quando  o grande  Vozes fala,as  vozes inferiores  se calam?Vocês terão  muito  tempo e oportunidade  para desestabilizar a  mente desse  aqui.
-Ôôô...Ho,ho,ho!!!
-Calem-se!Já disse. Terminado o  expediente no  fogo você se deslocará até  o  outro  lado  daquele  precipício...
-Ah!Onde estava o sujeito descarregando  a carroça  com  palha.Agora vou   descobrir  como  ele  atravessou  aquele abismo.
-Está  resmungando  o quê,214?
-Nada não  senhor.
-Você  se  deslocará até  o  outro  lado  daquele  precipício a fim  de ajudar  os  outros  escravos  a  descarregar os  carroções  de palhas.
-Mais  palhas!!!
-Cooomo!!!
-Só  estava pensando  alto senhor!
-Não  pense.Apenas preste atençãooo!
E mais  uma  vez  o  comandante  foi  interrompido com  a chegada de  um  louco  fardado com  uniforme  de corres  berrantes,que perseguia os  detentos  por  todo  patio ao  volante de um  gigantesco  caminhão.
-Para com isso!
E do nada o sujeito sumiu com o caminhão ao ouvir o comando do Vozes.
-Terminado  lá,volta  para  cá  e    zela  dos  meus  texugos.Tome  cuidado com  eles pois  são  preciosos  para mim.São  três ou  quatro bichinhos que devem se  tratado com toda delicadeza.
Olhei na  direção dos  animais  e  me assustei com seu aspecto diabólico.Ali  não  tinha nada  de bichinhos  estavam mais  para  monstros.
Na  medida  em que  ia terminado  seu  discurso,cada  uma  daquelas  formas nevoadas  em  torno  daquele  líder  iam  de desfazendo até  sumirem  por  completo,inclusive  ele.Num passe  de  mágica  me  vi  completamente só  e  cheio  de  tarefas  para  fazer.Mas  para  mim  tanto  fazia.Estava  preso  sem cometer crime algum,então, poderia  simplesmente ignorar aquelas  ordens  e  deixar  tudo  sem fazer  porque daria  no  mesmo.As  ordens  me  foram  passadas,mas  algo  me  dizia  que  ninguém viria  ali  verificar se  elas  estavam sendo  cumpridas.
Frustrado,    não  me  conformava.Nunca  havia  ouvido  falar  que  se  condena  alguém  por uma  ou  duas  centenas  de  anos  só  porque estava  voando  em repouso.Mas  não  me  deixava  me levar pela  impressão,porque  no  fundo  sabia  que  tudo  aquilo era fruto de um inconsciente altamente deprimido.
Estava claro  para  mim  que  no  sub  mundo  da  ilusão as  coisas mudavam  de  rumo  sem  atingir  objetivo algum e nem por isso  alguém  era responsabilizado.Ou seja,era  tudo falsa pressão.Ou uma pressão extrema exercida por minha  mente sobre meu ser,que não  passava de  fantasia.  Estava  procurando me  enlouquecer com enxurradas de pensamentos negativos,que por serem tantos,dava a impressão  que eram seres físicos me escravizando. 
Fiquei ali  por  horas tentando  dar  sentido  as coisas,enquanto os  tais  texugos  corriam  pra lá  e pra cá  de forma brincalhona e se  refugiavam  dentro  de  uma  ponta  de  cano,saída de detritos dos  banheiros.Mais  tarde  resolvi  tirar  um  cochilo ao invés de ficar  correndo  atrás  daqueles asqueirantes.

 III Capítulo


214/O ANJO MAIOR & O ANJO MENOR


No,entanto,no que fechei os  olhos ouvi:
-O que pensa que está fazendo?
-E você?Quem é?
-Seu anjo  da  guarda.
-Não. Você que  dizer  do  serviço da guarda?
-Iiih,desde  quando  você  os  vê?
-Ah,é  mesmo! Você,  eu  posso  ver  apesar dessa  áurea de  cor  azulada  ofuscar meus  olhos. E  essa  roupas  brancas?Essas  asas...Hum!Estou  bem  de  anjo da  guarda, né? De  onde  veio?Você  apareceu  do  nada!
-Sou  seu  anjo  da  gurda,por  isso  tenho  obrigação  de  te acompanhar  por  todos  os  lugares.
-Eu  tenho um  anjo  da  guarda.Menos  mau...Já  estava  me  sentindo  deprimido nesse  mundo  insano  sem ninguém  para  poder  conversar,confiar...
-Você  acha  214,que  veio  parar  aqui  realmente capturado?
-E  não  foi?Espera aí... Porque está  me  tratando por esse  nome se  você  do  bem?
-Preciso  conversar  seu  disfarce.
-Disfarce!
-Olha...Para não desmerecê-lo,vou  chamá-lo  de  anjo  menor  e  você  me  chamará  de  anjo  maior. Não  que  eu  faça  questão,porém nossa  hierarquia  é  rígida  e  precisamos agirmos com ordem e  respeito.
-Então a  sombra  que vi descendo  de mansinho enquanto ouvia as  ordens  era você?Posso  chamá-lo  de você? Ou  não  posso?
-Tanto  faz.Desde  que a  intenção  não  visa  banalizar nossa  condição  de  sagrados.Mas  já que perguntou eu  respondo,era sim.
-Mas então,me explica... O  que  estou  fazendo aqui  enfurnado nesse  posso  de mediocridade?Eu  voava pra lá pra cá,livre como  uma  pluma.Agora estou  aqui  sem ação...Que livro  é  esse  na  sua  mão? É  grande,né?
-Espera! Uma  coisa  de  cada  vez.Esse  é  o  livro  sagrado  da  vida.Já  ouviu  falar  nele?
-Algumas  vezes...
-Seu  nome  está  aqui  sabia?
-Ah! Mais ou  menos...
-Mais  ou  menos....?Você  não  crê em  Deus?
-Sobre  todas  as  coisas.
-Aí  sim.
-Você disse  que  meu  nome está  aí.Então,como é  que  me  chamo?
-Eu  falei  em sentido  figurado.Todo  aquele que ama e  obedece a Deus,tem seu nome  registrado  no  livro  da  vida.Quero  dizer que é  um  escolhido e por isso  herdará  um  dia  um  nome  celestial.Você  gozará  deste  privilegio porque é legado  sagrado.E por  ser  de  tamanha  grandeza não  pode  ser  mencionado nesse  ambiente  impuro, habitado por  seres  inferiores.Para  evitar  esse  desgaste  desnecessário  foi  instituída a você  essa  alcunha  de  214  como  nome,para seguir  as  regras  deste antro  sem levantar  suspeitas contra você.
-Então,sou  uma  isca?
-Não.Você  está  numa  grande  missão  de  libertação.
Você  não  foi  trazido aqui  como  prisioneiro,como  pensa que  foi.
-Fui  não?E as  algemas,as  grades,a submissão a todos...?
-Acalme-se.Você  também é  um anjo assim como eu,que  está  em  expiação,até  que  atinja  seu  estado  de  principado.
-O  que  é  isso  principado?
-É  uma  titulo angelical. Portanto,você  é  um  escolhido do céu que assumiu  a forma  humana,para  ensinar aos  outros como agir,no caso de se tornarem refém de traumas emocionais ou  distúrbios mentais.Pensou que voa por  robe anjo menor?
Alegre-se!Você  foi  conduzido aqui e  será  quantas  vezes forem  preciso por entidades evoluidíssimas  do Pai.Sempre com  intuito de libertar as almas que  sofrem nas  garras   da  entidades malignas do  ser,e  as convertam em  almas generosas,tornando também  generosa a  sua  própria.É  também evolução  espiritual.É  um amadurecimento especial direcionado  aos  eleitos.Aos  seres  prodigiosos que  demonstram  potencial  aos  olhos  de  Deus.Você está  sendo treinado  para  ser um  restaurados  de  almas  infelizes  e  oprimidas.Essas  coisas agente não  escolhe,apenas  cumpre-as.Entendeu 214?
-Entendi.Mas  pára  de  me chamar por esse  nome!
-Desculpe  meu  irmão.Penso  que esse  mal jeito é  pura força de  habito.
-Estou notando.
-Olha  aqui.Está  vendo  estas  anotações?
-Sim  estou. Dessa grossura parece  mais um compendio.
-As  almas  são  muitas.Na  verdade  todas  estas  almas impuras que  aqui  se  encontram  acham  que  a  caldeira fumegante é um  doloroso  suplicio.
-E  não  é  seu  anjão?
-O que é  isso,anjão?
-É  uma  brincadeira.Eu  quis  dizer Anjo Maior.
-Está bem.Como disse,essas criaturas  não  sabem que  o fogo que arde na  caldeira é um fogo sagrado  que  cura ,restaura  e  liberta.O Pai celestial  assim  o  fez para  que  através  da  peçonha maligna que  habita o  coração  humano,essas  almas que  se acham  confinadas atingissem  sua  libertação.Portanto,Anjo Menor,sua obrigação será  lançar  aos  fogo sagrado 489 dessas  almas  prisioneiras,para  que alcancem  o perdão.Por  isso  devem ser submetidas ao  fogo  sagrado para que atinjam  sua  plenitude celestial,através  do  fogo  da  vida que nunca  apaga.
Enquanto  que  as  lideranças  desse  plano  baixo pensarão que  você  é  esforçado  e  obediente,ao  cumprir  suas  ordens  com todas  gana.De  vez  enquanto  demostra  arrojo e vontade  no  que  está  fazendo e  ganhe  a  confiança  deles,para que  jamais  descubram que reino  você  pertence  de  fato.
-Mas isso  é muito  triste!
-Detalhe:nunca  esqueça  que  o  fogo  não  queima  os escolhidos!Por  isso  lance-os  com  toda  tranquilidade  de quem  sabe  que ao  fazê-lo  estará enviando-os  ao  reino  da  glória  eterna de  Deus.Feito  isso  lacre  as  portinholas  da  fornalha  com aço  divino,que  será  derretido  aí mesmo na  própria  caldeira.Em seguida  faça  duas  grades  que deverão  colocadas emparelhadas  uma  ao lado  da outra e  jamais  deverão  serem  abertas  de novo.
Ao  sentir  que  sua  missão  está  concluída,serão  momento  de  tomar  o rumo  de sua  peregrinação.
-Peregrinação? Pensei  que  minha  parte nessa  cantilena  só  fosse  essa  e pronto.
-É.Peregrinação.Vagar por  interiores  deprimidos,caídos,depressivos,em panico,enfim,libertar os  que  sofrem no reino da ilusão.
-É  por isso  que  sinto  pavor se  vivenciar  essas  coisas  absurdas que  vivencio.Nunca acaba.E depois  que acaba,começa de  novo em favor  de  outros  e vai,vai,vai...Não  tem fim  esse  serviço.
Olha  minha  esposa  dormindo  tranquila...Olha  meus  filhos...
Será se  eu  contar  que  os  vejo dormindo  em espirito eles  acreditarão?
-Dirão  que  são  sonhos  amigo pequeno. Veja.Todas  essas figurações  capengas  que  você  vê  a  sua  volta,falam  e  fazem  o  que  a  elas  forem  ordenadas.Basta  ver  que está  alem de nossa  compreensão  admitirmos o  mau  trabalhando  em função do bem.Isso só  é  possível  através  de uma força  poderosa que não  nos  compete  julgar,mas que  temos  que obedecer.Mas, no  entanto,para nós  que  estamos  presenciando esse  fenômeno,o vemos  como algo  perfeitamente natural.
-Ah!É naturalíssimo.Enquanto  meu  corpo  dorme  para descaçar,meu  espirito  trabalho para  cancã-lo.
-Não  reclame tanto.Na verdade  as  vozes  que  você  ouve  são  só  vozes.Se  fosse  alguém,dava  ordens  mas  logo em seguida não  se  lembraria  de  tê-las dado.O inferno  astral  é  algo  particular,meu irmão.Está  tudo  na  mente.Elas agem  como  parasita,que são  manobradas  para  que  através  do mau  que  pensam  que  estão fazendo  acabem  fazendo  o bem.Ignora a ação  delas.Apenas  lembre-se que  tudo  que fizerem,mesmo pensando  que  estão  praticando o mau,acabará praticando o bem.
-Então,quer  dizer  que  estamos  numa  especie  de purgatório.
-Não  é  bem  purgatório  porque  estamos  dentro  de sua  mente,mas a  ação  que  é  feita  para  te  libertar  desses  traumas,é como  fosse.
-Então,tenho que  ser  atribulado por  minhas  angustias e  frustrações  enquanto  durmo,para aprender a  libertar outras  vítimas  que  sofrem do mesmo mau?
-Isso.Só  que  você  o  fará  não  só  no  plano  espiritual,mas  também  no  material.
-Meus  Deus!Em  todos  desdobramentos  que  fiz  eu  estava obedecendo as  ordens  do  Pai?
-Estava  não.Está.
-E quanto  aos  apuros  que  agente passa  de  vez  enquanto,corre  o  risco  de  vacilar.
-Jamais  um  emissário do  Pai  fraquejará,ha não  ser  que ele queira.A fé  viva  Nele  é  a  certeza que  esse  elo  está  firme,e aos  seus  olhos  é  sinal que aquele  que  crer  está  seguro  na  graça  de  Deus.
-Outra  coisa.No que  me  aproximo  da caldeira  as  chamas  parecem  que  quer  me engolir.Porque isso acontece?
-É  como  eu já  lhe  disse.Tudo  é  mistério  de Deus.O fogo sagrado sabe quem  você  é,e  sabe  o  que  tem  que  fazer  para  cumprir  as  ordens  do  Pai.Elas  reconhecem  a  essência  daqueles  que  pertencem  ao  céu.
-Sei.Tudo é mistério.Nós  não  temos  que procurar  entender os  mistérios,mas  devemos  ter fé  para  que os  mesmos  se revelem a nós.
-Acho  que você  entendeu 214. 
-Deus  dos  céus.Tenho  que lançar  ao  fogo  488 pobres almas e  meu  anjo  da  guarda  vive  me  tratando  com deboche!
-Onde  está  indo?
-Estou  de  partida.Mas  não  se  preocupe,você  saberá superar  toda  dificuldade por  é  um iluminado  como  já  disse.E além  do  mais  estarei  sempre  como  você.
-Se  vai  estar  comigo porque  não  fica aqui  de  uma vez?
-Digo  que  estarei  contigo  observando-o  lá  da  casa  do Pai.Não  posso  interferir  no  seu  trabalho,a não  ser  que haja extrema necessidade.Ore  a  Deus  por  seu anjo  da  guarda  para que ele  possa  te proteger das armadilhas do  mau.
-Aí  você  pode interferir, Anjo  Maior?
-Posso.Esse  é meu  trabalho.A paz irmão.
-A paz .
Após  aquela  experiencia  me  senti revigorado,fortalecido. Ainda  havia  uma longa entrada  pela  frente  entre duvidas,descaminhos,mas em fim,as  coisas estavam  mais  claras para  mim.Confiei  plenamente  nele.Sabia  que,por  mais  que  os  desafios me confrontassem, as  coisas  não  aconteciam  como  uma  afronta  direta  a  mim,mas  ao  individuo  instrumento  nas  mãos  de Deus.Logo   os confrontos  não  eram contra minha  pessoa,mas  entre  o  bem  e  o mau,onde  o  bem exterminaria a  cada contenda  todo  resquício de maldade,que  tentasse  prejudicar o  justo.Isto me fortalecia  para  seguir na luta de cabeça erguida,feliz  por tão   grande  privilegio. 


IV Capítulo


214/O ANJO MENOR/NOVO ALENTO


Dali  a  pouco  fui  ficando  sonolento  de novo,até  que adormeci.

De  repente acordei assustado  junto ao  cano de  esgoto acossado pelos  texugos  que  procuravam abrigo  debaixo  de  minhas roupas,assustados com os gritos do Vozes:
-Aqui  prisioneiro  não  dorme!Leva  esses animais  para  serem alimentados.No  que  ia saindo,pressenti  que imagens  distorcidas de seres estranhos me olhavam  com desdem de rabo  de olho,enquanto se ocupavam  com seus  afazeres.
-Quanta  humilhação um  anjo  tem  que  passar  par a atingir os préstimos  das  boas  aventuranças.
-Está  reclamando  de  que?
-Não  estou  reclamando,só  estou  pensando.
-Então,pense  baixo enquanto  trabalha.Aliás,nem pensa,apenas trabalha.
O  Vozes  era  implacável.Não  me dava a minima folga.  Confiante,    não  ligava  pois  sabia que  meu  anjo  da guarda  estava  me ajudado  para que o  foco  de minha busca não  fosse  desviado  por  conta de provocações  e humilhações.Mas  minhas  baterias  estavam recarregadas e o  bom animo  reacendeu  em mim,ainda  que  fosse  impossível saber quem era quem    ou  se era  noite  ou  dia.Mas o  que  contava  era  que,no  caos  meu  equilíbrio  prevaleceria  sempre.
Todavia,um nevoeiro sombrio  se  abateu  sobre  mim e desfalecendo  de sono,fui  surpreendido mais  uma vez pelos  gritos do Vozes:
-Perdi  a  paciência  com  você.Deixa  esses  bichos  aí onde  estão!levem  esse espertalhão  para  o  suplicio  da  imundice.
Ao  ouvir  a  sentença  lembrei  que  o  Anjo  Maior  havia  dito que  aquelas  criaturas  imaginarias faziam  questão  de demonstrar um poder  que  não  possuíam. Ciente  dessa  consciência não  me  preocupei  com  nada.Apenas  me  comprometi  em  acatar  as  ordens e cumpri-las, para  o  sucesso da  missão. E convicto  na fé,fui  conduzido até  um  quartinho imundo.Toras  de madeira  bruta faziam  as  vezes das grades que me prendiam  naquele cubículo.Seu interior estava infestado de pulgas,carrapatos e cães  sarnentos.Só  a  partir  daí  percebi  que  me  encontrava preso  num  canil.Do  lado  de  fora  imagens  distorcidas  de  touros  ferozes corriam em  disparada em minha  direção tentando  me  atacar.Mas com fé  viva,prostrei-me de joelhos no chão  e clamei aos céus.Enquanto meu corpo  ia sendo  coberto pelos parasitas .Ao  me  vir naquela  situação,as  vozes inferiores reagiram com estranheza.Até  que a Voz superior interveio:
-O que  está acontecendo  agora?Quem zum,zum é esse?
-Disse  que  está  clamando a intercessão da Virgem  Maria!Há,há,há...!
-Calem-se.Quero  ver se,se comporta assim no corredor do aflitos.
Depois desse  outro  ultimato  as  vozes inferiores  não  contiveram  seus  risos.Estavam felizes  com minha  humilhação.
O  piso  do  tal corredor  era composto  por  pedregulhos ponte aguados.Aranhas caranguejeiras poupudas que  se  refugiavam em  suas  escarpas.Além de lagartos carnívoros e centopeias multi-pernaltas.De  alguma  forma  eu  tinha  que superar aquele  calvário,para  tristeza das  imagens  de  seres  borrados  que  acomodavam  numas  estruturas de madeiras apodrecidas em estilo  de plateia.
Timidamente,aproximei-me da entrada do corredor.Em seguida veio a  ordem:
-Corra!Vá!
Lentamente,comecei  a mudar o  passo  e logo  estava correndo  a toda velocidade.Minha  ideia  era  passar  tão  veloz  por aquelas  criaturas,de  forma  que  as mesmas  não  tivessem  o  prazer  de  me vir sendo humilhado ao passar  na  frente delas.No,entanto,de  forma também bastante rápida fui  tomado por um cansaço  inesperado,para delírio  da  plateia do horror:
-Oouu!Ouu!Clama  por  sua  Virgem  Maria  agora!
Nisso  fui  definhado lentamente acossado pelos risos debochados.Naquele instante me  vi derrotado,em  condição  de humilhação  total.Se  divertiam com  meu fracasso.Mas  eu  tinha  uma  carta na manga.Enquanto  me  viam como  um  derrotado,eu os  observava minunciosamente detalhe por detalhe em busca de uma  ponto  fraco  que me levasse  a redenção.Então,lembrei que o Anjo  Maior havia  dito  que aquelas  formas diabólicas não  eram donas  de  suas  ações,mas  que  eu  as  criavam  e  davam sentidos  a elas.No  que o  fiz,tudo  que estava  a minha volta desapareceu  junto com um denso  nevoeiro.Admirado  olhei  à  minha volta.No  que  voltei   atenção  ao  que  estava  fazendo,um  ramo  verde  bateu no meu rosto na altura da  boca.Minha  reação  foi  mastigá-lo e tirar  dele  o  sumo.Ao  dispensá-lo,o sumo  junto  com  a  saliva  tornou-se  um  poderoso jato  de cor  esverdeada que saia de  minha  boca,repelindo a  ação dos  meus  algozes.Por  onde  eu  passava  em  perseguição aquelas  criaturas,um mundo  novo  nascia,com   pessoas  saudáveis,prosperas e puras. E  confortado  pelo  resulto  positivo,segui  minha  perseguição as  criaturas  que  eram  dizimadas  aos  serem  atingidas  pelo  jato de  erva  da  sabor adocicado.Logo  já  não  exibiam  a  mesma  alegria  de antes.O  que  me  levou  a  crer que,de fato  a  Virgem Maria  havia me auxiliado no  pior momento  daquela batalha.
De  repente,as  criaturas  corriam  a  minha  frente,porem  já  não  se  sentiam  perseguidas  por mim,mas  corriam em  frenesi,na direção do final  do  corredor,com intuito de se proteger do meu ataque.Mas  ao se virem acossadas por mim,em  desespero o  Vozes ,disse:
-Corram que  vai  ser  servido  o  lanche das 15 horas.E num  estalo  de dedos  todos  se  foram.Aproveitando  a  oportunidade me ocupei -me investigando os  detalhes mais obscuros do corredor dos aflitos.

V Capitulo


214/ANJO MENOR/E A POMBINHA DA PAZ 



Ocupava-me observando aquilo tudo querendo  descobrir algo...Sei  lá ....Um ponto  fraco.Alguma  fragilidade,pois  para  derrotar  meu  inimigo,sabia que tinha de conhecer suas fraquezas.   Ofegante,respirava com dificuldade enquanto o  suor escorria  até o  chão.Depois  perdi  o  interesse  e  fui  na direção  das  criaturas  na  cantina.
No  que  me  aproximei,notei  que  um  prisioneiro esperava  por  mim,junto ao  balcão  do  refeitório.Com  desconfiança  fui  perguntando:
-O que  você  quer de mim?
-Nada.Só  quero  lhe  entregar esse  pequeno  naco  de bolacha.Aqui todos  se alimentam  sem  cerimonia.Quem  atrasou?Atrasou.
No que  fui  apanhar  o  alimento  de  suas  mãos,o preso  vergou  o  tronco para  trás numa  atitude suspeita,e disse:
-Esperaí.Vê  aquela  movimentação lá  dentro da cantina?
-E daí?
-Estão  procurando  por esse pedacinho de biscoito.Quando vier apanhar  seu  lanche,o  que  te  derem você  guarda nessa  canequinha  velha.Disse  apontando  para  baixo  de um  banquinho  ao  lado.Diz  que  ainda  não  te  serviram.
Naquele instante  notei  que tudo  não  passava  de uma  audaciosa  armadilha a fim  de me  incriminar:
-Não  preciso  de  alimento  algum.Disse apreensivo com  tanta generosidade.Percebi  que aquele individuo  estava tentando me ludibriar,para  que  eu  colocasse  o  pescoço numa  lassada  de coro  cru  de  arrocho absoluto.Mas  consciente,mantive-me  prudente em  relação  ao assédio,enquanto  que o  movimento no  interior  da  cantina  aumentava.
Naquele  ínterim  as  sirenes  do presido foram acionadas,delatando um  audacioso plano de fuga.Na correria,o preso  que  se metia  de cortes,saiu  correndo gritando:
-  Enganamos  você direitinho,hein,214?
De  certo  imaginando  que  eu  também  quisesse  fugir com  eles.
No  patio  uma  aeronave gigantesca aquecia  suas  turbinas,enquanto seu  interior  ia  sendo  recheado de  prisioneiros  fujões.
A  distancia  observei-a partindo.Fui  tentando  estar  nela,mas  como  não tinha  motivos para me  unir aqueles  meliantes,apenas  contemplei-a  indo  embora.Mas, num  passe  de  mágica,enquanto  confabulava com  meus  botões,dei  por  mim  no  meio  de uma  imensa  plantação  de amoras,enquanto  olhava sob  denso  nevoeiro,em  busca  da  tal  nave.E,de  repente,  vi uma  nuvem  negra  que  passou  lentamente  sobre  mim,e  pousou no patio.Porém,no  que  averiguei  melhor convenci-me  de que se  tratava do  transporte  dos  fugitivos  que haviam sido interceptados pela  segurança. 
O  serviço de alto falante ordenava que a aeronave deveria ser abatida antes  que pousasse.
De repente,ouvi:
-Fogo!!!
Num  instante  uma  chuva escandescente de projéteis coloriram o espaço  nebuloso da  plano neorotico. Acossado pelo  fogo,refugiei-me nuns  arbustos ,afim  de  me  proteger. Foi  aí  que  notei   que  aquelas  densas  folhagens escondiam  poderosas  armas  de  guerra.
Já  o  comando por  sua  vez  insistia:
-Fogo!Fogo!
Enfim,após  pesado  fogo  cerrado  a  aeronave  foi  avariada.Sua  lateral  direita  havia  sido  completamente  destruída.
Já  o  comando  oculto perguntava  a  todo  momento se  a  nave havia sido  abatida.
De  repente  uma  gigantesca  bola  de  fogo chocou-se com  o  chão. E assim,de  forma  trágica,a  fuga  mirabolante havia sido  evitada.
Curiosos se  amontoavam  ao  redor  em busca  de  sobreviventes.Também  especulando...  Entre  os  destroços um corpo  entre os mutilados  chamou-me  a atenção.Enigma que mais  tarde  se  como  o sendo  o corpo do  sujeito  que havia  me  conversado  na  cantina e que,ainda agonizando,tentava me  confundir,dizendo:
-É,214,mais  uma  vez  te  livrei  da ruína!
-Quem  é você?
-Quem sou  eu?Você  esquece  logo  de que  te protege,né?
-É  Anjo  Maior?
-E  quem  haveria  de  ser?Tomei  esta  pobre  matéria  emprestada  para  te  livrar das  armadilhas desse plano  insano.
-Bem  que  desconfiei.Aquela  conversa  toda  na  cantina...Desculpas  esfarrapadas  e  tudo  mais...Quase  que  te tomei  como  inimigo.
-Minha encenação  tinha  que  ser convincente.Caso  contrário,quem ia  acreditar? Sou  seu  anjo  da  guarda!Seu  auspicioso  refugio  da paz!Não  é  demais?
-E  o  Anjo  mestre  ia  me  proteger  especificamente de quê? 
-De  quê!? Por  exemplo: de impedir  você  de comer alimento  pagão.Que  embarcasse num  voo  torto de vida  curta!Está  ouvindo  Anjo  Menor?
-E,posso  dizer  que  não?
-Você  deve ser precavido.É  um  escolhido  dos céus.Quando  verguei  o  corpo  desse  individuo  para  trás  lá  na  cantina,foi  para  que não  se  contaminasse com as  coisas impuras desse mundo.Quantas  vezes  tocou algo  ou alguém  aqui?
Eu,por  minha  vez  apenas  ouvia  atento  os  conselhos do meu  Anjo  protetor  que  saia  da boca  do  cadáver inerte.
Após  pequena pausa  deu lastro  aos  seus  ensinamentos,me preparando ainda mais  para  o enfrentamento. E continuou.
-Flutuamos  por  esta  crosta  de pecados, não  é a-toa.Não é  poder divino  que  sai  de suas  mãos  que  toca  os  objetos  e  os  seres?Forças  contrarias  fazem  de  tudo  para  te  enganar nesse  mundo  de  trevas.Se  estivesse  entrado  na  aeronave,você  se  afastaria  dos  parâmetros  sagrados  onde  todos  nós  devemos  estar.Quando  se  encontra  em  espiação  Anjo  Menor,existe um magnetismo espiritual  que  nos  faz flutuar,a fim de  evitar  que nós  tocamos  esse  solo  imundo.Nem  de mais,nem  de  menos...É uma  medida  exata  que deve  ser  respeitada  sempre.Sob  pena de que  se  viermos  a  nos  misturarmos  com  ele,não  reuniremos  forças  para  vencer  as  insidias  do mau.
Sem  o  devido  respeito  destas  regras,o  infrator  estará  cometendo  um  grave  deslise,vez  que  ao  fazê-lo,sua  energia  será  sugada  automaticamente.Esse  deslize  o  deixará  numa  condição  incapaz  de  se redimir  perante o  Pai.Ou  seja,esse  ato  dirá  que  o  descuidado  tomou-se para  si ,seu  destino  em  suas  mãos e com isso  valoriza  sobre  maneira sua  desobediência.Mas  por outro  lado,quando  não  há  enganos,o  individuo  irá  também  automaticamente evoluindo  rumo  as  esferas  celestiais.Até  o  instante  em  que perceber  que  flutuou  de  tal  forma e  se encontra  distante  desse lugar.
Então,é  assim,uma  vez aqui:se  errar na  busca  pela  evolução  do  espirito,se  condenará;se acertar,acalçará a  libertação da  alma.Cada  vez  mais próximo  do  plano  maior.
É  aí  que entra  em ação  minha  determinação em protegê-lo.Pois  se  você  fracassar,eu  também fracassarei.Depois  deste relato  não  está  claro  para  você que  o  poder  mau  fará  tudo para que  fracasse?
-Olhando por  esse  lado  faz  sentido.
-Ah,sim! Faz  todo  sentido.É  sua evolução  espiritual  que está  em  jogo,Anjo  Menor!
-Já  que estamos  falando,quero  tirar  algumas  dúvidas.
-E  quais  são? 
-Como  saberei a meta numerológica estipulada pelos meus superiores? Como  saberei  se resgatei  as  488 almas confiadas a mim? Você  não  disse  que elas  se  encontravam espalhadas  por  todo  quanto  é  lado.
-Disse  bem.Não  informei nada  a  esse  respeito  e  no,entanto,você  soube  isso com notável maestria.Por outro  lado já  que  estamos  tocando nesse  assunto,vou  clarear  alguns  aspectos  importantes  que  serão  fundamentais  para  o sucesso de  sua  empreitada.
Quando  a  ultima  alma  for  resgatada,seja noite  ou  dia...Ao  cair  da  tarde  ou  ao  romper  da  aurora...Juntamente  com  elas...Você  será  escoltado  por  seres  iluminados até  as portas de um  imenso  templo.Uma  vez  lá,permanecerá  nele  por 4:horas,8 minutos  e  9  segundos.
Uma  vez  dentro  do  templo  sagrado,você  contemplará  com  seus  próprios  olhos ,que  não haverá  um  só  canto neste plano  escuro  que a  divina  luz não atingirá. Por  sua  vez muitos   verão,mas  não  saberão dizer do  que  se trata.Quanto  a  você  sua  atenção se  prenderá   ao menor  sinal a  volta,pois por conta  desse  privilegio você estará hapto a  ver  toda  a  magia  e  esplendor  de Deus.Fique  atento  aos  mais  insignificantes sinais,pois,uma  vez que  intensificá-los,naquele  instante  saberá  que  sua  missão  chegou ao  fim.
E numa  cerimonia maravilhosa  verá  cada  alma  que  resgatou a sua  frente.Uma  vez  que  apresentarão   orgulhosas  e  felizes.A  partir  daí  irá  contá-las uma  por uma para  ver  se  confere  ao  numero  de almas que lhe foi confiadas .Estarão  expostas em duas  fileiras  para facilitar  a  contagem,enquanto que,entre elas  estará  você  fazendo  a  conferencia .
De  um  lado  estarão  244 almas e  do  mais  outras  244 almas.No  centro   esperando    para  reverenciá-lo,estará um  eleito escolhido  pelo  conselho  do cosmo,e  que também  na  ocasião    lhe passará  o  comando  da  tropa estrelar.
Ao  somar o as  duas  fileiras,então se formará o número de almas que você  salvou.Se  ele  estiver em conformidade com que lhe foi confiado,automaticamente seu corpo  se impulsionará para cima com sensível leveza,até  que  suas  mãos alcançará as  do  recepcionante,e delas receberá o cajado  sagrado,que por sua vez  representa  a  gratidão e reconhecimento de todos .
Terminada  a cerimonia você  deixará o templo sagrado seguido por  elas numa  única  fila,formando  a  numeração 489,pois nesse instante nessa contagem também  incluirá  você.
Encabeçadas por você,seguirão  até  a  presença do  ser  supremo,que embora não  possa  vê-lo,devido o alvor de sua áurea,mas ainda  assim -o  sentirão  queimando suas  almas.Todas  serão  tidas  como batizadas,através  da  confirmação batismal,que  será  conduzida pela pela  plêiade de cerimonial.Uma  a  uma  até que passe  a  ultima.
Uma  vez  dentro umbral  celeste todas almas  voltarão  a sua formação original.Mas  dessa  vez  com  você  no  comando Anjo Menor.Então,com  direito  conquistado com  sabedoria  e perseverança,você assumirá o  posto de líder de almas.Logo em seguida  verá  que,elas  estarão ordeiramente disposta  como  antes,mas  quanto  ao  número  de  membros,verá  que  de um  lado terá 245 e do outro 244.Esse  acréscimo  de um  número neste  estágio  simboliza  que as duas pontas das fileiras estarão sobre seu comando. 
-Puxa!Já acabou?
-Não.Ainda  não.
-Quanto tempo os portões permanecerão abertos?
-O mesmo tempo crescente que os  fizeram  abrir.Em  seguida  virá o declínio desse  tempo  através de contagem regressiva,que  durará  o  mesmo  tempo,só  que  em  ordem decrescente.Ou seja,4:horas,8 minutos e 9  segundos.Ele minguará  segundo a segundo,enquanto  que  o  templo por  sua  vez  irá desaparecendo por completo.Ou até  que  todos  tenham  se certificado de sua  grandeza,até  as  mais ínfimas  partículas de luz.Podem  parecerem  frágeis,mas não  se  engane.Tudo  que  vem  da  mão  do Pai é  poderoso.Não  importando  quantidade ou  tamanho .Da mesma  forma é  sua  bondade.Seu  amor  para  conosco .Preveniu-me o Anjo Maior.
-O  que  significa esse  número  488?Quero  dizer...Por que 488?
-Isso  é  outra  história que deverá  ser  contada em  outros tempos,por outros  mestres. Tudo para  nós  servos  não  passa meras divagações no  que  se  refere  aos mistérios  divinos.Não  sabemos o  que pode  quer  de  nós  a  vontade  do poderoso  Pai.Por isso  não posso  adiantar  nenhum  detalhe daquilo que está  além de  minha  compreensão.
Até  atingirmos  o  estágio  de  alfa  Anjo Menor,terá  passado  tanto  tempo que  se  terá  a impressão de  que  tal  plenitude é  inatingível.



VI Capitulo




ANJO MAIOR/ANJO MENOR DE VOLTA AOS DESTROÇOS



-O  que será  desta  pobre  alma  que  você  acaba  de usar  como disfarce?

-Hoje  mesmo  enviarei  sua  alma  ao  reino  da glória,atendendo os anseios  do  Criador.
-Quer  dizer  que esse  corpo  foi  sacrificado para  que em  troca alcançasse a  mansidão eterna?
-É.Essa  é  a  realidade  que mostra o que por  hora testemunhamos.
-Por que alguém prejudicaria outro  alguém  sem  antes  saber suas reais  intenções? 
-Você  já  viu  lobo  dar  trégua  ao  cordeiro? A ave  de rapina  não  se alimenta  dos  rastejantes  para  que  sua  especie sobreviva?Entenda  uma coisa meu pupilo...Tudo  que  vê  aqui  só  existe na  tua mente.Nada  disso corresponde  com a  realidade de uma mente equilibrada.Já  que   está travando  uma  luta  particular  para  rever  isso,permita-se  a  querer  somente  coisas  boas.Positivas....Não  se  prenda  e detalhes  e questionamentos  infrutíferos.Ao  contrários  dessas  berrações  fantasiosas  que  não  almejam  outra  coisa senão  a vingança e o ódio. E o que  profundamente  contraditório  é  que,mesmo  sendo  perseguido  você precisa  se  empenhar  para  salvá-las.Tem  que  entender  que  repudiá-las e  transformá-las em seres irrecuperáveis. Porque o  mau  que  der  as  essas  almas  negras  é  tudo  que precisam  para  gerar  mais  mau...Por  isso  é  que  existe  essa  perseguição  contra  você.Todavia,lá  no  fundo  de  suas  maldades,elas  não  passam  de criaturas  renegadas  e  carentes.
E  naquele ínterim a  áurea  luminosa  do  santo  Anjo  saiu do  corpo  do morto,revelando seu aspecto no rosto  dele uma  satisfação de  gratidão ,pelo  beneficio  que  sua  pobre alma alcançou.Pois no  que  aquele  criatura  errante  havia  se  tornado  hospedeira  do Anjo  do  Senhor, ela se tornou  corpo  santo e  se  redimiu de  seus  pecados  por conta  desse detalhe.
Uma  criatura  que  serviu aquele  proposito jamais  poderia ser  confinada ao  'Xeol' eterno.
Terminado  o episódio  tudo  voltou a rotina  de  sempre.Na  medida  dos  possível  desenvolvia minhas  funções,sem  que as  criaturas  me  cobrassem  algum  tipo  de  resultado.Nem  os  companheiros  de  carcere fazia  qualquer  referencia  a  meu  respeito.
Em  dias   predeterminados eram  formadas  equipes  responsáveis pela  faxina nos  pavilhões .Numa  delas tive  como  companheiro de  trabalho  um  recém chegado,que  para  me  provocar,fazia  tudo  exatamente ao  contrario  do  combinado .Não  podia  ignorar  que  aquela  conduta  me  dava  nos  nervos.E  seguido  com  a  faxina,entramos numa repleta  de imagens  sacras,dispostas  nas  prateleiras.Como  estavam irreconhecíveis  devido ao excesso de poeira,disse  ao  mesmo  que  as  limpassem  com  cuidado.De  caso  pensado  para  ver  qual  seria  sua  reação.
-Limpa  você estas  imagens  de  barro.Disse  de  forma  ríspida,enquanto lançou uma  delas  ao chão  e  se  afastou   demonstrando  extrema   .
Não  pude  negar  que  seu afastamento  me  trouxe,ao  contrario dele,satisfação.
Um  comitiva  acompanhavam a  tropa  conferindo  o  resultado do  serviço.Sendo  que  um  dos  últimos  inspecionadores  que entrou  onde  estávamos  era o  recompensável  por aquele  recinto.No,entanto,o mesmo  estava  sendo  acossado  pela  presença  incomoda  de  um  detendo,que  de  forma  insistente  cobrava o  registro  de  um  dia  trabalho  que  não havia  sido  apontado  em  seu  cartão  de pontos.Exatamente o  dia  que completaria o  fim  de sua  pena.Já o  responsável  afirmava  que o mesmo não  tinha  direito  algum,pois  dias  trabalhados  eram  lançados  altimetricamente  junto  ao  cartão de pontos.
No,entanto,as  justificativas  não  foram  suficientes  para  aplacar a  fúria  do  meliante. Pressionado , o  devedor  abandonou  a  inspeção deslizando  túnel abaixo  com a ajuda dos cabos  do elevador ,indo  se refugiar no  térreo do prédio, junto  aos escombros da  marcenaria  do  presidio.Uma vez lá,deparou-se com  um velho  detento  babão ,que vivia  ali  escondido  por força  de seus  desajustes mentais.Mas  sem  fazer caso  dele  o  encarregado passou  direto e  sentou-se  num banquinho  junto  a uma  fogueira,feita pelo próprio débil.E ali permaneceu  pensativo,enquanto  o  louco  o  encarava,exibindo um  sorriso  exprimido  entre  os  lábios ressecados.Mas  não demorou  e  o  cobrador  o  descobriu  refugiado ali,e continuou com  a  a  inoportuna  cobrança.Fez-lhe  um  apelo  final,tentando  convencer seu  superior  a  reparar o  mau entendido,pois  tinha  esperança  de se  ver livre daquele presidio,e o  dia  que  faltava  era  justamente o  dia que o  mesmo lhe cobrava.Todavia,o encarregado  foi  taxativo,dizendo:
-Você  não  tem direitos  adquiridos.Por que continuar com esta injusta cobrança?
-Então,é  assim...?Disse  o  preso  revoltado,ao passo  que apanhou de  entre os  dedos  do  babão  um  toco  de cigarro em brasa e o  lançou à  fogueira,provocando grande explosão,o que levou a  arder em  chamas a  serragem  que se encontrava ali estocada.
-Meus Deus!Reconheço sua santidade.Posso  sentir seu  fogo  sagrado me  purificando.Desabafou o  encarregado,enquanto presenciava os  outros  dois indivíduos  se derreterem como  se fossem bolas de ceras.
Por mais  absurdas que  poderiam  ser aquelas manifestações de discórdias, naquela  sena  eu  havia  percebido três grandes revelações altamente positivas.
Primeira revelação:a partir do  instante em  que o  encarregado reconheceu  o  fogo  sagrado  como  santo,significa que ele estava  sendo  conduzido  a  salvação.Mas  eu  não  tinha  dúvidas  que  por detrás da  imagem  daquele  homem  fugão estava  o  dedo  do Anjo Maior. 
Segunda revelação:a  fogueira  ardia  próximo de mim.O  fato de  ela  estar  naquele  local indicava que  não  havia  necessidade de eu ficar estático  junto  dela  todo  tempo,para  viabilizar minhas obrigações.Ou seja: o fogo  sagrado me  acompanhava  e  me conduzia  onde houvesse  almas  necessitando de resgate.
Terceira  e ultima  revelação:os  que não  suportaram o  calor das chamas  sagradas não  estavam preparados  para  a  salvação.Ou seja:ainda  não  havia adquirido sustentação  espiritual para  que se vissem  livres  daquele plano de ilusão.
Novas  ordens  me  orientavam  que  eu  fizesse  a  limpeza  da  caldeira  em  chamas,para  que  fossem  retirados  os  restos carbonizados,a  fim  de  que coubesse  mais  vitimas com  o  surgimento do  espaço  sobressalente.Mais  uma  vez  as expectativas se  voltaram  para mim.Alias  estavam  clara  para  mim  que  aquela  multidão  diabólica  não  desejava  outra coisa  a  não  ser presenciar  meu fracasso.Mas  atento  ao  inesperado me  aproximei  lentamente das  chamas  que  desesperadas  tentavam  me  sugar para  dentro da caldeira.Após  relutar por  alguns instantes  fui entrando  devagar e lá  dentro me  espantei com  o  grande  numero  de restos  que  ali  se acumulavam.
Ao  me  deslocar  dentro  do  fogo,descobri  um  degrau  junto ao  chaminé,que  dava em  outro  plano.
Do  lado  de fora  as  feras  do mau  acompanhavam-me atentamente,imaginado  me  ver  sofrer.Mas  ao  contrario do  que imaginavam  aos  chamas  me acolheram e não me  causavam mau algum.Ao me  familiarizar  com  as  altas  temperaturas ,resolvi  explorar o interior  da caldeira e,no  que o fiz,percebi  que  fui  subindo os  degraus  junto  com  a  fumaça  que me  escoltava.A  cada  passo  que  eu  dava,imediatamente surgia  outro  degrau  a minha  frente para  eu pisar,como  se fosse  escada rolante.E fui  subindo,subindo...Até  que  cheguei ao  patamar.E uma  vez  nele  observei  a  volta  antes de seguir adiante e,nisso  percebi  que  eu  acabava  de  alcançar uma  nova dimensão.O velho  plano  havia  ficado  para trás.Minha  expectativa era  que,ali  talvez  as coisas  poderiam serem  mais  favoráveis a minha  busca.


VII Capitulo


O ANJO MENOR E AS SENHORAS DE VESTIDOS BRANCOS DO CONTINENTE AFRICANO

Assim  que  deixei  aquele plano medonho as chamas na caldeira se acalmaram.Até  aquele instante não havia percebido a  ligação entre o  novo plano e  o  antigo,onde  havia estado por tanto tempo.Ali  havia  grandes  expectativas no  sentido de progresso  que corroboravam para o  pleno sucesso de minha evolução.
Num  levamento  preliminar  notei que me encontrava num mundo de planícies  áridas.Embora a aridez se mesclava entre  cores e vida.Diferente do mundo tenebroso onde antes me encontrava.Apesar  da aridez a planície revelava um  imenso tapete terrestre salpicado com mesas  e cadeiras brancas,e,sentadas  nelas  ao  redor  das mesas,centenas de velhinhas do  Continente africano,jogando  cartas, alegres e felizes.
Ao  me  aproximar  perguntei  a  uma  delas  se ali seria de fato o  continente africano.Ela por sua  vez,demostrando  doçura respondeu-me  que sim,e  se calou,voltando a atenção ao que estava fazendo.
Apos  a confirmação  positiva me afastei  da  presença  das nobres senhoras  que entre fartos  sorrisos rodavam  seus vestidos bancos  no  compasso  da dança ,enquanto viam-me  partir continente a fora.
Para  não me  perder  naquele vasto continente segui o curso de um lago,onde suas  águas se  mantinham encobertas por denso nevoeiro.   Entre uma  raliação  e  outra do nevoeiro ,vi na margem oposta o vulto de um individuo de aparência suspeita,que falava pelos cotovelos .A  intenção dele era me ofender,agredindo me com palavras de baixo calão.Todavia,antes que eu  perdesse o controle e partisse para o  ataque,fui  envolto por uma áurea luminosa que me acompanhava passo a passo.O  que  deixou-me relativamente calmo.Embora continuasse ouvindo  ofensas proferidas contra mim e a plêiade de iluminados do céu,por parte daquele individuo desconhecido:
-Vocês são  todos uma farsa.Pensam que não sei que já fracassaram em outras expedições.
Evidente que não  sabia  do que estava falando.A intenção era macular a imagem  dos Domínios através do mecanismo da blasfemea.
-E você 214,achava que pode superar todas as dificuldades que virão pela frente?
-Posso sim inimigo da justiça e  da verdade.Quem  semeia esses dons sagrados,deles se valem quando vir  a colheita de seus  frutos.Além  de pulso  forte para vencer sempre.No que disse  isso levantei meu braço  direito  com  a mão  espalmada e dela saiu um poderoso foco  de luz  que atingiu em  cheio o peito do caluniador,que ao  se vir  atacado se  misturou na  penumbra,sumindo do meu raio de ação, aparecendo minutos  depois bem  a  frente.Mas  ainda assim continuava tecendo  sua teia venenosa  contra os Querubins.De  repente  mudei  de tática e preferir me  aproximar  dele  usando  o dialogo,em busca de entendimento:
-Que  é  você?Porque tanto empenho  em nos  ofender-nos,com  tantos xingamentos?Enquanto  falava  tentei  me aproximar do  mesmo,mas o  nevoeiro  se intensificou,ao  passo  que  o mesmo  desapareceu  sem  dizer coisa  alguma....
Adiante avistei  um pequeno  lago,e disse a  minha áurea:
-Vou atrás  dele e o alcanço  quando  menos  esperar.Quero  colocar as  coisas  em pratos limpos.Se  tudo  der certo,ainda nos veremos  frente  a  frente.
-Não  prefere ir voando?
-Esqueceu  que  não consigo  alçar  voos  aqui?
-Àh,sim...
Todavia,ao  se aproximar do lago onde supostamente o individuo apareceria  de  novo,um  inimigo do alheio que  se encontrava a espreita o  alertou que  eu  havia arquitetado  um  plano para capturá-lo no  lago  pequeno,antes  que a  fumaça o  envolvesse.
Depois  disso  tornei  a vê-lo  se embrenhado num  matagal  de aspecto  sombrio,e  sem  oferecer  resistência desapareceu.No que  o  fez,fazia  questão de  que  eu  o visse  se lançando  para dentro de um  foço escuro,exibindo  uma  valise debaixo  do braço,dando a  entender  que dentro  dela teria  algo  valioso  que me interessaria.
Surpreso com a atitude,me  mantive pensativo  por alguns segundos,e,quando  dei  por mim,me vi só  mais  uma vez.Minha áurea protetora  também havia  partido sem avisar.
No  instante que me  encontrava envolvido  no  combate,eu  me envolvia  tanto  que minhas  emoções fincavam num  segundo plano.Porém,quando  tudo se acalmava,me sentia  solitário e abandonado.Embora  o Anjo Maior tivesse prevenido-o,que  forças  ocultas faria  de  tudo  para entristecê-lo e ao  mesmo  tempo  desconcentrá-lo.
As  anciãs  já  não  estavam  por perto  nem  minha  áurea de filetes  azulados.Por  isso,por me  encontrar  no  comando  de meu destino,assim  de supetão,manifestei  o  desejo de vagar  pela planície,sem  saber onde  meu devaneio  poderia  me  levar.
Não  estabeleci  nenhuma  metas,uma  vez  que  não  tinha  ideia  que rumo  deveria  seguir.Enquanto  as  duvidas  fervilhavam  em minha  mente,marchei  de perto  aberto rumo  ao  desconhecido.

VIII Capítulo

DE UM CONTINENTE A OUTRO  NO INCRÍVEL CARRO QUE VOAVA

Encontrava-me  vagando por uma  estrada deserta observando de longe o aspecto fúnebre de um lago,cujo as águas apresentava um aspecto terrivelmente nebuloso.De repente fui abordado por uma viatura militar,cujo o chofer me ofereceu uma carona.Queria ter podido dizer não,mas como tal condutor demonstrava respeito  aos eleitos,acabei por aceitar.No que entrei no carro,perguntou:
-Para  onde  está indo?
De inicio  me fiz  de ouvidos mocos.Não  respondi  nada.Estava observando tudo atentamente a minha volta.Não  queria me distrair.Queria ter certeza se aquela cortesia  era de fato uma gentileza ou uma  armadilha .
-Não  quer responder não responda.Fique  tranquilo estou aqui para ajudá-lo.Você  está  querendo tomar  a  direção do  velho continente ,não é?
No  que ia  ouvindo aquelas  falas,também  ia  reorganizando minhas ideias,a fim  de dar-lhe uma resposta conclusiva sobre minha estada ali e de quebra colocar um fim  naquela conversa.Por  mais que acreditasse que aquele individuo havia  vindo  do plano superior  para me auxiliar.
Não  queria  falar.Só  pensar...Analisar...E pronto.Não  queria  saber de nada  a não  ser de mim,de meus objetivos,minhas ideias,em fim,minha atenção  estava toda voltada para meus objetivos.Embora o  estranho  demonstrava saber muito a meu  respeito.Aquilo de certa  forma me causava apreensão.Mais do que ele  poderia imaginar.
''Esse  lugar  está parecendo a Asia!Ou  Europa?A Oceania?''Indagava-me em silencio junto a  meus  pensamentos.Contudo,se  assim  o  for,estou infinitamente distante da America do Sul.Esta  parte  do globo,era  pressentida por mim numa vaga lembrança  de um possível  doce lar.
Minha  desconfiança  era  natural ,pois num  plano estranho onde todos  desconfiavam  de todos,confiar seria dar um passo  em falso na direção  da imprudência.
Deslocando em alta  velocidade,logo atingimos um  local  de edificações monumentais,as margens de uma  rodovia.De maneira saudosa contemplei  aquelas  imagens  de  rara beleza. A saudade me apertava o  peito,lembrando de um  tempo  magico em  que não  lembrava  ter  vivido.
De repente:
-Se  pretende chegar ao  velho  continente,seguindo  a pista  da  esquerda  irá economizar  15  quilômetros 214.
No  que  ouvi  a  expressão esquerda,e o numeral 214,meu  instinto de prudencia fez:Plinnn!Ainda assim,continuei  ouvindo  atentamente as  sugestões daquele bom samaritano sem  tecer  qualquer tipo  de opinião.Afinal  de conta  ele  era senhor de  sua ações.
Sete  casas enfileiradas ordeiramente uma ao  lado da outra chamou-me a  atenção de maneira peculiar.
Seus  aspectos angelicais denotavam traços  de incontestável  ternura. Pressenti algo  divino no ar!  
Então,vislumbrado  com tanta magia,perguntei  ao condutor porque  aquelas edificações  pareciam  tão  distintas umas das outras e ao  mesmo  tempo pareciam  tão  iguais,tão intimas umas das outras.
-Aí vivem os  sete  Arcanjos.E  se calou.
Dali  em  diante  passei a  contemplá-las  ainda mais e  não  demorou  para eu  perceber  que  as mesmas flutuavam  sob o  solo ao invés  de se apoiar nele.
Por  um  instante  tive vontade  de perguntá-lo  se aquele local não  deveria  ser o local onde eu deveria estar como mais frequência.Porém,sem  esquecer que minha presença  seria imprescindível lá  junto  ao  reduto  dos fracos  e dos oprimidos.Mas  me contive porque lá  no fundo sabia  que ainda não  me encontrava preparado  para fazer parte diariamente do  convívio  dos  eleitos.Conformei-me...Sabia  que  sempre estive perto dos meus  lideres benfeitores.Andei  com  eles lado  a lado sem  se quer  os conhecer pessoalmente.Minha  empolgação foi tanta  que  mesmo deixando  tudo  aquilo  para trás,continuei olhando tudo  com muita atenção  mesmo  de longe.Mas logo  dei  voz  a arasão,ao ver que aquela atitude  era mesquinha de minha parte em  se tratando dos eleitos.Eu  não  merecia estar ali.Minha incumbência  era outra.Eu tinha que evoluir.
Em  face  da ambição  desenfreada,achei  por bem  abortar aqueles  desejos mesquinhos.Sabia  que a  cobiça  era  vista  como uma das  formas mais pecaminosas de  quebra  das regras angelicais,que um  eleito  poderia  se submeter ,aos  olhos  atentos  das rígidas regras dos Arcanjos.Assim deixei  tudo para  trás,enquanto  o  veiculo  que  nos  conduziam  imprimia velocidade  cada  vez mais  veloz  e contante.
Aquela  lembrança  ficaria  gravada em  minha  mente para sempre.Quem  sensação  maravilhosa eu  sentia  cada  vez  que lembrava das  imponentes  mansões  celestiais.  
Suas  cores vivas  com detalhes  verdes nos  vidros  frontais  de suas  janelas ,resplandeciam filetes  reluzentes de  maravilha  incontentável.
Estava-me  sentido  extremamente feliz,pois  raramente alguém poderia  ver de tão perto beleza tão singular.
Uma  pista  a direita adiante indicava que era chegado  o momento dos dois  viajantes  do tempo  se  separarem. Eu  por minha  vez  me encontrava tão envolvido com  a  beleza das casas iluminadas,que me  esqueci  do motorista.Quando tornei minha atenção  para o mesmo,dei  de  cara com  o  banco  vazio.Havia ido embora  sem se  despedir.
Sem  o condutor,ainda  assim  o  automóvel  desenvolvia  velocidade supersônica,já que naquela  ocasião  não  mais rodava sobre a pista,mas  voava no  espaço  a toda velocidade.Daquele  momento em diante  o  belo  seria  contemplado  do alto.De  qualquer  forma,mesmo  estando  a deriva,reconheci  que tinha que ser grato por aquela  corona.
Mas e agora?Quem  garantiria que aquele carro nave  não  estava me  levando  de volta  ao presidio? 
Uma  coisa era certa.Aquele individuo disfarçado  de motorista conhecia meus hábitos muito bem...Do contrario , porque me trataria   pela  alcunha de 214 com tanta intimidade?

IX Capítulo

UM  HANGAR COM UM SILO REPLETO DE BOLINHOS  DE CHUVA

Algum  tempo  depois  pousei num  chapadão de dimensões tridimensionais.Uma  planura  só , onde  as coisas sumiam  de vista sem  encontrar  qualquer obstaculo pela frente.Um  vento  maroto  revirava  a poeira  como  se quisesse que ela  me  reverenciasse.
A  distancia  um  senhor misterioso  fez  as honras  do  recebimento de muito  bom  grado.Expressão  amigável  e tranquila.Entre meio ao  entusiasmo  notei  que o  mesmo  fazia  rasgados  elogios  ao  seu  hangar,ao  passo  que,  com tranquilidade se aproximava de mim,e,uma vez perto,disse:
-Não  lhe convêm  viajar pelo universo e por  onde andar,não  fazer  amigos e não  deixar uma  boa  impressão  de seu inesquecível rastro de paz.E sorriu.
-Aprecio  sua hospitalidade meu bom senhor.
-Isso  é  mérito seu...Acompanhe-me.
E seguida   seguimos  na  direção  de um  funil feito   de zinco,cuja  escada lateral  apontava na direção do firmamento.Na  mesma  marcha  que veio,sem perder o ritmo,  o  caridoso  amigo subiu degrau por degrau até  atingir o sétimo.Eu,por minha  vez  fui  precavido.Não fui com tanta sede  ao pote.Mas na  verdade devo  dizer que não o acompanhei , não foi  por outro  motivo,senão  a fobia  de alturas.
Senti-me  aliviado  no que ele abriu uma portinhola no  sétimo andar,e  disse:
-Suba  até  aqui! Pegue  estas  guloseimas e as distribuas por onde andar.Elas  simbolizam  a amizade.
-Como  pode  ser?São  apenas bolinhos!Retruquei aliviado  por não  ter que subir  mais aqueles  milhares  de degraus.
-Não  é  não.Não  são  simples  bolinhos.Isto é manjar dos  céus.
Quando  ele disse  manjar,ouve  um  grande frenesi  de criaturas invisíveis correndo  pra  lá  e pra  cá,de forma  atabalhoada,como se o nome manjar,fosse uma  especie  de código que denunciava que o estoque estivesse sendo  violado.
De repente:
-Acalmem-se!Ele é um  viajante do  tempo  que está de passagem.Ele precisa do passaporte  para seguir adiante.Não  representa nenhum perigo  para  nós.
E num estalo  de dedos a euforia serenou,como se apenas o silencio o reinasse naquele lugar, aos olhos  de quem chegasse.
Embora  estivesse ali de passagem,senti  que todos   me  tratavam com grande respeito e  consideração.
 Já  de saída,  ouvi atentamente os  conselhos do  nobreza  anfitrião  do  hangar que,naquela  oportunidade começava a ser consumido por densa poeira vermelha.Conforme foi aumentando,não  resisti,e perguntei:
-Por que  aqui tem  tanta poeira  e  do lado  de lá  do  lago  só  neblina,cerração,umidade...?
-Não percebe a diferença entre esse dois  fenômenos 214?
-Não.Como  poderia perceber?
-É  de lá  que  retiramos  matéria  prima  para fazer os bolinhos de chuva,que  encheu  o  silo,para  que hoje você estivesse  aqui  para apanhá-los.
-Não  entendo.Como pode  ser?
-Eu  explico...Você  não perseguiu  um servidor das   trevas que,ao fugir,jogou fora uma  valise dentro  do  lago  dos enganos?
-Disse,lago  dos enganos!
-Sim.Disse.
-Ah!Esse  nome não me é estranho.
-Certo.Como eu  dizia...A  função    daquele  individuo  é  destruir os laços  de amizade que você  forma  por onde passa,para que a discórdia permaneça  reinando.Lembra  quando brinquei dizendo que não  lhe  convém  andar  por todo  lado  e não  estabelecer a paz?Ela  não  se estabelece por conta da ação  desses  agentes malignos que corrompem  as criaturas e as escravizam  para  que a ilusão  e falta de esperança as dominem.Aí  não  haverá  paz  e nem  harmonia.
-Esses  laços  são  simbolizados por esses bolinhos  de chuva ?
-São  sim.Felizmente  estamos aqui a  séculos nesse vale empoeirado,recuperando  o  que nos  pertence  que passa  boiando nessa águas mortas.
-Afinal  de contas meu  bom ancião....Quem  são vocês?Há  que reino pertencem?Porque forças  malignas tomam  seus pertences  e os lançam  nestas  águas poluídas de aspecto  fúnebre,achando que vão  destruí-los?
-O que posso  dizer  meu senhor,é  que somos seus humildes servos.Falou  o  nobre  ancião,ao passo  que se curvou  aos meus pés.
-Como  assim meus  servos?Você  me  chamou  de 214,e quem  me chama  assim  são os inimigos  do alheio.E  essa poeira...?Como  os  eleitos  podem  viver num ambientante tão  conturbado?
-Bom...Já  que  meu  senhor é  senhor  do bem,segundo nossas ações,tire  suas  conclusões  e  saberá  quem  somos,e  a  que  reino  pertencemos  e servimos.Quanto a chamá-lo por esse nome,estava apenas descontraindo....Brincando um  pouco.
-O  reino  da  paz celestial!Mas,e  essa imundice de poeira?
-Essa poeira não  é  o  que parece  ser meu senhor.Onde o  senhor vê  poeira,vejo  milhares  de anjos  que voam incansavelmente ao  redor  desse silo  a  fim  de proteger nosso  estoque.Para quem chega,a  unica  coisa  que  vê  é  poeira.Esse é nosso  segredo.Meu  senhor  não  os  viu  na  forma  de anjos,mas os sentiram.Não  vem ao  caso  vê-los  e  se familiarizarem  com eles,pois  o meu bom  mestre  está  de passagem. 
Agora  quanto  ao  individuo  que portava o  que não lhe pertencia...Ele apoderou-se dos antídotos da paz  universal  quando  você  cochilou  lá  no serviço,junto  aos texugos  do  reino tirano. Lembra disso? Por isso é  que ele lhe  ofendia  tanto  junto  ao lago das sombras.Você  não  sabia  porque estava ali,mas ele sabia  que você estava ali  com  a incumbência  de recuperar  esse material  e trazê-lo  para nós.
-Então  falhei  na minha missão?
-Não,não.Não  falhou.No  que  se viu  perseguido  se livrou  da valise pesando  que estava praticando um  grande mau,mas na verdade estava agindo  conforme nós  queríamos. Esqueceu  que    disse que  retiramos o  que é  nosso  que passa  boiando  nessas águas imundas e tristes?
-Como  o Pai é perfeito!Usa-nos  como  instrumentos em  suas mãos e nem  percebemos que  ele está  nos usando!Então,é com esse antidoto  que se faz os bolinhos  de chuva ou  os  bolinhos da paz universal?
-É sim.
-Mas  foi só  um  cochilo?
-Um  cochilo....Um  vacilo é  tudo  que o  mau  precisa para desestabilizar o bem.
-Para nós  e nossos  perseguidores  meu  senhor,o  tempo  por mais insignificante que seja  é tudo  que precisamos para praticar o bem  ou o  mau. Depende de  qual  camisa se viste:se  é  a da  paz  ou  da guerra.No  instante em  que estamos aqui,noutro  nos encontramos nas mãos  do  destino  que nos  conduzirá  para lá...Apontou ele na direção do  firmamento enquanto  falava.
A  única coisa  que  nos difere  dos outros  é  nossa  condição de eleitos,é ter consciência  de  que jamais podemos vacilar.No resto,somos apenas  instrumentos  nas  mãos de quem  servimos.
-Vacilar!Já  ouvi  essa expressão  antes.
-Tenho  certeza  que sim.  
Dali  a pouco  fui  me afastando  na  direção de um  chapadão que dava impressão  de ser um grande aeroporto.Enquanto  andava,aliviado por poder estar ali,tranquilo,em  segurança,comecei  admitir  que talvez  o  tempo  das grandes contendas  estivessem  ficado para trás.No,entanto,as duvidas não  me deixavam  me animar tanto.Por exemplo:como  poderia estar livre  dos grandes  combates  se  não  havia completado minha missão  de resgate das almas? O Anjo  Maior  havia  dito que elas estavam  espalhadas por  diferentes  prisões ,em  regiões diferentes do meu  inconsciente.
 Não  demorou  para eu  cair na real  e compreender que,ali havia certa paz,o  que não poderia se dizer do restante da  missão.
Acuado numa  espécie  de paranoia  particular,me  esqueci que todas as duvidas que poderia advir daquela  missão ,já  havia sido  objeto de entendimento  entre eu e o  Anjo Maior.Consciente disso me senti  fortalecido para  seguir adiante  sem  grandes ilusões na mente,pronto  para seguir com  confiança  o  rumo  que meu destino apontasse.

X Capitulo

ACOADO PELO  ANDARILHO E A MULHER GORDA

Dali  segui  meu itinerário  sem tomar transporte algum. Em  minha  mente  os questionamentos anteriores  não  passavam de lembranças vagas, como se fossem   grãos  de areia  levado  pelo  vento,e se foram sem deixar lembrança alguma.
De  repente:
-Você  viu falar do fugitivo? Perguntou  um andarilho que se aproximou de mim  pelas costas sem que eu o visse.
-Não,não vi não.Era  verdade que  não poderia omitir minha  familiaridade em relação ao termo(fugitivo).Para  todos  efeitos  minha condição anterior  fazia com que me encaixasse ao padrão  de procurado.Embora fosse de forma injusta,contra minha vontade.Resolvi  não  dá  lastro  ao assunto.
Volta  e meia olhava  para  trás na esperança  de ver  a  imagem  distante do rosto do senhor do Hagar.Mas  logo retomava minha  caminhada,seguindo  a passos  largos  rumo ao desconhecido.
Do   lado  o andarilho  se  mantinha calado,enquanto  trotava para acompanhar minhas passadas rápidas e vigorosas.Embora  sua presença não me importunasse.Não eramos amigos...E alem do  quê,o  que poderia aquele  individuo maltrapilho fazer contra mim?Porém,sua  teimosia  me seguir-me  não fazia nenhum  sentido.
Dali  a  pouco:
-Olha  lá!É  o individuo  que  fugiu.Disse o  indesejável  anfitrião  me cutucando  com o cotovelo.Enquanto  o  outro  braço  apontava na direção  de um  sujeito que  do  nada apareceu em nossa  frente.
Num  primeiro  momento  dei  uma olhada rápida e  segui  em frente,uma  vez  que meu compromisso  ali  estava longe de  ser perseguidor de  fujões  rebelados.No,entanto,sem  que  desejasse,acabei me aproximando  do  fujão.Fui  atraído  de alguma  forma para junto dele.
Num  ato  ainda  mais vacilante entramos  os três num casebre abandonado que lembrava muito ao que  era  habitado pelos cães sarnentos  e pulgas asquerosas, lá no  cubículo  onde estive   no presídio. 
No  que entramos o suposto fugitivo se manteve calado,enquanto me olhava fixamente.De certo desconfiando  de  que  eu  poderia  ter feito algo para prejudicá-lo.O que não  era verdade.
Em  seguida subimos os degraus   corroídos de uma escada, consumidos por cupins,que dava acesso a outro comodo do casebre.Inadvertidamente,acabei entrando  primeiro.Naquele ínterim o andarilho apontou  para mim,e disse:
-Foi  ele quem te delatou.
O  fugitivo  então  se irritou  e  lançou-se  contra mim,me  atacando com golpes de caratê.Logo vi  que  ele  sabia  lutar e eu estava em pagos de aranhas,uma vez  que nem sabia  como  me defender de tal  ataque.
O comparsa saiu  correndo, trancou a porta por fora,deixando-nos a sós  no preludio do  combate. E com  a deixa  o  agressor partiu  para o ataque,mas como  seus golpes  não tinham qualquer efeito contra mim,mudou  de estrategia e preferiu o dialogo,dizendo:
-Por  que você  só  se defende  e não  contra ataca?
-Não  sou  quem você  pensa que sou...Não pertenço  a esse plano.Alem  do quê,não vejo  virtude alguma na violência.Não  traz  solução a nada,a não  ser gerar mais violência.E outra:se  porventura   fosse revidar ,você  seria  destruído no ato,pois o poder que meu  Pai me  delegou,por ser imenso,te resumiria em  fragalhos num estalo de  dedos.Mas  pertenço  a um  plano evoluído  que está  alem  de suas pretensões  diabólicas. 
-Há!Já ouvi  falar de você! Você  é  o prisioneiro  que ganhou a marca de 214 como nome!
-Ó,não parem...Estava gostando tando do jeito como lutavam!Disse uma mulher  gorda que,enquanto  falava, se  esforçava para sair de dentro do forno de um fogão velho  enferrujado,ao quê  ela  chamava de seu lar.
O agressor por sua  vez  olhou nos  olhos dela acanhado e ao  sair  com rispidez  bateu a porta com  força,demonstrando  desapontamento  ao vê-la.
Também  não fiz  caso  da obesa e saí para fora.Uma  vez  lá  não  vi  nenhum vestígio  dos que antes tentaram me incriminar.Sumiram.
Ao  me vir fora daquele  contra tempo  retomei minha rotina diária e,em  busca do desconhecido me pus a andar,resmungando:
-Que coisa estranha!Todo lado  que se vai é  violência,miséria,abominações....
-É para consertar essas coisas que   está aqui Anjo Menor.Disse uma  voz angelical junto ao meu ouvido.E nisso  um clarão  me envolveu.Era minha áurea reluzente que havia voltado.No que ia  sendo envolvido como uma ninfa no casulo, a voz divina, repetia:
-Descane!
Dali em diante adormeci no sono  dos anjos,embalados pelos querubins.

XI Capitulo

214 E OS TRÊS SUSPEITOS DA ENCRUZILHADA  

Após  despertar do meu  sonho prazeroso,fui abordado  por  três  indivíduos,que me  forçaram  a observá-los atentamente devido  sua postura um  quanto  curiosa,que  se postavam  esperando por  mim  numa encruzilhada.
Um  deles,para ser especifico,uma senhora,andava pra lá  e pra cá em atitude suspeita,na  dita encruzilhada,dando ordens a dois  jovens,que pela  omissão   que ambos demonstravam em relação  a ela,   ficava  claro que a mesma era uma especie de chefe deles.Eles  a  obedeciam sem  questionamentos algum,ao  passo  que manuseavam uma grande folha de  papiro ,que  ao  colocá-lá  junto a chão,se separava em  três  partes iguais.
Naquele  instante ao  reconhecer a folha de papiro,lembrei-me do curso  de Teologia lá  do IFITEGO
Em seguida  os  três  se agacharam ao  redor das partes  das folha,e  a  senhora  que andava  de forma  cambaleante os  ensinavam  como  dobrá-la.De  forma  que,cada  uma  delas  se  transformassem  em  ágeis  sapinhos verdes.Depois,antes  de se retirar,entregou a um dos jovens ,um objeto  ponte agudo,dizendo  que tal inguento  seria  a formula  que ensinava  fazer aquele estranho artesanato.
Ele , por sua  vez , ficou  tremendamente impressionado,ao  descobrir  que,quando o objeto tocou  sua  mão  se transformou num  insignificante pedaço de imã.E pregado nele dezenas de alfinetes.
De repente...Assustado, disse:
-Vou jogar  essa mandinga fora.Andou até um  riacho próximo e lançou o tal artefato na água.
-Não! Não  faça  isso!Implorou o segundo  jovem.Mas  já  era tarde.
Ao  ver o  desfecho  daquele  estranho  episódio não  fiquei  para  ver que  tipo  de consequência tal atitude acarretaria.Deixei-os  olhando  um  para outro com  cara de espanto.
Quase  sempre  quando me envolvia  nalgum  episodio,em  seguida  procurava um  lugar para descaçar  e repor  as energias.Quase  sempre  casebres  abandonados   as margens da estrada.
Numa  ocasião,em que  me encontrava descansando,fui  surpreendido por  dois  velhinhos,que  insatisfeitos  um com outro discutiam a coloradamente. Um deles reivindicava  o direito de enfeitar o lago da  forma como sempre fazia ,dizendo:
-Todos  os  anos  você  está  cansado  de saber  que  sou  eu  quem enfeito  as águas.
O  estranho para mim,foi  que,acharam  de discutir  ali,onde me encontrava descansando.
Pelas  frestas  das tábuas eu  os observa de cócoras lá  fora,de  frente um  para  travados na briga.
No,entanto,dali  não  dava para ver o  motivo da discussão,no  caso  o lago.De  repente o  casebre se transformou  numa lancha  e mansamente começou  a flutuar sobre as águas.
-Estou  sobre o lago?Balbuciei raivoso.
Nuns  galhos que emergiam estavam  os tais enfeites causador da  discórdia  entre ambos.
No  que  pensei  em  abandonar  o  barco,ele assumiu sua  forma original de casebre,causando espanto  aos velhinhos  que não  sabiam que  tinha alguém  no  seu interior.
Dali  a pouco  um  dos briguentos disparou:
-Epa!Enquanto discutíamos acordamos um percador.
-Não  me acordaram  não.Já  estou de saída.Outra coisa:não sou  pescador não.Preciso  ir.
No  quê  retomei  o  curso  de minha jornada,lembrei  que aquele descanso  havia  sido proporcionado por  minha  áurea generosa.Ao lembrar  fiquei  feliz  e me senti  revigorado.E assim,quanto mais o  tempo passava  mais distante do  carcere  me  sentia.Porem,com uma agravante significativo.Naquele  estágio    continuava  salvando  almas longe dos carceres imundos e sujos,mas  bem próximo  do  mundo  real.
Volta  e meia  me via as voltas com seres aparentemente  normais  que  se divertiam  a me verem  ou  ficavam  gratas  por serem  ajudadas.
Todavia,tudo que  me  mostravam ou  partilhavam  comigo,acabava  dando  algum tipo  de problema  instantaneamente.
Aquele  ambiente  em si não  era igual a uma prisão,mas  lá no fundo  os  seres estavam  carregados de energias negativas,que  fazia  com  que trabalhassem  involuntariamente para si  mesmos,lhes acarretando  prejuízos nos  seus bens materiais,emocionais e espirituais.
Com  intuito  de combater tal  fenômeno,comecei observar as minúcias  nos  movimentos  das coisas por onde eu passava. Naquela faze  os  obstáculos  eram  muito  subjetivos.Não  eram  concretos, reais como no  presidio onde se via  maldade por todo lado.Não  havia  muros ou  grades que os dividissem.Mas  havia  forte  possibilidades  de as almas  estarem  presas  dentro  do próprio ser.Ou seja,nas  cadeias da alma.E  como  se  dava isso?Através  das  reações  involuntária do ser,que ,por  falta de perspectivas de vida,colocavam suas vidas vidas e bens nas mãos enganadoras do mau que aos  poucos  as destruíam,sem que se dessem  conta  que agindo  assim  estariam  favorecendo a ação do maligno  em  suas  vidas.

XII Capitulo 

214 E OS  TORTUOSOS  CAMINHOS DA LAGOSTA VOADORA

Vagando  por mais caminhos tortuosos,alimentei  a ideia de me aproximar de  um  modesto povoado,onde  constatei  a movimentação  de seres no interior de um mercadinho  de característica popular,que  fazia questão de  exibir  em  suas prateleiras produtos dos  mais  variados  gêneros entre comuns e exóticos.
Ziguezagueei pra  lá  e  pra  cá  esbarrando  nos frequentadores    analisando  do ambiente.
De  repente  impressionei-me  com  algo  que se movia  dentro  de um  recipiente transparente encima  do balcão,e perguntei a atendente:
-  O  que é isso?
-Uma  lagosta  voadora!
-Lagosta  voadora!Nunca  soube que poderia existir  tal espécime.
-Pode  olhar  de perto.Ela  não morde!É  linda não,é?Tornou  com  tom  do  voz  meigo,contemplando a beleza  exótica do animal.
-Quanto  custa?
-214 folhinhas  verdes.
-Folhinhas!? Choraminguei...
-Cuidado  para  não  abrir  essa  vasilha.
-Até  nesse plano as criaturas fazem uso da moeda vegetal? No  quê  ouvi  sobre  as tais folhinhas percebi  que forças  estranhas também  atuavam  ali.De  forma discreta mais atuavam.Ou pelo  menos se postavam com  cara de anjo,mas  ao  mesmo  tampo  com coração   de leão.
Desconfiado dei  de costas para o balcão.No que o fiz  o  recipiente se abriu  sem  que eu  o tocasse. Pressentido o ocorrido a  amável  atendente se virou  no ato e nisso assistimos o  voo  do  raro  animalzinho  que
zarpou  dali e  pousou  dentro  de uma  densa  vegetação.O  que me  fez  lembrar  da  plantação  de amoras lá  do  presido instintivamente,onde  havia sido  travado  combate mortal entre  fugitivos  e seguranças anteriormente.
Sem  chão,  olhei  para a mocinha cujos  olhos  marejavam  devido o infausto ocorrido.
Afim  de confortá-la,retruquei:
-Não  se  preocupe!Vou  recuperá-la.Procurei  tranquilizá-la  enquanto enxugava suas  lágrimas.Não  será difícil...  Prometo. Afinal  de contas  ao  afirmar a  sentença estava  contando que minha  busca  fosse facilitada devido  as  cores    reluzentes  do  raro  espécime marinho.Sabia  que elas   a denunciavam  onde  estivesse.Portanto,esconder  seria  difícil devido a tão  grande profusão de cores.
Depois,  refletindo, tive  a impressão de  quê  devido  meu envolvimento anterior junto  a  vegetação,tal  acontecimento poderia muito bem  ser  outra armação  para me incriminar.Mas não dei credito a  especulação e saí  com pressa  atras  da lagosta  que  flutuava  daqui e dali,desviando  dos  galhos das plantas em altíssima velocidade.Todavia,quanto mais me aproximava mais rápido  se deslocava dificultando  o resgate.Era  como  se ela fosse algum  tipo de referencia  que me levaria a algum lugar em especial.De repente temi perdê-la,pois  quanto mais o  tempo  passava mais cansado  me sentia.Porém,  no que  ia  sendo  vencido pelo cansaço,numa  mudança de jogo inesperada,me  vi  em perseguição não mais a pé,mas abordo de um  transporte  que flutuava,cujo aspecto  lembrava muito o extinto anhanguera,ave pre-histórica que reinou absoluta nos longínquos tempos jurássicos.Porém,sua imagem se mesclava com uma inconfundível estrutura metálica.
Saí da vegetação e a segui em perseguição numa planície salpicada de pedras sabão e pedras cristais. Estas ultimas   se conservavam com  cortes afiadíssimos,cortantes como navalha.Em  velocidade deixei  a planície  para trás e rapidamente cheguei a um vale rodeado de penhascos de paredes praticamente insuperáveis. E foi no pico  de um deles  que a lagosta pousou,atendendo aos apupos de uma plateia inflamada que a  incentivava.
Falei baixinho: 
-Ela  está me desafiando. Mas no quê acalentei a possibilidade de apanhá-la,fui lançado  de volta como um  projétil de catapulta automaticamente até o vale das rochas.Andei  para trás...'Como pode ocorrer tal fenômeno.'Pensei.
No,entanto,ao  me preparar para superar as pedras cortantes ouvi gritos de incentivos que também vinham do alto do penhasco.No  que parei para prestar atenção ao burburinho,presenciei a lagosta fujona se inflando,inflando,inflando....Como se fosse um balão...De  repente transformou-se  num enorme templo reluzente.Imagem vista  de longe devido suas abundantes  cores.Quem o  via a distancia era impossível não  se encantar com suas imponentes  escadarias lagostais. 
A mim o  que restava era escalar aquilo tudo de novo na unha,já  que  meu  transporte não  estava mais ali.Sumiu. 
Comecei minha sina ouvindo o  coro de incentivos que repetia sem parar:
-Vai,vai,vai!!!
Porém, enquanto  ia ouvindo os incentivos ,procurei minhas forças e não  as encontrei.Tornei-me terrivelmente debilitado.Uma  fraqueza  de  dar dó.Aquilo  justificava o apoio que  segundos  antes fiquei  surpreso  em receber.Aquelas  vozes  sabiam  de ante mão  que   ia precisar dele.Mas  porque rasão estariam  torcendo por mim? 
E nisso  o cansaço  tomou  conta do meu  ser.E para poder me locomover me apoiava nas pedras cristais.Porem,no  que  as tocava seu corte afiado cortava fundo minhas mãos.Então,resolvi me apoiar nas  pedras sabão,mas ao tocá-las,quando não  derretiam,escorregavam  como quiabo.Minha perseguição havia atingido um ponto critico.Quando  já  não  estava mais aguentando surgiu ao  meu  lado  a imagem da moça do estabelecimento que para me incentivar,dizia:
-Vai  em  frente.Você  triunfará  sempre porque luta  pela redenção  dos excluídos.Em  seguida planou sobre os  obstáculos daquele  terreno maldito e foi  embora.
Então,respirei fundo  e  fixei  o  olhar na direção  do  templo  e  sem  olhar  onde pisava fui adiante.Quanto  aos  incentivos  da plateia já  não  sabia  se estavam  a  meu  favor ou  se ainda  faziam festa somente  no  entusiasmo  de  presenciar o que ocorreria  lá no  alto  do cume.Mas não  me prendi  aquilo.Pelo sim,pelo não,fui  a luta  sem  me deixar  levar pelas duvidas.
Todavia  meus  pés  e  mãos  estavam  em  chagas vivas.Mas  ao  ver meus  membros  desfigurados e meu  sangue angelical jorrando em profusão na  direção  do  chão  pagão,não  me assustei  tanto,  devido  a milagrosa  intervenção da poderosa  pedra  sabão.Percebi  que ao  tocá-lá   já  não  se derretia  e  nem  escorregava,mas  cicatrizava  o corte feito pelas  pedras cristais.Assim  fui  naquele vai  e vem constante.Uma corta e a outra cicatrizava e  foi  assim  até  superar aquele poderoso desafio.Quando atingi as  alturas me certifiquei  que realmente os aplausos  eram para mim,mas com um  detalhe:a  plateia  era invisível.
Dali  a  pouco  fui convidado  por um senhor de túnica  branca  e barbas longas e alvas a  juntar se ele junto a  um curioso parlatório,dizendo:
-Venha  214.Não  temos muito tempo para lhe entregar o premio.
-Premio?Que  premio  é esse?
-Ora!O que recebe  o  vencedor  de nosso  concurso,ué! De tempos  em  tempos promovemos o  concurso  da lagosta encantada.Ganha  quem  conseguir  persegui-lá  até o  cume  dessas montanhas.Nunca  ninguém  havia conquistado tal feito de superar  essas rochas mágicas,mas hoje esse  enigma foi  posto por terra.
-Quer  dizer que  tudo isso  faz  parte de um simples  concurso que visa me meter em mais sofrimentos?
-Não  meu bom  jovem de luz.Não  é  sofrimento não,mas  purificação.Disse  confiante o ancião  e continuou...Tenho  certeza  Anjo Menor,que  não  se  esqueceu  do numero  de almas  que  deve salvar.
-Não.Não  esqueci  não. E alias,como  o  senhor sabe desses mistérios?
-Não  ha  nada  de misterioso nisso meu bom jovem,desde  que  você  a muito  tempo  entendeu as estranhezas dessa busca,de  sua  peregrinação,e sabiamente  quais seriam os  instrumentos que estaria  a seu  dispor afim  de que pudesse chegar ao  seu  final  com sucesso.Sou  apenas mais  um  desses instrumentos que  aqui  está  para lhe  dar apoio  nessa caminhada.O resto tudo  mais  você já sabe. 
-Ah,sim!Como  sei.Peregrinação! E  a  história que não entendi  direito quando  o Anjo Maior  me explicou,com  relação as  488  almas  do império  maligno.Então,é  verdade? Apos  essa  caminhada  estou  convencido  de   que não  as  resgataria  somente lá no presidio.Conclui convicto  de que  estava no  caminho certo.Ou  aqui  não existem almas a serem salvas?
-Não existem?Você  esqueceu  do que  te  disse sobre  ninguém  nunca ter superado  o vale  dos enganos? Sobre  ninguém nunca ter conquistado tal  proeza?Olha  sua  volta  orgulhoso  pupilo.Vê  o  cenário  que superou?Não  é fácil  derrotar esses  obstáculos  tão  poderosos e você  superou.
-Não,não é fácil.Retruquei  pasmado quando  vi  que  naquele  momento estávamos pisando as misticas terras  galileias. A  terra  do  Criador!
-Surpreso?
-Um  pouco.
-Anjo  Menor...Não vê que mais uma etapa de sua  batalha  foi superada?Durante  anos permaneci  aqui presenciando  o sofrimento  de criaturas  desavisadas que,sem o devido preparo,insistiam  em  visitar  o  povoado e sem  saber  do  risco  que corriam eram  conduzidos até  o reino  das  rochas e por fim  ao  lago  dos  desenganos,até  que  finalmente você  fosse  enviado para libertar  a  todos.    
-Um  momento...O senhor se  parece muito com Moisés.Aquele  que  guiou  o  povo  de Deus  pelo deserto  do  Sinai.Só que mais novo.Como  se chama?De  onde  vem?
-No  reino  do  Pai  podemos  ser muitos personagens  ou  nos multiplicarmos  em  tantas  outras coisas,para  que  possamos cumprir seus  santos  mandamentos.Por  exemplo:eu  poderia ser a lagosta encantada!Poderia  ser as desafiadoras pedras  cortantes  ou  as aliviadoras sabão.Poderia ser os  vales,os penhascos,as montanhas  de paredões  quase insuperáveis,emfim,quando  servimos ao  Pai,podemos  usar uma infinidade de métodos ou assumirmos  a  formula  de muitas coisas  para que sua  vontade seja  estabelecida.
-Está  muito floriado...Não estou  entendendo  meu  bom amigo.
-Explicarei  até  que  entenda.Para  ter bom entendimento  basta apenas  que creia  que  sou  um humilde servo  do  Pai,que  se encontra  entre  você  e  o  Anjo  Maior.
-Há!Entendi.Entendi. Éééé...Tudo  é magico nestas misticas  terras santas.
Não  obtendo  nenhum  tipo  de resposta em relação  ao meu  ardoroso comentário,olhei  a  minha  volta  e me vi  só mais uma vez.O  sábio  orientador  havia  ido  embora sem se despedir.E,como  sinal  de  paz  e amizade deixou  um  esboço  no chão  de uma pombinha  da paz.Igual  a  que  havia  visto  lá  no chão  da  prisão.
-Como  é  que ele  sabia  da pombinha?Será  que estava  por  trás  do plano de fuga com o Anjo  Maior? Bom....Vou  adiante....

XIII Capítulo

214/O VIOLÃO SEM CORDAS/E OS LAGARTOS QUE ENSINAVAM VOAR

No  que  tomei   o rumo  de minha  nova direção,fui  surpreendido  pela presença  de dois  seres  estranhos que  correram  atrás  de mim  até  me  alcançar.Foram  se  aproximando  e dizendo:
-Você  gostaria  de aprender  voar?
-Voar!? Como  assim,voar?
-É.Voar como fazem  as  aves!
-Não,não quero  voar  não.Agradeço  a gentileza do convite.Mas  não me  preocupo  isso não.Há  muito tempo  sei  voar.Se  ainda  não  o  faço  aqui,vou  aguardar outra  oportunidade mais confiável,se  é que me entendem...
-Então,ela  chegou!Retrucaram com felizes.
Por minha  vez desconfiei  logo de todo aquele  empenho em ensinar,uma vez que os dois  usavam roupas  desfiguradas  e imundas.Estavam em farrapos.Logo  aqueles  não  seriam  os  melhores  trajes para  professores  bem intencionados   selecionar seus  alunos.Portanto,a julgar por suas  características miseráveis e sem vida,era  óbvíl  que  não  podia  estar  me oferecendo  algo tão  valioso assim  de  graça.Certamente    teria  que pagar um preço que esta  na cara que   não  seria barato.Mas  na  intenção  de descobrir  mais a respeito  da oferta,fingindo  estar interessado,perguntei:
-Se   realmente  eu  quisesse  aprender esta nobre arte....Onde  seria  o  local de treinamento?
-É  muito  fácil!Disseram empolgados apontando na  direção  de uma  pinguela.
O  intrigante detalhe  da pinguela  havia  respondido dos minhas  duvidas em  relação ao  que aqueles  indivíduos  queriam  realmente praticar contra mim.Vi de imediato que eram paranoicos,assim como  o privilegio que ofereciam.Isso sem contar o aspecto absurdo da tal  pinguela  que  era composta por uma única tábua e ainda por cima  comida  por cupins.
-Vamos  lá...Nós  iremos mostrá-la  a você.É  muito  fácil  transpô-la.Veja:nós vamos passar primeiro.Olhe! É muito fácil e seguro.Viu?Cá  estamos nós.Agora  é sua vez.
Após  tanta  insistência  revolvi  desapontá-los,lançando-me  num  voo  pleno,pousando juntos aos  pés  onde  ambos  se encontravam que,naquele  instante  nada  mais  era  do  quê  no fundo  de um precipício.
Desapontados  apelaram  para o plano 'B'.Dali em diante  insistiam para que  eu  aceitasse tomar aulas de vilão com os mesmos,apresentando-me um vilão  velho  que sequer cordas tinham.
-Vocês  não  desistem,hein?Estão  subestimando minha inteligencia? Estão?Disse aos berros.
-Não.Nós  só  queremos que toque no nosso instrumento.Toque,toque!
Então,tomei o  violão  nas  mãos  e solou uns  acordes que ressoaram  uma melodia  dos anjos.
Apavorados com  que haviam  acabado  de presenciar,olharam-se com  os  olhos  arregalados um para o  outro,assumiram uma forma esquisita de lagartos e  bateram  em retirada,escalando as paredes  do buraco  onde nos  encontravamos  e sumiram. 
Voei  para  fora  do buraco  e  os vi fugindo já lá longe,rastejando pela areia  de um deserto escaldante.
-Que  coisa  louca!A todo  instante sou  tentado  das formas mais bizarras  possíveis.Bom... Vida que segue...

IV Capitulo  CONTINUA....