Pra saber sobre você,
pergunta a seu coração,
e nota o que ele sente...
Nunca pergunta ao espelho...
Porque ao contrario do coração,
ele sempre mente.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
PELO AVESSO
Porque os homens vivem,
como se ainda estivessem no tempo das cavernas?
como se ainda estivessem no tempo das cavernas?
Na
iminência de conquistar aquilo que almejam,
Deixam
tudo de lado,
E
por nada,
abrem as pernas.
abrem as pernas.
O
que aconteceu com a moralidade,com a capacidade, com a competência...?
Isso não vale na mente de quem não pensa?
O certo é que,
Por
dignidade, capacidade,
poucos tem apresso.
‘’Porque
no fritar dos ovos,’’
A cultura
vulgar impregna o ego do ambicioso,
que quer chegar lá,pelo avesso...
No,
entanto, da ‘’missa’’
Não sabem um terço...
Ao que
parece,
Lá
no fundo de todo
moralismo aparente,
Se
os pauzinhos forem bem
mexidos,independente
dessa máxima,
Cada um tem
seu preço.
Não é o
que se esperava,
Mas
num sistema de carência extrema,
É o
que se está sujeitos.
Autor:Francisco
Lisboa
domingo, 2 de fevereiro de 2014
BEIJA-FLOR ABELHA
Beija-flor
abelha,
pesa
menos que uma centelha,
O
madeiro de sua cruz!
Mas,
ao mesmo tempo,
Tu és tão imponente e versátil,
Quanto ao majestoso avestruz,
que pesa 160 quilos,e adora pastar a grama.
Enquanto você minuscula que é,
pesa apenas 1,8 gramas.
que pesa 160 quilos,e adora pastar a grama.
Enquanto você minuscula que é,
pesa apenas 1,8 gramas.
Autor:Francisco
Lisboa
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
FALA
Conta teu
segredo,
Eu não tenho
receio em ouvi-lo.
Conta tua
história,
Porque
agora,
Estou
pronto para te ver sorrir
Fala de você...
O
que te alegra, o que te entristece,
O
que te faz sofrer?
Fala.Sou todo ouvidos,
Estou contigo nisso.
Sou seu confessor...
Estou aqui
para ouvir você.
Autor:Francisco
Lisboa
domingo, 19 de janeiro de 2014
p.s
Deixa seus comentários,isso é muito importante para mim.Ajuda a aprimorar a escrita.Abraços,Francisco Lisboa
LENICE
Seu
ventre produz vida,
Seu
coração arde em paixão,
Seu
ofício é seu guia,
Seu
trabalho satisfação.
Tudo
isso testifico,
E
ratifico o que eu disse...
Tu
és prenda preciosa,
De
codinome Leníce.
Autor:Francisco
Lisboa
sábado, 18 de janeiro de 2014
DESAPEGO
Desapegar
é estar disposto a amar,
Mesmo
não tendo a quem se amar.
Não
desapegar é odiar...
É
tornar-se marionete nas mãos da
rejeição.
Ou
seja, eu amo quem não me ama...
Mais
esse alguém tem que me amar,
Porquê
‘eu’ desejo que me ame,
Independente
se ele me ame ou não.
Eis
o egoísmo... O autentico ditador...
O
me dá, me dá, sem partilhar.
Agora,
claro está...
Talvez
quem não desapega,
Quem
não aceita que seu bem maior se foi,
Talvez não
tenha amor próprio.
Isso
é
viver nas trevas.É entornar sicuta...
É
tragar fumaça, é respirar as cinzas do
ópio.
Autor:Francisco
Lisboa
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
MALÁSIA
Malásia,
Malásia...
Estrela que bilha,
No
majestoso céu da Ásia...
Terra de encanto,magia...
Inspiração que cria asas,
E
pousa no reino da alegria.
Autor:
Francisco Lisboa
OLHOS VERDES
Olhos verdes,
Estou com sede de você.
Chega mais perto,
E a conta gotas,
deixa eu te beber.
deixa eu te beber.
Autor: Francisco Lisboa
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
O PRISIONEIRO 214
DEVANEIO
PELO INCONSCIENTE
DO PRISIONEIRO 214
I Capítulo
Encontrava-me vagando tranquilamente pelo universo do meu ‘eu’ ,num voo sereno que me levava a um grau de contentamento extasiante,jamais experimentado por qualquer outro ser.
De
repente, fui seduzido por uma imagem de rara
beleza.Encantado com tanta magia vista do
alto,pousei ao lado de uma cerca de aspecto
decadente,que contornava ao redor de uma exuberante
mata verde.
Minha
ideia inicial era apenas apreciá-la.Mas ocorreu
que,ao que toquei-a,meu pulso foi coroado pela
algema de um soldado de aspecto assombroso que entre os
galhos se escondia.Sua presença repentina trouxe do nada uma
atmosfera fúnebre aquela paisanagem antes deslumbrante.
Pelo
empenho demonstrado por ele ao me
deter,tive a sensação de que o mesmo havia
se escondido naquela vegetação com intuito de
me aprisionar, cumprindo ordens de algum
comando perverso, uma vez que não falava nada
enquanto agia.Só agia de cabeça baixa,bastante
ofegante, sem me olhar nos olhos.
Aprisionado,
não esbocei qualquer reação.Mantive serenidade até
descobrir que motivos me levaria a me
envolver naquela injusta prisão.Minha
consciência me alertava no sentido de que
me precavesse,pois no mundo ilusório onde
me encontrava, tudo era perfeitamente possível. O
que logo ficou claro para mim era que
aquele soldado era extremamente obediente a seu
reinado de trevas,e ,estava ali para
me aprisionar e colocar-me atrás das grades num
lugar medonho e frio.Rapidamente fui conduzido
a um presídio de segurança máxima,onde
permaneci confinado como prisioneiro.
No
meu devaneio,não tinha ideia de onde
poderia estar.O certo era que,depois
daquele episódio nunca mais alçaria voos
prazerosos pelo interior do meu ‘eu’,em
segurança,como habitualmente fazia.
O
presidio era reduto das piores espécies de marginais.Mentes
doentias que estavam ali representadas por
criaturas más,avessas aos princípios morais.Em sua
maioria jovens delinquentes que se tornaram
escravos de seu ego megalomaníaco.
Diariamente
o cheiro repugnante de violência contaminava o
ar interno,que de maneira escassa circulava dentre as
paredes sombrias do malévolo carcere.Suas
características inóspitas revelavam clara evidencia de
culto a terror.Todo tipo de selvagerias eram cometidas ali sem
nenhum pudor.
Conflitos
entre jovens pedófilos,assaltantes,homicidas,traficantes,eram
constantes.Ou seja,a escoria da
delinquência humana estava representada naquele
ambiente da ociosidade mundana por seus
inescrupulosos admiradores.Ali era o ultimo
lugar do meu subconsciente onde desejaria
estar.Ninguém me comunicava nada.Assitia tudo a
minha volta como se fosse num filme.Eu
era espectador do meu próprio
devaneio.Portanto,me vir livre dali era uma
questão de tempo.Estava tudo errado!
Estava
acostumado fazer desdobramentos espirituais com extrema
tranquilidade e,no entanto,naquela ocasião me
encontrava preso naquela arapuca,num plano nebuloso de nível
inferior,o qual não sabia que existia me
mim.Estava flutuando num oceano de maldade
interna.
Será
que em repouso,havia me permitido me envolver
com meu lado mau humano?Será que fui pego de surpresa
pelo mau enquanto dormia e meu espirito havia se torando escravo do meu eu
maléfico,do eu sombrio...?!Que experiencia desagradável!
Estava
decepcionado,pois estava acostumado ser o dono
da situação,voando pelo universo do eu,priorizando somente
as boas coisas que acontecem no universo
da mente.Imaginava em silencio,enquanto um e
outro se aproximava querendo estabelecer laços de
amizades.Mas eu os ignoravam.Agindo assim talvez
os fizesse entender que tudo aquilo não
passava de um infeliz engano e, que por isso,não tinha
qualquer interesse em estabelecer vinculo com
aquela corja diabólica.
Desgastado
com o impacto da prisão, não pude me
conter e,comecei alçar pequenos voos que
mau atingiam a metade da muralha intransponível.
De
repente ouço:
-Tentando
fugir?Capturamos dois que tentaram fugir daqui
antes que você chegasse.
Fingi
que não ouvi o que disse o chefe da
segurança.Mas, em seguida me senti frustrado,uma
vez que estava me expondo atoa.Não
queria que soubessem que tinha aquela
habilidade.Já que o que movia as coisas ali não
era outra coisa senão o oportunismo e a
inveja.Mas por outro lado,quem é que não desejaria
vez outra se ver livre daquelas grades?
Por
conta disso não demorei a perceber
que naquele submundo infernal, eu era infinitamente
diferente de todos. Então,quando não estava
ensaiando algum voo libertador que me levasse a
alcançar a liberdade,perambulava pelos confins daqueles
pavilhões sombrios ,me perguntando porque me
encontrava encarcerado naquele lugar sujo,imundo e frio?
Quase
sempre me encontra só,isolado..Porém,ao mesmo
tempo parece que as paredes cobertas
de musgo verde tinham olhos que me vigiavam
o tempo todo. No,entanto,quando me encontrava rodeado pelos outros
membros daquele reino de terror,eles se
lançavam sobre mim,tentando me agredir,pois,consideravam
que,por eu não me comportar como um deles,
os estavam tratando com soberba.Com desdem.Isso os
irritavam.
Noutra
ocasião se lançavam contra mim tentando arrancar
de minhas mãos uma velha lamparina que todas
as manhãs deveria ser entregue aos cuidados do
almoxarife.Pois se isso não acontecesse as
penalidades seriam severas.Isso explicava o
interesse de tentarem tirá-la de minhas mãos.
Todavia,ao
me vir acoado vi com muito bons olhos a chegada
de uma brigada motorizada que ordenou que todos
deitassem no chão.Ia ser ministrada uma
revista de rotina.Enquanto permaneci deitado,era como
se estivesse ali sozinho.A todo
movimento,toda perseguição acontecia no interior de
minha mente,que fantasiava tais personagens
.Então,eu poderia estar tranquilamente deitado em minha
casa dormindo,aos olhos de quem me via,mas jamais
imaginaria a atribulação que estava acontecendo em mim.
O
presidio...Aquele mundo quase que parecia real,mas ao
mesmo tempo não...Encontrava-me numa especie de plano
neurótico,onde tudo que eu sentia, nada acontecia.Para
dar um basta nisso era apenas
acordar,porém,mesmo acordado continuaria perturbado
com os reflexos daquela situação quase real.
Deitado
junto ao chão não pude deixar de
observar as corres aterradoras do veiculo que os
transportavam.
Salvo
na hora 'H'. A intervenção inesperada fez
com que meus perseguidores se refugiassem
no interior de suas celas não saindo
mais de lá.
Essa
era minha rotina.Num instante estava
rodeado por milhares de vozes,noutro elas sumiam
como fumaça e eu ficava só lamentando
com pesar,como poderia ter ido parar ali.
Minutos
depois,ouvi:
-Levantem-se!
Ao
que ouvi a ordem entendi que a
revista havia acabado.Porém,era como se eu
estivesse sempre de cabeça baixa e as
criaturas numa especie de elevação.Eu não via
os rostos delas. Imaginava que a voz vinha
de alguém de estatura elevada,pois eu a
ouvia de baixo para cima.Mas no que tentava ver o corpo,via
apenas uma especie de funil de fumaça subindo para o alto como
se quem davam as ordens fossem uma
especie de gênio que havia acabado de
deixar sua lampada.
Dali
em diante um a um foram embarcando no
carro do pavor.Eu sabia que era uma
tropa ,naturalmente pelo tropel que ouvia quando
se movimentavam.
Em
seguida um silencio marasmento tomou conta do
ambiente.Nem os ratos e baratas que
estavam adaptados aquelas condições nebulosas ousaram se
manifestar.
II
Capitulo
PALHAS
/ MORTES/PAGAMENTO NO REINO DAS VOZES
Mais
tarde o silencio deu lugar ao reboliço
quando ouvi:
-Chegaram
as palhas!
A
chegada de tal artefato havia causado frenesi geral.
-As
palhas chegaram!
Na
tentativa de entender aquele fenômeno,olhei do
outro lado de um precipício,e vi um detento que
descarregava as palhas trazidas num carroção imenso.
-Qual
a finalidade dessas palhas?Será que essas criaturas
possuem alguma habilidade artesanal?Será que possuem alguma
outra atividade alem da maldade?
Ao
meu lado alguém murmurou algo incompreensível num
primeiro momento,mas depois percebi que se
referia as cores das palhas,que por serem
secas,eram opacas.Não tinham vida! Ao passo que
outro retrucou dizendo que eram cinzas.
Pressentindo que
aquela era mais uma situação de
explosão alucinógena os ignorei e segui adiante para a entrega
de minha lamparina,algo que eu fazia de forma
rotineira.
Dali
a pouco ouvi gritos de dor,de
alguém que parecia gravemente ferido.Desconfiado
segui na direção de onde vinham os gritos e
do nada,deparei-me com um individuo sobre uma
maca,com um punhal encravado nas costas suplicando
por socorro. Médicos o atendiam enquanto seguranças
armados faziam escolta.
Ao
me vir disse:
-Foi
ele que fez isso comigo.
Meu
espanto foi tanto que instintivamente olhei para
trás,e só aí percebi que não falava de
mim,apesar de apontar na minha direção,mas de
individuo que se encontrava a minhas
costas.O mesmo que antes alardeava que as palhas
haviam chegado.
-Foi
eu mesmo!Dizia aos berros o
acusado,enquanto golpeava a cabeça do outro com
uma lanterna.Enquanto todos se afastaram,deixando o agressor
livre para dar cabo à vida do individuo.
De
repente um segurança que trajava roupas e sapatos de primeira
grandeza se aproximou do agressor e de forma
bastante tranquila , sacou sua pistola e
disparou varias vezes contra a cabeça do
infrator.E seu corpo caiu sobre o corpo do
outro sobre a maca,que em agonia clamava
por socorro.Já o segurança por sua
vez afastou se dois passos para trás,voltando
a sua posição original de espera,tranquilo,ao
passo que,com as pontas dos dedos
limpava respingos de sangue do paletó,como
se nada tivesse acontecido.Enquanto os corpos
escorregavam lentamente da maca para o
chão.Onde sem receber qualquer tipo de
atenção,permaneceram imoveis.
Nunca
havia imaginado presenciar tamanha brutalidade.E ali
permaneci estático.
-Meu
Deus!Que sena devastadora!
-Voltem
ao trabalho!
Ao
ouvir a ordem sai depressa e acabei deixando
minha lamparina cair ao lado dos
corpos e,sem fazer caso dela,entrei numa porta semi
aberta a minha frente.Dentro do ambiente me deparei com um sujeito
sentado numa cadeira de madeira bruta atrás de uma
escrivaninha,demonstrando ares de superioridade.Segundo disse ao me
vir,imaginava que me conhecia de algum lugar.Mas não
dei importância ao comentário,pois alguém que me
conhecia não poderia estar ali naquele lugar
odioso.
-Senta
aí!Vou fazer seu pagamento.
Fiquei
surpreso com a afirmação,pois não sabia o
que estava fazendo ali,e,no entanto,já estava
recebendo o primeiro pagamento. Senti-me invadido,mas
mesmo assim apanhei as cédulas de suas mãos
e comecei contar.
-Aí
tem 214 ! E foi saindo pela porta que
acabei de entrar sem dar maiores satisfações.
Pensativo
me entretive esfregando as tais notas
umas nas outras sem saber o que
significava aquele enigma.
-Cadê
o novato!
-Estou
aqui.
-O
que você está fazendo aí nessa sala?
-Entrei
aqui por acaso e me deparei com um moço
que me fez esse paga....
-Cale-se!Não
quero saber de suas lamurias.Apenas me escute.
-Mas
quem é vocês?Por que não posso vê-los e apenas
ouço suas vozes?
-Eu
sou o comandante Vozes!
-Então,vocês
são meus pensamentos?
-Entenda
como quiser. Sou poderoso,porque sou um e ao
mesmo tempo sou todos.Sou muitos em
um. Sou enxurradas de pensamentos.
-Vocês
são pensamentos alucinógenos!Por isso não vejo sua
complexão física.
-Cale-se
e escuta as ordens!Você não está aqui para
fazer perguntas,mas para cumprir ordens.Você agora
é nosso refém.Está vendo aquela caldeira em
chamas lá adiante?
-Sim.
-Você
cuidará para que não falta calor as
máquinas.
No
que olhei para ela não pude deixar de
ver que,o que mantinham as chamas
acesas eram os corpos cansados de velhos
prisioneiros que já não correspondiam ao
rigor dos trabalhos forçados.Por isso,eram
descartáveis.Magros e fracos,eram lançados na
fornalha ardente com intuito de produzir energia.Mas
ao olhá-los nos olhos,percebi esperança
neles,ainda que estivessem sendo encaminhados ao fogo.Aquilo
me intrigou.
Ao
que se aproximavam da caldeira as
chamas parasse que tinham vidas
próprias e se lançavam sobre eles
querendo sugá-los para dentro da fornalha.Triste
fim daqueles podres de não tiveram tempo hábil para
cumprirem suas penas.
-Meu
senhor!O que são essas palhas secas que um
rapaz me entregou dizendo que valia 214?214
o quê?
-Há,há,há,há...!
-Calem-se!Não
tenho tempo para gracejos.
Rapaz,não.Tenha
respeito ao se referir ao senhor juiz.
-Mas
o que fiz para ser julgado por um juiz? Ah!Esse juiz é
mais uma das facetas do Vozes,não é?
-Ah!Sim.Já
que acha tão importante ver minha
forma física lhe dei uma pequena amostra quando
apareci como juiz.Foi apenas um lampejo rápido é
verdade,pois minha caraterística principal não é
essa. Sou Vozes e ponto final.Ouvindo-me é o que
importa.Mas isso já não vem ao caso.Posso
continuar 214?
-Sim,senhor.
-Muito
bem.Vou esclarecer as coisas a você de uma vez
por todas para que se conforme com
sua condição e,mais do que isso...Aprenda a cumprir
minhas ordens como todos o fazem,
e
que saiam de acordo com que ordeno.
214
é o numero de anos que você foi sentenciado
a prisão.Causa para isso não tem e,ao mesmo tempo
tem,porque sou livre para fazer o que quero com
quem quiser na hora que quiser.lembre-se: sou Vozes,o
senhor das alucinações.Portanto,a partir de
hoje seu nome será 214.
Ao
sentenciar-me o Vozes se tornou centenas de vozes
que eu ouvia me minha mente sorrindo de minha
sina em forma de deboche.
-Calados
escravos!Ainda não terminei.Dizem que você tem
que ter esse numeral como nome porque é
diferente.Seja como for se contenta com esse pois
não haverá outro.
Ao
passo que ouvia o discurso os
questionamentos tomavam conta de mim,sobre quem eu era.Estava
perdido numa profunda crise existencial,mental e espiritual.Não lembrava
meu próprio nome.De fato estava mercê daquela situação.
Era
como se aqueles seres imaginários se referissem a
mim como um desvalido ,um ninguém.Minha autoestima estava no chão.
Rapidamente
me convenci que naquele plano ilusório o
'eu'significava nada.Eu era uma vaga lembrança da
minha existência conturbada no plano real.Confuso e vulnerável era o
que eu era...Mas noutra parte de mim uma
força maior me impulsionava para que eu lutasse e
revertesse aquele jogo. No,entanto,naquele exato
momento estava de mãos atadas.
-Atenção!
Ainda não acabei de lhe passar as ordens
de serviço.
-Mais...!
-Está
brincando comigo prisioneiro?Ou melhor:está querendo brincar com
fogo prisioneiro?Por que se for assim,num estalo
de dedos posso ordenar a meu exercito de vozes
que te levem a loucura.
-Não.Só
fiquei impressionado com o tanto de trabalho.
-Ora!É
para isso que servem os escravos!
-Ha,ha,ha,ha!
-Calem-se.Não
sabem que,quando o grande Vozes fala,as vozes
inferiores se calam?Vocês terão muito tempo e oportunidade
para desestabilizar a mente desse aqui.
-Ôôô...Ho,ho,ho!!!
-Calem-se!Já
disse. Terminado o expediente no fogo você se deslocará até o
outro lado daquele precipício...
-Ah!Onde
estava o sujeito descarregando a carroça com palha.Agora vou
descobrir como ele atravessou aquele abismo.
-Está
resmungando o quê,214?
-Nada
não senhor.
-Você
se deslocará até o outro lado daquele
precipício a fim de ajudar os outros
escravos a descarregar os carroções de palhas.
-Mais
palhas!!!
-Cooomo!!!
-Só
estava pensando alto senhor!
-Não
pense.Apenas preste atençãooo!
E
mais uma vez o comandante foi
interrompido com a chegada de um louco fardado
com uniforme de corres berrantes,que perseguia os
detentos por todo patio ao volante de um
gigantesco caminhão.
-Para
com isso!
E
do nada o sujeito sumiu com o caminhão ao ouvir o comando do Vozes.
-Terminado
lá,volta para cá e zela dos
meus texugos.Tome cuidado com eles pois são
preciosos para mim.São três ou quatro bichinhos
que devem se tratado com toda delicadeza.
Olhei
na direção dos animais e me assustei com seu
aspecto diabólico.Ali não tinha nada de bichinhos
estavam mais para monstros.
Na
medida em que ia terminado seu discurso,cada
uma daquelas formas nevoadas em torno daquele
líder iam de desfazendo até sumirem por
completo,inclusive ele.Num passe de mágica me
vi completamente só e cheio de tarefas
para fazer.Mas para mim tanto fazia.Estava
preso sem cometer crime algum,então, poderia simplesmente
ignorar aquelas ordens e deixar tudo sem fazer
porque daria no mesmo.As ordens me foram
passadas,mas algo me dizia que ninguém
viria ali verificar se elas estavam sendo
cumpridas.
Frustrado,
não me conformava.Nunca havia ouvido
falar que se condena alguém por uma
ou duas centenas de anos só porque
estava voando em repouso.Mas não me deixava
me levar pela impressão,porque no fundo sabia
que tudo aquilo era fruto de
um inconsciente altamente deprimido.
Estava
claro para mim que no sub mundo da
ilusão as coisas mudavam de rumo sem
atingir objetivo algum e nem por isso alguém
era responsabilizado.Ou seja,era tudo falsa pressão.Ou uma
pressão extrema exercida por minha mente sobre meu ser,que não
passava de fantasia. Estava procurando me
enlouquecer com enxurradas de pensamentos negativos,que por
serem tantos,dava a impressão que eram seres físicos me escravizando.
Fiquei
ali por horas tentando dar sentido as
coisas,enquanto os tais texugos corriam pra lá e
pra cá de forma brincalhona e se refugiavam dentro
de uma ponta de cano,saída de detritos dos
banheiros.Mais tarde resolvi tirar um
cochilo ao invés de ficar correndo atrás
daqueles asqueirantes.
III Capítulo
214/O
ANJO MAIOR & O ANJO MENOR
No,entanto,no
que fechei os olhos ouvi:
-O
que pensa que está fazendo?
-E
você?Quem é?
-Seu
anjo da guarda.
-Não.
Você que dizer do serviço da guarda?
-Iiih,desde
quando você os vê?
-Ah,é
mesmo! Você, eu posso ver apesar dessa
áurea de cor azulada ofuscar meus olhos. E
essa roupas brancas?Essas asas...Hum!Estou bem
de anjo da guarda, né? De onde veio?Você
apareceu do nada!
-Sou
seu anjo da gurda,por isso tenho
obrigação de te acompanhar por todos os
lugares.
-Eu
tenho um anjo da guarda.Menos mau...Já
estava me sentindo deprimido nesse mundo
insano sem ninguém para poder
conversar,confiar...
-Você
acha 214,que veio parar aqui
realmente capturado?
-E
não foi?Espera aí... Porque está me tratando por esse
nome se você do bem?
-Preciso
conversar seu disfarce.
-Disfarce!
-Olha...Para
não desmerecê-lo,vou chamá-lo de anjo menor e
você me chamará de anjo maior. Não
que eu faça questão,porém nossa hierarquia
é rígida e precisamos agirmos com ordem e
respeito.
-Então
a sombra que vi descendo de mansinho enquanto ouvia as
ordens era você?Posso chamá-lo de você? Ou não
posso?
-Tanto
faz.Desde que a intenção não visa banalizar
nossa condição de sagrados.Mas já que perguntou eu
respondo,era sim.
-Mas
então,me explica... O que estou fazendo aqui
enfurnado nesse posso de mediocridade?Eu
voava pra lá pra cá,livre como uma pluma.Agora estou
aqui sem ação...Que livro é esse na sua
mão? É grande,né?
-Espera!
Uma coisa de cada vez.Esse é o livro
sagrado da vida.Já ouviu falar nele?
-Algumas
vezes...
-Seu
nome está aqui sabia?
-Ah!
Mais ou menos...
-Mais
ou menos....?Você não crê em Deus?
-Sobre
todas as coisas.
-Aí
sim.
-Você
disse que meu nome está aí.Então,como é que
me chamo?
-Eu
falei em sentido figurado.Todo aquele que ama e
obedece a Deus,tem seu nome registrado no livro
da vida.Quero dizer que é um escolhido e por isso
herdará um dia um nome celestial.Você
gozará deste privilegio porque é legado sagrado.E por
ser de tamanha grandeza não pode ser
mencionado nesse ambiente impuro, habitado por seres
inferiores.Para evitar esse desgaste
desnecessário foi instituída a você essa
alcunha de 214 como nome,para seguir as
regras deste antro sem levantar suspeitas contra você.
-Então,sou
uma isca?
-Não.Você
está numa grande missão de libertação.
Você
não foi trazido aqui como prisioneiro,como
pensa que foi.
-Fui
não?E as algemas,as grades,a submissão a todos...?
-Acalme-se.Você
também é um anjo assim como eu,que está em
expiação,até que atinja seu estado de
principado.
-O
que é isso principado?
-É
uma titulo angelical. Portanto,você é um
escolhido do céu que assumiu a forma humana,para
ensinar aos outros como agir,no caso de se
tornarem refém de traumas emocionais ou distúrbios mentais.Pensou
que voa por robe anjo menor?
Alegre-se!Você
foi conduzido aqui e será quantas vezes forem
preciso por entidades evoluidíssimas do Pai.Sempre com
intuito de libertar as almas que sofrem nas garras da
entidades malignas do ser,e as convertam em almas
generosas,tornando também generosa a sua própria.É
também evolução espiritual.É um amadurecimento especial
direcionado aos eleitos.Aos seres prodigiosos que
demonstram potencial aos olhos de Deus.Você
está sendo treinado para ser um restaurados de
almas infelizes e oprimidas.Essas coisas agente
não escolhe,apenas cumpre-as.Entendeu 214?
-Entendi.Mas
pára de me chamar por esse nome!
-Desculpe
meu irmão.Penso que esse mal jeito é pura força
de habito.
-Estou
notando.
-Olha
aqui.Está vendo estas anotações?
-Sim
estou. Dessa grossura parece mais um compendio.
-As
almas são muitas.Na verdade todas estas
almas impuras que aqui se encontram acham
que a caldeira fumegante é um doloroso suplicio.
-E
não é seu anjão?
-O
que é isso,anjão?
-É
uma brincadeira.Eu quis dizer Anjo Maior.
-Está
bem.Como disse,essas criaturas não sabem que o fogo que arde
na caldeira é um fogo sagrado que cura ,restaura e
liberta.O Pai celestial assim o fez para que
através da peçonha maligna que habita o
coração humano,essas almas que se acham
confinadas atingissem sua libertação.Portanto,Anjo
Menor,sua obrigação será lançar aos fogo sagrado 489 dessas
almas prisioneiras,para que alcancem o perdão.Por
isso devem ser submetidas ao fogo sagrado para que
atinjam sua plenitude celestial,através do fogo
da vida que nunca apaga.
Enquanto
que as lideranças desse plano baixo
pensarão que você é esforçado e obediente,ao
cumprir suas ordens com todas gana.De vez
enquanto demostra arrojo e vontade no que
está fazendo e ganhe a confiança deles,para
que jamais descubram que reino você pertence de
fato.
-Mas
isso é muito triste!
-Detalhe:nunca
esqueça que o fogo não queima os
escolhidos!Por isso lance-os com toda
tranquilidade de quem sabe que ao fazê-lo
estará enviando-os ao reino da glória eterna
de Deus.Feito isso lacre as portinholas da
fornalha com aço divino,que será derretido
aí mesmo na própria caldeira.Em seguida faça duas
grades que deverão colocadas emparelhadas uma ao
lado da outra e jamais deverão serem abertas
de novo.
Ao
sentir que sua missão está concluída,serão
momento de tomar o rumo de sua
peregrinação.
-Peregrinação?
Pensei que minha parte nessa cantilena só
fosse essa e pronto.
-É.Peregrinação.Vagar
por interiores deprimidos,caídos,depressivos,em
panico,enfim,libertar os que sofrem no reino da ilusão.
-É
por isso que sinto pavor se vivenciar essas
coisas absurdas que vivencio.Nunca acaba.E depois que
acaba,começa de novo em favor de outros e
vai,vai,vai...Não tem fim esse serviço.
Olha
minha esposa dormindo tranquila...Olha meus
filhos...
Será
se eu contar que os vejo dormindo em
espirito eles acreditarão?
-Dirão
que são sonhos amigo pequeno. Veja.Todas essas
figurações capengas que você vê a sua
volta,falam e fazem o que a elas
forem ordenadas.Basta ver que está alem de nossa
compreensão admitirmos o mau trabalhando
em função do bem.Isso só é
possível através de uma força poderosa que não
nos compete julgar,mas que temos que
obedecer.Mas, no entanto,para nós que estamos
presenciando esse fenômeno,o vemos como algo
perfeitamente natural.
-Ah!É
naturalíssimo.Enquanto meu corpo dorme para
descaçar,meu espirito trabalho para cancã-lo.
-Não
reclame tanto.Na verdade as vozes que você
ouve são só vozes.Se fosse alguém,dava
ordens mas logo em seguida não se lembraria
de tê-las dado.O inferno astral é algo
particular,meu irmão.Está tudo na mente.Elas agem
como parasita,que são manobradas para que
através do mau que pensam que estão fazendo
acabem fazendo o bem.Ignora a ação delas.Apenas
lembre-se que tudo que fizerem,mesmo pensando que
estão praticando o mau,acabará praticando o bem.
-Então,quer
dizer que estamos numa especie
de purgatório.
-Não
é bem purgatório porque estamos dentro
de sua mente,mas a ação que é feita
para te libertar desses traumas,é como
fosse.
-Então,tenho
que ser atribulado por minhas angustias e
frustrações enquanto durmo,para aprender a libertar
outras vítimas que sofrem do mesmo mau?
-Isso.Só
que você o fará não só no plano
espiritual,mas também no material.
-Meus
Deus!Em todos desdobramentos que fiz eu
estava obedecendo as ordens do Pai?
-Estava
não.Está.
-E
quanto aos apuros que agente passa de vez
enquanto,corre o risco de vacilar.
-Jamais
um emissário do Pai fraquejará,ha não ser
que ele queira.A fé viva Nele é a certeza
que esse elo está firme,e aos seus olhos
é sinal que aquele que crer está seguro
na graça de Deus.
-Outra
coisa.No que me aproximo da caldeira as
chamas parecem que quer me engolir.Porque
isso acontece?
-É
como eu já lhe disse.Tudo é mistério
de Deus.O fogo sagrado sabe quem você é,e sabe o
que tem que fazer para cumprir as
ordens do Pai.Elas reconhecem a
essência daqueles que pertencem ao
céu.
-Sei.Tudo
é mistério.Nós não temos que procurar entender os
mistérios,mas devemos ter fé para que os
mesmos se revelem a nós.
-Acho
que você entendeu 214.
-Deus
dos céus.Tenho que lançar ao fogo 488
pobres almas e meu anjo da guarda vive me
tratando com deboche!
-Onde
está indo?
-Estou
de partida.Mas não se preocupe,você saberá
superar toda dificuldade por é um iluminado como
já disse.E além do mais estarei sempre
como você.
-Se
vai estar comigo porque não fica aqui de
uma vez?
-Digo
que estarei contigo observando-o lá da
casa do Pai.Não posso interferir no seu
trabalho,a não ser que haja extrema necessidade.Ore a
Deus por seu anjo da guarda para que ele
possa te proteger das armadilhas do mau.
-Aí
você pode interferir, Anjo Maior?
-Posso.Esse
é meu trabalho.A paz irmão.
-A
paz .
Após
aquela experiencia me senti revigorado,fortalecido.
Ainda havia uma longa entrada pela frente entre
duvidas,descaminhos,mas em fim,as coisas estavam mais claras
para mim.Confiei plenamente nele.Sabia que,por
mais que os desafios me confrontassem, as coisas
não aconteciam como uma afronta direta
a mim,mas ao individuo instrumento nas
mãos de Deus.Logo os confrontos não eram contra
minha pessoa,mas entre o bem e o mau,onde
o bem exterminaria a cada contenda todo
resquício de maldade,que tentasse prejudicar o
justo.Isto me fortalecia para seguir na luta de cabeça
erguida,feliz por tão grande privilegio.
IV
Capítulo
214/O
ANJO MENOR/NOVO ALENTO
Dali
a pouco fui ficando sonolento de novo,até
que adormeci.
De
repente acordei assustado junto ao cano de esgoto
acossado pelos texugos que procuravam abrigo debaixo
de minhas roupas,assustados com os gritos do Vozes:
-Aqui
prisioneiro não dorme!Leva esses animais para
serem alimentados.No que ia saindo,pressenti que
imagens distorcidas de seres estranhos me olhavam com desdem de
rabo de olho,enquanto se ocupavam com seus afazeres.
-Quanta
humilhação um anjo tem que passar par a
atingir os préstimos das boas aventuranças.
-Está
reclamando de que?
-Não
estou reclamando,só estou pensando.
-Então,pense
baixo enquanto trabalha.Aliás,nem pensa,apenas trabalha.
O
Vozes era implacável.Não me dava a minima folga.
Confiante, não ligava pois sabia que
meu anjo da guarda estava me ajudado para
que o foco de minha busca não fosse desviado por
conta de provocações e humilhações.Mas minhas baterias
estavam recarregadas e o bom animo reacendeu em
mim,ainda que fosse impossível saber quem era quem
ou se era noite ou dia.Mas o que
contava era que,no caos meu
equilíbrio prevaleceria sempre.
Todavia,um
nevoeiro sombrio se abateu sobre mim e desfalecendo
de sono,fui surpreendido mais uma vez pelos
gritos do Vozes:
-Perdi
a paciência com você.Deixa esses
bichos aí onde estão!levem esse espertalhão para
o suplicio da imundice.
Ao
ouvir a sentença lembrei que o Anjo
Maior havia dito que aquelas criaturas
imaginarias faziam questão de demonstrar um poder
que não possuíam. Ciente dessa consciência
não me preocupei com nada.Apenas me
comprometi em acatar as ordens e cumpri-las,
para o sucesso da missão. E convicto na fé,fui
conduzido até um quartinho imundo.Toras de madeira
bruta faziam as vezes das grades que me prendiam
naquele cubículo.Seu interior estava infestado de pulgas,carrapatos
e cães sarnentos.Só a partir daí percebi
que me encontrava preso num canil.Do lado
de fora imagens distorcidas de touros
ferozes corriam em disparada em minha direção tentando
me atacar.Mas com fé viva,prostrei-me de joelhos no chão
e clamei aos céus.Enquanto meu corpo ia sendo coberto pelos
parasitas .Ao me vir naquela situação,as vozes
inferiores reagiram com estranheza.Até que a Voz superior interveio:
-O
que está acontecendo agora?Quem zum,zum é esse?
-Disse
que está clamando a intercessão da Virgem
Maria!Há,há,há...!
-Calem-se.Quero
ver se,se comporta assim no corredor do aflitos.
Depois
desse outro ultimato as vozes inferiores não
contiveram seus risos.Estavam felizes com minha
humilhação.
O
piso do tal corredor era composto por
pedregulhos ponte aguados.Aranhas caranguejeiras poupudas que se
refugiavam em suas escarpas.Além de lagartos carnívoros
e centopeias multi-pernaltas.De alguma forma eu
tinha que superar aquele calvário,para tristeza das
imagens de seres borrados que acomodavam
numas estruturas de madeiras apodrecidas em estilo de plateia.
Timidamente,aproximei-me
da entrada do corredor.Em seguida veio a ordem:
-Corra!Vá!
Lentamente,comecei
a mudar o passo e logo estava correndo a toda
velocidade.Minha ideia era passar tão veloz
por aquelas criaturas,de forma que as mesmas
não tivessem o prazer de me vir sendo
humilhado ao passar na frente delas.No,entanto,de forma
também bastante rápida fui tomado por um cansaço inesperado,para
delírio da plateia do horror:
-Oouu!Ouu!Clama
por sua Virgem Maria agora!
Nisso
fui definhado lentamente acossado pelos risos debochados.Naquele instante
me vi derrotado,em condição de humilhação total.Se
divertiam com meu fracasso.Mas eu tinha uma
carta na manga.Enquanto me viam como um
derrotado,eu os observava minunciosamente detalhe por
detalhe em busca de uma ponto fraco que me levasse a
redenção.Então,lembrei que o Anjo Maior havia dito que
aquelas formas diabólicas não eram donas de suas
ações,mas que eu as criavam e davam
sentidos a elas.No que o fiz,tudo que estava a
minha volta desapareceu junto com um denso nevoeiro.Admirado
olhei à minha volta.No que voltei atenção
ao que estava fazendo,um ramo verde
bateu no meu rosto na altura da boca.Minha reação foi
mastigá-lo e tirar dele o sumo.Ao dispensá-lo,o
sumo junto com a saliva tornou-se um
poderoso jato de cor esverdeada que saia de minha
boca,repelindo a ação dos meus algozes.Por onde
eu passava em perseguição aquelas criaturas,um
mundo novo nascia,com pessoas saudáveis,prosperas e
puras. E confortado pelo resulto positivo,segui
minha perseguição as criaturas que eram
dizimadas aos serem atingidas pelo
jato de erva da sabor adocicado.Logo já não
exibiam a mesma alegria de antes.O que
me levou a crer que,de fato a Virgem Maria
havia me auxiliado no pior momento daquela batalha.
De
repente,as criaturas corriam a minha
frente,porem já não se sentiam
perseguidas por mim,mas corriam em frenesi,na
direção do final do corredor,com intuito de se proteger do meu ataque.Mas
ao se virem acossadas por mim,em desespero o Vozes ,disse:
-Corram
que vai ser servido o lanche das 15 horas.E num
estalo de dedos todos se foram.Aproveitando
a oportunidade me ocupei -me investigando os detalhes mais
obscuros do corredor dos aflitos.
V
Capitulo
214/ANJO
MENOR/E A POMBINHA DA PAZ
Ocupava-me
observando aquilo tudo querendo descobrir algo...Sei lá ....Um
ponto fraco.Alguma fragilidade,pois para derrotar
meu inimigo,sabia que tinha de conhecer suas fraquezas.
Ofegante,respirava com dificuldade enquanto o suor escorria até o
chão.Depois perdi o interesse e fui
na direção das criaturas na cantina.
No
que me aproximei,notei que um prisioneiro
esperava por mim,junto ao balcão do refeitório.Com
desconfiança fui perguntando:
-O
que você quer de mim?
-Nada.Só
quero lhe entregar esse pequeno naco de
bolacha.Aqui todos se alimentam sem cerimonia.Quem
atrasou?Atrasou.
No
que fui apanhar o alimento de suas
mãos,o preso vergou o tronco para trás numa
atitude suspeita,e disse:
-Esperaí.Vê
aquela movimentação lá dentro da cantina?
-E
daí?
-Estão
procurando por esse pedacinho de biscoito.Quando vier apanhar
seu lanche,o que te derem você guarda nessa
canequinha velha.Disse apontando para baixo
de um banquinho ao lado.Diz que ainda
não te serviram.
Naquele
instante notei que tudo não passava de uma
audaciosa armadilha a fim de me incriminar:
-Não
preciso de alimento algum.Disse apreensivo com
tanta generosidade.Percebi que aquele individuo estava
tentando me ludibriar,para que eu colocasse o
pescoço numa lassada de coro cru de
arrocho absoluto.Mas consciente,mantive-me prudente em
relação ao assédio,enquanto que o movimento no
interior da cantina aumentava.
Naquele
ínterim as sirenes do presido
foram acionadas,delatando um audacioso plano de fuga.Na correria,o
preso que se metia de cortes,saiu correndo
gritando:
- Enganamos
você direitinho,hein,214?
De
certo imaginando que eu também quisesse
fugir com eles.
No
patio uma aeronave gigantesca aquecia suas
turbinas,enquanto seu interior ia sendo recheado
de prisioneiros fujões.
A
distancia observei-a partindo.Fui tentando estar
nela,mas como não tinha motivos para me unir
aqueles meliantes,apenas contemplei-a indo embora.Mas,
num passe de mágica,enquanto confabulava com
meus botões,dei por mim no meio de
uma imensa plantação de amoras,enquanto olhava sob
denso nevoeiro,em busca da tal nave.E,de
repente, vi uma nuvem negra que passou
lentamente sobre mim,e pousou no patio.Porém,no
que averiguei melhor convenci-me de que se
tratava do transporte dos fugitivos que haviam
sido interceptados pela segurança.
O
serviço de alto falante ordenava que a aeronave deveria ser abatida antes
que pousasse.
De
repente,ouvi:
-Fogo!!!
Num
instante uma chuva escandescente de projéteis coloriram o
espaço nebuloso da plano neorotico. Acossado pelo
fogo,refugiei-me nuns arbustos ,afim de me
proteger. Foi aí que notei que
aquelas densas folhagens escondiam poderosas
armas de guerra.
Já
o comando por sua vez insistia:
-Fogo!Fogo!
Enfim,após
pesado fogo cerrado a aeronave foi
avariada.Sua lateral direita havia sido
completamente destruída.
Já
o comando oculto perguntava a todo momento
se a nave havia sido abatida.
De
repente uma gigantesca bola de fogo
chocou-se com o chão. E assim,de forma trágica,a
fuga mirabolante havia sido evitada.
Curiosos
se amontoavam ao redor em busca de
sobreviventes.Também especulando... Entre os
destroços um corpo entre os mutilados chamou-me a
atenção.Enigma que mais tarde se como o sendo o
corpo do sujeito que havia me conversado na
cantina e que,ainda agonizando,tentava me confundir,dizendo:
-É,214,mais
uma vez te livrei da ruína!
-Quem
é você?
-Quem
sou eu?Você esquece logo de que te protege,né?
-É
Anjo Maior?
-E
quem haveria de ser?Tomei esta pobre
matéria emprestada para te livrar das
armadilhas desse plano insano.
-Bem
que desconfiei.Aquela conversa toda na
cantina...Desculpas esfarrapadas e tudo mais...Quase
que te tomei como inimigo.
-Minha encenação
tinha que ser convincente.Caso contrário,quem ia
acreditar? Sou seu anjo da guarda!Seu
auspicioso refugio da paz!Não é demais?
-E
o Anjo mestre ia me proteger
especificamente de quê?
-De
quê!? Por exemplo: de impedir você de comer alimento
pagão.Que embarcasse num voo torto de vida
curta!Está ouvindo Anjo Menor?
-E,posso
dizer que não?
-Você
deve ser precavido.É um escolhido dos céus.Quando
verguei o corpo desse individuo para
trás lá na cantina,foi para que não
se contaminasse com as coisas impuras desse mundo.Quantas
vezes tocou algo ou alguém aqui?
Eu,por
minha vez apenas ouvia atento os
conselhos do meu Anjo protetor que saia da boca
do cadáver inerte.
Após
pequena pausa deu lastro aos seus ensinamentos,me
preparando ainda mais para o enfrentamento. E continuou.
-Flutuamos
por esta crosta de pecados, não é a-toa.Não é
poder divino que sai de suas mãos que
toca os objetos e os seres?Forças
contrarias fazem de tudo para te
enganar nesse mundo de trevas.Se estivesse
entrado na aeronave,você se afastaria dos
parâmetros sagrados onde todos nós
devemos estar.Quando se encontra em espiação
Anjo Menor,existe um magnetismo espiritual que nos
faz flutuar,a fim de evitar que nós tocamos esse
solo imundo.Nem de mais,nem de menos...É uma
medida exata que deve ser respeitada
sempre.Sob pena de que se viermos a nos
misturarmos com ele,não reuniremos forças
para vencer as insidias do mau.
Sem
o devido respeito destas regras,o infrator
estará cometendo um grave deslise,vez que
ao fazê-lo,sua energia será sugada
automaticamente.Esse deslize o deixará numa
condição incapaz de se redimir perante o
Pai.Ou seja,esse ato dirá que o
descuidado tomou-se para si ,seu destino em
suas mãos e com isso valoriza sobre maneira sua
desobediência.Mas por outro lado,quando não há
enganos,o individuo irá também automaticamente
evoluindo rumo as esferas celestiais.Até o
instante em que perceber que flutuou de
tal forma e se encontra distante desse
lugar.
Então,é
assim,uma vez aqui:se errar na busca pela
evolução do espirito,se condenará;se
acertar,acalçará a libertação da alma.Cada vez
mais próximo do plano maior.
É
aí que entra em ação minha determinação em
protegê-lo.Pois se você fracassar,eu também
fracassarei.Depois deste relato não está claro
para você que o poder mau fará tudo
para que fracasse?
-Olhando
por esse lado faz sentido.
-Ah,sim!
Faz todo sentido.É sua evolução espiritual que
está em jogo,Anjo Menor!
-Já
que estamos falando,quero tirar algumas dúvidas.
-E
quais são?
-Como
saberei a meta numerológica estipulada pelos meus superiores?
Como saberei se resgatei as 488 almas confiadas a mim?
Você não disse que elas se encontravam espalhadas
por todo quanto é lado.
-Disse
bem.Não informei nada a esse respeito e
no,entanto,você soube isso com notável maestria.Por
outro lado já que estamos tocando nesse
assunto,vou clarear alguns aspectos importantes
que serão fundamentais para o sucesso de
sua empreitada.
Quando
a ultima alma for resgatada,seja noite ou
dia...Ao cair da tarde ou ao romper
da aurora...Juntamente com elas...Você será
escoltado por seres iluminados até as portas de
um imenso templo.Uma vez lá,permanecerá nele
por 4:horas,8 minutos e 9 segundos.
Uma
vez dentro do templo sagrado,você
contemplará com seus próprios olhos ,que
não haverá um só canto neste plano escuro
que a divina luz não atingirá. Por sua vez muitos
verão,mas não saberão dizer do que se
trata.Quanto a você sua atenção se prenderá
ao menor sinal a volta,pois por conta desse
privilegio você estará hapto a ver toda a magia
e esplendor de Deus.Fique atento aos mais
insignificantes sinais,pois,uma vez que intensificá-los,naquele
instante saberá que sua missão chegou ao
fim.
E
numa cerimonia maravilhosa verá cada alma que
resgatou a sua frente.Uma vez que apresentarão
orgulhosas e felizes.A partir daí irá
contá-las uma por uma para ver se confere
ao numero de almas que lhe foi confiadas .Estarão
expostas em duas fileiras para facilitar a
contagem,enquanto que,entre elas estará você fazendo
a conferencia .
De
um lado estarão 244 almas e do mais
outras 244 almas.No centro esperando para
reverenciá-lo,estará um eleito escolhido pelo conselho
do cosmo,e que também na ocasião lhe
passará o comando da tropa estrelar.
Ao
somar o as duas fileiras,então se formará o número de almas
que você salvou.Se ele estiver em conformidade com que lhe
foi confiado,automaticamente seu corpo se impulsionará para
cima com sensível leveza,até que suas
mãos alcançará as do recepcionante,e delas receberá o
cajado sagrado,que por sua vez representa a gratidão e
reconhecimento de todos .
Terminada
a cerimonia você deixará o templo sagrado seguido por elas
numa única fila,formando a numeração 489,pois nesse
instante nessa contagem também incluirá você.
Encabeçadas
por você,seguirão até a presença do ser
supremo,que embora não possa vê-lo,devido o alvor de
sua áurea,mas ainda assim -o sentirão queimando suas
almas.Todas serão tidas como batizadas,através da
confirmação batismal,que será conduzida pela pela
plêiade de cerimonial.Uma a uma até que passe
a ultima.
Uma
vez dentro umbral celeste todas almas voltarão a
sua formação original.Mas dessa vez com você no
comando Anjo Menor.Então,com direito conquistado com
sabedoria e perseverança,você assumirá o posto
de líder de almas.Logo em seguida verá que,elas
estarão ordeiramente disposta como antes,mas quanto
ao número de membros,verá que de um
lado terá 245 e do outro 244.Esse acréscimo de um
número neste estágio simboliza que as duas pontas das
fileiras estarão sobre seu comando.
-Puxa!Já
acabou?
-Não.Ainda
não.
-Quanto
tempo os portões permanecerão abertos?
-O
mesmo tempo crescente que os fizeram abrir.Em seguida
virá o declínio desse tempo através de contagem
regressiva,que durará o mesmo tempo,só que
em ordem decrescente.Ou seja,4:horas,8 minutos e 9
segundos.Ele minguará segundo a segundo,enquanto que o
templo por sua vez irá desaparecendo por completo.Ou
até que todos tenham se certificado de sua
grandeza,até as mais ínfimas partículas de
luz.Podem parecerem frágeis,mas não se engane.Tudo
que vem da mão do Pai é poderoso.Não
importando quantidade ou tamanho .Da mesma forma é
sua bondade.Seu amor para conosco .Preveniu-me o
Anjo Maior.
-O
que significa esse número 488?Quero dizer...Por
que 488?
-Isso
é outra história que deverá ser contada em
outros tempos,por outros mestres. Tudo para nós servos
não passa meras divagações no que se refere
aos mistérios divinos.Não sabemos o que pode quer
de nós a vontade do poderoso Pai.Por isso
não posso adiantar nenhum detalhe daquilo que está
além de minha compreensão.
Até
atingirmos o estágio de alfa Anjo
Menor,terá passado tanto tempo que se terá
a impressão de que tal plenitude é inatingível.
VI
Capitulo
ANJO
MAIOR/ANJO MENOR DE VOLTA AOS DESTROÇOS
-O
que será desta pobre alma que você
acaba de usar como disfarce?
-Hoje
mesmo enviarei sua alma ao reino da
glória,atendendo os anseios do Criador.
-Quer
dizer que esse corpo foi sacrificado para
que em troca alcançasse a mansidão eterna?
-É.Essa
é a realidade que mostra o que por
hora testemunhamos.
-Por
que alguém prejudicaria outro alguém sem antes
saber suas reais intenções?
-Você
já viu lobo dar trégua ao
cordeiro? A ave de rapina não se alimenta dos
rastejantes para que sua especie
sobreviva?Entenda uma coisa meu pupilo...Tudo que vê
aqui só existe na tua mente.Nada disso
corresponde com a realidade de uma mente equilibrada.Já que
está travando uma luta particular para
rever isso,permita-se a querer somente
coisas boas.Positivas....Não se prenda e detalhes
e questionamentos infrutíferos.Ao
contrários dessas berrações fantasiosas que
não almejam outra coisa senão a vingança e
o ódio. E o que profundamente contraditório é
que,mesmo sendo perseguido você precisa
se empenhar para salvá-las.Tem que entender
que repudiá-las e transformá-las em seres irrecuperáveis.
Porque o mau que der as essas almas
negras é tudo que precisam para gerar
mais mau...Por isso é que existe essa
perseguição contra você.Todavia,lá no fundo
de suas maldades,elas não passam de
criaturas renegadas e carentes.
E
naquele ínterim a áurea luminosa do
santo Anjo saiu do corpo do morto,revelando seu
aspecto no rosto dele uma satisfação de gratidão ,pelo
beneficio que sua pobre alma alcançou.Pois no que
aquele criatura errante havia se tornado
hospedeira do Anjo do Senhor, ela se tornou
corpo santo e se redimiu de seus pecados
por conta desse detalhe.
Uma
criatura que serviu aquele proposito jamais
poderia ser confinada ao 'Xeol' eterno.
Terminado
o episódio tudo voltou a rotina de sempre.Na
medida dos possível desenvolvia minhas
funções,sem que as criaturas me cobrassem
algum tipo de resultado.Nem os companheiros
de carcere fazia qualquer referencia a
meu respeito.
Em
dias predeterminados eram formadas equipes
responsáveis pela faxina nos pavilhões .Numa delas tive
como companheiro de trabalho um
recém chegado,que para me provocar,fazia tudo
exatamente ao contrario do combinado .Não
podia ignorar que aquela conduta me
dava nos nervos.E seguido com a
faxina,entramos numa repleta de imagens sacras,dispostas
nas prateleiras.Como
estavam irreconhecíveis devido ao excesso de poeira,disse
ao mesmo que as limpassem com
cuidado.De caso pensado para ver qual
seria sua reação.
-Limpa
você estas imagens de barro.Disse de forma
ríspida,enquanto lançou uma delas ao chão e se
afastou demonstrando extrema .
Não
pude negar que seu afastamento me trouxe,ao
contrario dele,satisfação.
Um
comitiva acompanhavam a tropa conferindo o
resultado do serviço.Sendo que um dos
últimos inspecionadores que entrou onde
estávamos era o recompensável por aquele
recinto.No,entanto,o mesmo estava sendo acossado
pela presença incomoda de um detendo,que
de forma insistente cobrava o registro de
um dia trabalho que não havia sido
apontado em seu cartão de pontos.Exatamente o
dia que completaria o fim de sua pena.Já o
responsável afirmava que o mesmo não tinha
direito algum,pois dias trabalhados eram
lançados altimetricamente junto ao cartão de
pontos.
No,entanto,as
justificativas não foram suficientes para
aplacar a fúria do meliante. Pressionado , o
devedor abandonou a inspeção deslizando
túnel abaixo com a ajuda dos cabos do elevador ,indo
se refugiar no térreo do prédio,
junto aos escombros da marcenaria do
presidio.Uma vez lá,deparou-se com um velho detento
babão ,que vivia ali escondido por força de seus desajustes
mentais.Mas sem fazer caso dele o encarregado
passou direto e sentou-se num banquinho junto
a uma fogueira,feita pelo próprio débil.E ali
permaneceu pensativo,enquanto o louco o
encarava,exibindo um sorriso exprimido entre
os lábios ressecados.Mas não demorou e o
cobrador o descobriu refugiado ali,e continuou com
a a inoportuna cobrança.Fez-lhe um apelo
final,tentando convencer seu superior a reparar o
mau entendido,pois tinha esperança de se ver
livre daquele presidio,e o dia que faltava era
justamente o dia que o mesmo lhe cobrava.Todavia,o
encarregado foi taxativo,dizendo:
-Você
não tem direitos adquiridos.Por que continuar com esta
injusta cobrança?
-Então,é
assim...?Disse o preso revoltado,ao passo que
apanhou de entre os dedos do babão um toco
de cigarro em brasa e o lançou à fogueira,provocando
grande explosão,o que levou a arder em chamas a serragem que
se encontrava ali estocada.
-Meus
Deus!Reconheço sua santidade.Posso sentir seu fogo sagrado me
purificando.Desabafou o encarregado,enquanto presenciava os
outros dois indivíduos se derreterem como se
fossem bolas de ceras.
Por
mais absurdas que poderiam ser aquelas manifestações
de discórdias, naquela sena eu havia
percebido três grandes revelações altamente positivas.
Primeira
revelação:a partir do instante em que o
encarregado reconheceu o fogo sagrado como
santo,significa que ele estava sendo conduzido a
salvação.Mas eu não tinha dúvidas que
por detrás da imagem daquele homem fugão estava
o dedo do Anjo Maior.
Segunda
revelação:a fogueira ardia próximo de mim.O fato
de ela estar naquele local indicava que não
havia necessidade de eu ficar estático junto dela
todo tempo,para viabilizar minhas obrigações.Ou seja: o fogo
sagrado me acompanhava e me conduzia onde
houvesse almas necessitando de resgate.
Terceira
e ultima revelação:os que não suportaram o calor
das chamas sagradas não estavam preparados para a
salvação.Ou seja:ainda não havia adquirido sustentação
espiritual para que se vissem livres daquele plano de
ilusão.
Novas
ordens me orientavam que eu fizesse a
limpeza da caldeira em chamas,para que
fossem retirados os restos carbonizados,a fim
de que coubesse mais vitimas com o
surgimento do espaço sobressalente.Mais uma
vez as expectativas se voltaram para mim.Alias
estavam clara para mim que aquela
multidão diabólica não desejava outra coisa
a não ser presenciar meu fracasso.Mas atento
ao inesperado me aproximei lentamente das chamas
que desesperadas tentavam me sugar para
dentro da caldeira.Após relutar por
alguns instantes fui entrando devagar e lá dentro
me espantei com o grande numero de restos
que ali se acumulavam.
Ao
me deslocar dentro do fogo,descobri um
degrau junto ao chaminé,que dava em outro
plano.
Do
lado de fora as feras do mau
acompanhavam-me atentamente,imaginado me ver sofrer.Mas
ao contrario do que imaginavam aos chamas
me acolheram e não me causavam mau algum.Ao me familiarizar
com as altas temperaturas ,resolvi explorar o
interior da caldeira e,no que o fiz,percebi que fui
subindo os degraus junto com a fumaça
que me escoltava.A cada passo que eu dava,imediatamente
surgia outro degrau a minha frente para eu
pisar,como se fosse escada rolante.E fui
subindo,subindo...Até que cheguei ao patamar.E uma
vez nele observei a volta antes de seguir
adiante e,nisso percebi que eu acabava de
alcançar uma nova dimensão.O velho plano havia
ficado para trás.Minha expectativa era que,ali
talvez as coisas poderiam serem mais favoráveis a
minha busca.
VII
Capitulo
O
ANJO MENOR E AS SENHORAS DE VESTIDOS BRANCOS DO CONTINENTE AFRICANO
Assim
que deixei aquele plano medonho as chamas
na caldeira se acalmaram.Até aquele instante não havia
percebido a ligação entre o novo plano e o antigo,onde
havia estado por tanto tempo.Ali havia grandes
expectativas no sentido de progresso que corroboravam para o
pleno sucesso de minha evolução.
Num
levamento preliminar notei que me encontrava num mundo
de planícies áridas.Embora a aridez se mesclava entre
cores e vida.Diferente do mundo tenebroso onde antes me encontrava.Apesar
da aridez a planície revelava um imenso tapete terrestre
salpicado com mesas e cadeiras brancas,e,sentadas nelas ao
redor das mesas,centenas de velhinhas do Continente
africano,jogando cartas, alegres e felizes.
Ao
me aproximar perguntei a uma delas se
ali seria de fato o continente africano.Ela por sua vez,demostrando
doçura respondeu-me que sim,e se calou,voltando a atenção ao
que estava fazendo.
Apos
a confirmação positiva me afastei da presença das
nobres senhoras que entre fartos sorrisos rodavam seus
vestidos bancos no compasso da dança ,enquanto viam-me
partir continente a fora.
Para
não me perder naquele vasto continente segui o curso de um
lago,onde suas águas se mantinham encobertas por
denso nevoeiro. Entre uma raliação e outra do
nevoeiro ,vi na margem oposta o vulto de um individuo de aparência suspeita,que
falava pelos cotovelos .A intenção dele era me ofender,agredindo me com
palavras de baixo calão.Todavia,antes que eu perdesse o controle e
partisse para o ataque,fui envolto por uma áurea luminosa que
me acompanhava passo a passo.O que deixou-me relativamente
calmo.Embora continuasse ouvindo ofensas proferidas contra mim e
a plêiade de iluminados do céu,por parte daquele individuo
desconhecido:
-Vocês
são todos uma farsa.Pensam que não sei que já fracassaram
em outras expedições.
Evidente
que não sabia do que estava falando.A intenção era macular a imagem
dos Domínios através do mecanismo da blasfemea.
-E
você 214,achava que pode superar todas as dificuldades que virão pela frente?
-Posso
sim inimigo da justiça e da verdade.Quem semeia esses dons
sagrados,deles se valem quando vir a colheita de seus frutos.Além
de pulso forte para vencer sempre.No que disse isso levantei
meu braço direito com a mão espalmada e dela saiu
um poderoso foco de luz que atingiu em cheio o peito do
caluniador,que ao se vir atacado se misturou na
penumbra,sumindo do meu raio de ação, aparecendo minutos
depois bem a frente.Mas ainda assim
continuava tecendo sua teia venenosa contra
os Querubins.De repente mudei
de tática e preferir me aproximar dele
usando o dialogo,em busca de entendimento:
-Que
é você?Porque tanto empenho em nos ofender-nos,com
tantos xingamentos?Enquanto falava tentei me
aproximar do mesmo,mas o nevoeiro se intensificou,ao
passo que o mesmo desapareceu sem dizer
coisa alguma....
Adiante
avistei um pequeno lago,e disse a minha áurea:
-Vou
atrás dele e o alcanço quando menos esperar.Quero
colocar as coisas em pratos limpos.Se tudo der
certo,ainda nos veremos frente a frente.
-Não
prefere ir voando?
-Esqueceu
que não consigo alçar voos aqui?
-Àh,sim...
Todavia,ao
se aproximar do lago onde supostamente o individuo apareceria de
novo,um inimigo do alheio que se encontrava a espreita o
alertou que eu havia arquitetado um plano
para capturá-lo no lago pequeno,antes que a fumaça
o envolvesse.
Depois
disso tornei a vê-lo se embrenhado num matagal
de aspecto sombrio,e sem oferecer
resistência desapareceu.No que o fez,fazia questão
de que eu o visse se lançando para dentro de um
foço escuro,exibindo uma valise debaixo do
braço,dando a entender que dentro dela teria algo
valioso que me interessaria.
Surpreso
com a atitude,me mantive pensativo por alguns segundos,e,quando
dei por mim,me vi só mais uma
vez.Minha áurea protetora também havia partido
sem avisar.
No
instante que me encontrava envolvido no combate,eu
me envolvia tanto que minhas
emoções fincavam num segundo plano.Porém,quando
tudo se acalmava,me sentia solitário e abandonado.Embora
o Anjo Maior tivesse prevenido-o,que forças ocultas
faria de tudo para entristecê-lo e ao mesmo
tempo desconcentrá-lo.
As
anciãs já não estavam por perto nem
minha áurea de filetes azulados.Por isso,por me
encontrar no comando de meu destino,assim de
supetão,manifestei o desejo de vagar pela planície,sem
saber onde meu devaneio poderia me levar.
Não
estabeleci nenhuma metas,uma vez que não
tinha ideia que rumo deveria seguir.Enquanto
as duvidas fervilhavam em minha mente,marchei
de perto aberto rumo ao desconhecido.
VIII Capítulo
DE UM CONTINENTE A OUTRO NO INCRÍVEL CARRO QUE VOAVA
Encontrava-me vagando por uma estrada deserta observando de longe o aspecto fúnebre de um lago,cujo as águas apresentava um aspecto terrivelmente nebuloso.De repente fui abordado por uma viatura militar,cujo o chofer me ofereceu uma carona.Queria ter podido dizer não,mas como tal condutor demonstrava respeito aos eleitos,acabei por aceitar.No que entrei no carro,perguntou:
-Para
onde está indo?
De
inicio me fiz de ouvidos mocos.Não respondi nada.Estava
observando tudo atentamente a minha volta.Não queria me distrair.Queria
ter certeza se aquela cortesia era de fato uma gentileza ou uma
armadilha .
-Não
quer responder não responda.Fique tranquilo estou aqui para
ajudá-lo.Você está querendo tomar a direção do
velho continente ,não é?
No
que ia ouvindo aquelas falas,também ia
reorganizando minhas ideias,a fim de dar-lhe uma
resposta conclusiva sobre minha estada ali e de quebra colocar um fim
naquela conversa.Por mais que acreditasse que aquele individuo
havia vindo do plano superior para me auxiliar.
Não
queria falar.Só pensar...Analisar...E pronto.Não queria
saber de nada a não ser de mim,de meus objetivos,minhas
ideias,em fim,minha atenção estava toda voltada para meus
objetivos.Embora o estranho demonstrava saber muito a meu
respeito.Aquilo de certa forma me causava apreensão.Mais do que ele
poderia imaginar.
''Esse
lugar está parecendo a Asia!Ou Europa?A Oceania?''Indagava-me
em silencio junto a meus pensamentos.Contudo,se assim o
for,estou infinitamente distante da America do Sul.Esta parte
do globo,era pressentida por mim numa vaga lembrança
de um possível doce lar.
Minha
desconfiança era natural ,pois num plano estranho
onde todos desconfiavam de todos,confiar seria dar um passo
em falso na direção da imprudência.
Deslocando
em alta velocidade,logo atingimos um local de edificações
monumentais,as margens de uma rodovia.De maneira saudosa contemplei
aquelas imagens de rara beleza. A saudade me
apertava o peito,lembrando de um tempo magico em que
não lembrava ter vivido.
De
repente:
-Se
pretende chegar ao velho continente,seguindo a pista
da esquerda irá economizar 15 quilômetros 214.
No
que ouvi a expressão esquerda,e o numeral 214,meu
instinto de prudencia fez:Plinnn!Ainda assim,continuei ouvindo
atentamente as sugestões daquele bom samaritano sem
tecer qualquer tipo de opinião.Afinal de conta
ele era senhor de sua ações.
Sete
casas enfileiradas ordeiramente uma ao lado da outra chamou-me a
atenção de maneira peculiar.
Seus
aspectos angelicais denotavam traços de incontestável
ternura. Pressenti algo divino no ar!
Então,vislumbrado
com tanta magia,perguntei ao condutor porque aquelas
edificações pareciam tão distintas umas das outras e ao
mesmo tempo pareciam tão iguais,tão intimas umas das
outras.
-Aí
vivem os sete Arcanjos.E se calou.
Dali
em diante passei a contemplá-las ainda mais e
não demorou para eu perceber que as mesmas
flutuavam sob o solo ao invés de se apoiar nele.
Por
um instante tive vontade de perguntá-lo se aquele
local não deveria ser o local onde eu deveria estar como
mais frequência.Porém,sem esquecer que minha presença
seria imprescindível lá junto ao reduto
dos fracos e dos oprimidos.Mas me contive porque lá no
fundo sabia que ainda não me encontrava preparado para fazer
parte diariamente do convívio dos
eleitos.Conformei-me...Sabia que sempre estive perto dos meus
lideres benfeitores.Andei com eles lado a lado sem
se quer os conhecer pessoalmente.Minha empolgação foi
tanta que mesmo deixando tudo aquilo para
trás,continuei olhando tudo com muita atenção mesmo de
longe.Mas logo dei voz a arasão,ao ver que aquela
atitude era mesquinha de minha parte em se tratando dos
eleitos.Eu não merecia estar ali.Minha incumbência era
outra.Eu tinha que evoluir.
Em
face da ambição desenfreada,achei por bem abortar
aqueles desejos mesquinhos.Sabia que a cobiça era
vista como uma das formas mais pecaminosas de quebra
das regras angelicais,que um eleito poderia se submeter
,aos olhos atentos das rígidas regras dos
Arcanjos.Assim deixei tudo para trás,enquanto o veiculo
que nos conduziam imprimia velocidade
cada vez mais veloz e contante.
Aquela
lembrança ficaria gravada em minha mente para
sempre.Quem sensação maravilhosa eu sentia cada
vez que lembrava das imponentes mansões
celestiais.
Suas
cores vivas com detalhes verdes nos vidros
frontais de suas janelas ,resplandeciam filetes
reluzentes de maravilha incontentável.
Estava-me
sentido extremamente feliz,pois
raramente alguém poderia ver de tão perto beleza tão
singular.
Uma
pista a direita adiante indicava que era chegado o momento
dos dois viajantes do tempo se separarem. Eu por
minha vez me encontrava tão envolvido com a beleza das
casas iluminadas,que me esqueci do motorista.Quando tornei minha
atenção para o mesmo,dei de cara com o banco
vazio.Havia ido embora sem se despedir.
Sem
o condutor,ainda assim o
automóvel desenvolvia velocidade supersônica,já que
naquela ocasião não mais rodava sobre a pista,mas voava
no espaço a toda velocidade.Daquele momento em
diante o belo seria
contemplado do alto.De qualquer forma,mesmo
estando a deriva,reconheci que tinha que ser grato por aquela
corona.
Mas
e agora?Quem garantiria que aquele carro nave não estava me
levando de volta ao presidio?
Uma
coisa era certa.Aquele individuo disfarçado de motorista conhecia
meus hábitos muito bem...Do contrario , porque me trataria
pela alcunha de 214 com tanta intimidade?
IX Capítulo
UM HANGAR COM UM SILO REPLETO DE BOLINHOS DE CHUVA
Algum tempo depois pousei num chapadão de dimensões tridimensionais.Uma planura só , onde as coisas sumiam de vista sem encontrar qualquer obstaculo pela frente.Um vento maroto revirava a poeira como se quisesse que ela me reverenciasse.
A
distancia um senhor misterioso fez as honras
do recebimento de muito bom grado.Expressão
amigável e tranquila.Entre meio ao entusiasmo
notei que o mesmo fazia rasgados elogios
ao seu hangar,ao passo que, com
tranquilidade se aproximava de mim,e,uma vez perto,disse:
-Não
lhe convêm viajar pelo universo e por onde andar,não
fazer amigos e não deixar uma boa impressão
de seu inesquecível rastro de paz.E sorriu.
-Aprecio
sua hospitalidade meu bom senhor.
-Isso
é mérito seu...Acompanhe-me.
E
seguida seguimos na direção de um funil feito
de zinco,cuja escada lateral apontava
na direção do firmamento.Na mesma marcha que
veio,sem perder o ritmo, o caridoso amigo subiu degrau
por degrau até atingir o sétimo.Eu,por minha vez fui
precavido.Não fui com tanta sede ao pote.Mas na verdade devo
dizer que não o acompanhei , não foi por outro motivo,senão
a fobia de alturas.
Senti-me
aliviado no que ele abriu uma portinhola no sétimo andar,e
disse:
-Suba
até aqui! Pegue estas guloseimas e as distribuas
por onde andar.Elas simbolizam a amizade.
-Como
pode ser?São apenas bolinhos!Retruquei aliviado por não
ter que subir mais aqueles milhares de degraus.
-Não
é não.Não são simples bolinhos.Isto
é manjar dos céus.
Quando
ele disse manjar,ouve um grande frenesi de
criaturas invisíveis correndo pra lá e pra cá,de forma
atabalhoada,como se o nome manjar,fosse uma especie de código
que denunciava que o estoque estivesse sendo violado.
De
repente:
-Acalmem-se!Ele
é um viajante do tempo que está de passagem.Ele precisa do
passaporte para seguir adiante.Não representa nenhum perigo
para nós.
E
num estalo de dedos a euforia serenou,como se apenas o silencio o
reinasse naquele lugar, aos olhos de quem chegasse.
Embora
estivesse ali de passagem,senti que todos me tratavam
com grande respeito e consideração.
Já
de saída, ouvi atentamente os conselhos do nobreza
anfitrião do hangar que,naquela oportunidade começava a
ser consumido por densa poeira vermelha.Conforme foi aumentando,não
resisti,e perguntei:
-Por
que aqui tem tanta poeira e do lado de lá
do lago só neblina,cerração,umidade...?
-Não
percebe a diferença entre esse dois fenômenos 214?
-Não.Como
poderia perceber?
-É
de lá que retiramos matéria prima para
fazer os bolinhos de chuva,que encheu o silo,para que
hoje você estivesse aqui para apanhá-los.
-Não
entendo.Como pode ser?
-Eu
explico...Você não perseguiu um servidor das trevas
que,ao fugir,jogou fora uma valise dentro do lago
dos enganos?
-Disse,lago
dos enganos!
-Sim.Disse.
-Ah!Esse
nome não me é estranho.
-Certo.Como
eu dizia...A função daquele individuo
é destruir os laços de amizade que você forma por
onde passa,para que a discórdia permaneça reinando.Lembra
quando brinquei dizendo que não lhe convém andar
por todo lado e não estabelecer a paz?Ela não
se estabelece por conta da ação desses agentes malignos
que corrompem as criaturas e as escravizam para que
a ilusão e falta de esperança as dominem.Aí não haverá
paz e nem harmonia.
-Esses
laços são simbolizados por esses bolinhos
de chuva ?
-São
sim.Felizmente estamos aqui a séculos nesse vale
empoeirado,recuperando o que nos pertence que
passa boiando nessa águas mortas.
-Afinal
de contas meu bom ancião....Quem são vocês?Há que
reino pertencem?Porque forças malignas tomam seus pertences
e os lançam nestas águas poluídas de aspecto
fúnebre,achando que vão destruí-los?
-O
que posso dizer meu senhor,é que somos seus humildes
servos.Falou o nobre ancião,ao passo que se curvou
aos meus pés.
-Como
assim meus servos?Você me chamou de 214,e quem
me chama assim são os inimigos do alheio.E essa
poeira...?Como os eleitos podem viver
num ambientante tão conturbado?
-Bom...Já
que meu senhor é senhor do bem,segundo nossas
ações,tire suas conclusões e saberá quem
somos,e a que reino pertencemos e
servimos.Quanto a chamá-lo por esse nome,estava apenas descontraindo....Brincando
um pouco.
-O
reino da paz celestial!Mas,e essa imundice de
poeira?
-Essa
poeira não é o que parece ser meu senhor.Onde o
senhor vê poeira,vejo milhares de anjos que voam
incansavelmente ao redor desse silo a fim de
proteger nosso estoque.Para quem chega,a unica coisa
que vê é poeira.Esse é nosso segredo.Meu
senhor não os viu na forma de
anjos,mas os sentiram.Não vem ao caso vê-los e
se familiarizarem com eles,pois o meu
bom mestre está de passagem.
Agora
quanto ao individuo que portava o que não lhe
pertencia...Ele apoderou-se dos antídotos da paz universal
quando você cochilou lá no serviço,junto
aos texugos do reino tirano.
Lembra disso? Por isso é que ele lhe ofendia tanto
junto ao lago das sombras.Você não sabia porque
estava ali,mas ele sabia que você estava ali com
a incumbência de recuperar esse material e
trazê-lo para nós.
-Então
falhei na minha missão?
-Não,não.Não
falhou.No que se viu perseguido se livrou
da valise pesando que estava praticando um grande mau,mas na
verdade estava agindo conforme nós queríamos.
Esqueceu que disse que retiramos o que é
nosso que passa boiando nessas águas imundas e tristes?
-Como
o Pai é perfeito!Usa-nos como instrumentos em suas mãos
e nem percebemos que ele está nos usando!Então,é com esse
antidoto que se faz os bolinhos de chuva ou os bolinhos
da paz universal?
-É
sim.
-Mas
foi só um cochilo?
-Um
cochilo....Um vacilo é tudo que o mau
precisa para desestabilizar o bem.
-Para
nós e nossos perseguidores meu senhor,o tempo
por mais insignificante que seja é tudo que precisamos para
praticar o bem ou o mau. Depende de qual camisa se
viste:se é a da paz ou da guerra.No instante
em que estamos aqui,noutro nos encontramos nas mãos do
destino que nos conduzirá para lá...Apontou ele na
direção do firmamento enquanto falava.
A
única coisa que nos difere dos outros é
nossa condição de eleitos,é ter consciência de que
jamais podemos vacilar.No resto,somos apenas instrumentos nas
mãos de quem servimos.
-Vacilar!Já
ouvi essa expressão antes.
-Tenho
certeza que sim.
Dali
a pouco fui me afastando na direção de um
chapadão que dava impressão de ser um grande aeroporto.Enquanto
andava,aliviado por poder estar ali,tranquilo,em segurança,comecei
admitir que talvez o tempo das grandes contendas
estivessem ficado para trás.No,entanto,as duvidas não me
deixavam me animar tanto.Por exemplo:como poderia estar livre dos
grandes combates se não havia completado minha missão
de resgate das almas? O Anjo Maior havia dito que elas
estavam espalhadas por diferentes prisões ,em regiões
diferentes do meu inconsciente.
Não
demorou para eu cair na real
e compreender que,ali havia certa paz,o que não
poderia se dizer do restante da missão.
Acuado
numa espécie de paranoia particular,me esqueci que
todas as duvidas que poderia advir daquela missão ,já
havia sido objeto de entendimento entre eu e o
Anjo Maior.Consciente disso me senti fortalecido para seguir
adiante sem grandes ilusões na mente,pronto para seguir com
confiança o rumo que meu destino apontasse.
X
Capitulo
ACOADO
PELO ANDARILHO E A MULHER GORDA
Dali
segui meu itinerário sem tomar transporte algum. Em
minha mente os questionamentos anteriores não
passavam de lembranças vagas, como se fossem grãos de areia
levado pelo vento,e se foram sem deixar lembrança alguma.
De
repente:
-Você
viu falar do fugitivo? Perguntou um andarilho que se aproximou
de mim pelas costas sem que eu o visse.
-Não,não
vi não.Era verdade que não poderia omitir minha familiaridade
em relação ao termo(fugitivo).Para todos efeitos minha
condição anterior fazia com que me encaixasse ao padrão
de procurado.Embora fosse de forma injusta,contra minha vontade.Resolvi
não dá lastro ao assunto.
Volta
e meia olhava para trás na esperança de ver a
imagem distante do rosto do senhor do Hagar.Mas logo retomava
minha caminhada,seguindo a passos largos rumo ao
desconhecido.
Do
lado o andarilho se mantinha calado,enquanto
trotava para acompanhar minhas passadas rápidas e
vigorosas.Embora sua presença não me importunasse.Não eramos
amigos...E alem do quê,o que poderia aquele individuo
maltrapilho fazer contra mim?Porém,sua teimosia me seguir-me
não fazia nenhum sentido.
Dali
a pouco:
-Olha
lá!É o individuo que fugiu.Disse o
indesejável anfitrião me cutucando com o
cotovelo.Enquanto o outro braço apontava na direção
de um sujeito que do nada apareceu em nossa
frente.
Num
primeiro momento dei uma
olhada rápida e segui em frente,uma vez
que meu compromisso ali estava longe de
ser perseguidor de fujões rebelados.No,entanto,sem
que desejasse,acabei me aproximando do fujão.Fui
atraído de alguma forma para junto dele.
Num
ato ainda mais vacilante entramos os três num
casebre abandonado que lembrava muito ao que era habitado pelos
cães sarnentos e pulgas asquerosas, lá no
cubículo onde estive no presídio.
No
que entramos o suposto fugitivo se manteve calado,enquanto me olhava
fixamente.De certo desconfiando de que eu poderia
ter feito algo para prejudicá-lo.O que não era verdade.
Em
seguida subimos os degraus corroídos de uma escada, consumidos por
cupins,que dava acesso a outro comodo do casebre.Inadvertidamente,acabei
entrando primeiro.Naquele ínterim o andarilho apontou para
mim,e disse:
-Foi
ele quem te delatou.
O
fugitivo então se irritou e lançou-se
contra mim,me atacando com golpes de caratê.Logo vi que
ele sabia lutar e eu estava em pagos de aranhas,uma vez
que nem sabia como me defender de tal ataque.
O
comparsa saiu correndo, trancou a porta por fora,deixando-nos a sós
no preludio do combate. E com a deixa o agressor
partiu para o ataque,mas como seus golpes não tinham qualquer
efeito contra mim,mudou de estrategia e preferiu o dialogo,dizendo:
-Por
que você só se defende e não contra ataca?
-Não
sou quem você pensa que sou...Não pertenço
a esse plano.Alem do quê,não vejo virtude alguma
na violência.Não traz solução a nada,a não ser gerar
mais violência.E outra:se porventura fosse revidar ,você
seria destruído no ato,pois o poder que meu Pai me
delegou,por ser imenso,te resumiria em fragalhos num estalo de
dedos.Mas pertenço a um plano evoluído que
está alem de suas pretensões diabólicas.
-Há!Já
ouvi falar de você! Você é o prisioneiro que ganhou a
marca de 214 como nome!
-Ó,não
parem...Estava gostando tando do jeito como lutavam!Disse uma mulher
gorda que,enquanto falava, se esforçava para sair de dentro
do forno de um fogão velho enferrujado,ao quê ela chamava de
seu lar.
O
agressor por sua vez olhou nos olhos dela acanhado e ao
sair com rispidez bateu a porta com força,demonstrando
desapontamento ao vê-la.
Também
não fiz caso da obesa e saí para fora.Uma vez lá
não vi nenhum vestígio dos que antes tentaram
me incriminar.Sumiram.
Ao
me vir fora daquele contra tempo retomei minha
rotina diária e,em busca do desconhecido me pus a
andar,resmungando:
-Que
coisa estranha!Todo lado que se vai é
violência,miséria,abominações....
-É
para consertar essas coisas que está aqui Anjo Menor.Disse uma voz
angelical junto ao meu ouvido.E nisso um clarão me envolveu.Era
minha áurea reluzente que havia voltado.No que ia
sendo envolvido como uma ninfa no casulo, a voz divina, repetia:
-Descane!
Dali
em diante adormeci no sono dos anjos,embalados pelos querubins.
XI
Capitulo
214 E OS TRÊS SUSPEITOS DA ENCRUZILHADA
Após despertar do meu sonho prazeroso,fui abordado por três indivíduos,que me forçaram a observá-los atentamente devido sua postura um quanto curiosa,que se postavam esperando por mim numa encruzilhada.
Um
deles,para ser especifico,uma senhora,andava pra lá e pra cá em
atitude suspeita,na dita encruzilhada,dando ordens a dois
jovens,que pela omissão que
ambos demonstravam em relação a ela, ficava
claro que a mesma era uma especie de chefe deles.Eles a
obedeciam sem questionamentos algum,ao passo que
manuseavam uma grande folha de papiro ,que ao colocá-lá
junto a chão,se separava em três partes iguais.
Naquele
instante ao reconhecer a folha de papiro,lembrei-me do curso
de Teologia lá do IFITEGO
Em
seguida os três se agacharam ao redor das partes
das folha,e a senhora que andava de forma
cambaleante os ensinavam como dobrá-la.De
forma que,cada uma delas se transformassem
em ágeis sapinhos verdes.Depois,antes de se
retirar,entregou a um dos jovens ,um objeto ponte agudo,dizendo que
tal inguento seria a formula que ensinava
fazer aquele estranho artesanato.
Ele
, por sua vez , ficou tremendamente impressionado,ao
descobrir que,quando o objeto tocou sua mão se
transformou num insignificante pedaço de imã.E pregado nele dezenas de
alfinetes.
De
repente...Assustado, disse:
-Vou
jogar essa mandinga fora.Andou até um
riacho próximo e lançou o tal artefato na água.
-Não!
Não faça isso!Implorou o segundo jovem.Mas já era
tarde.
Ao
ver o desfecho daquele estranho episódio não
fiquei para ver que tipo
de consequência tal atitude acarretaria.Deixei-os
olhando um para outro com cara de espanto.
Quase
sempre quando me envolvia nalgum episodio,em
seguida procurava um lugar para descaçar e repor
as energias.Quase sempre casebres abandonados as
margens da estrada.
Numa
ocasião,em que me encontrava descansando,fui surpreendido por
dois velhinhos,que insatisfeitos um com outro
discutiam a coloradamente. Um deles reivindicava o direito de enfeitar o
lago da forma como sempre fazia ,dizendo:
-Todos
os anos você está cansado de saber
que sou eu quem enfeito as águas.
O
estranho para mim,foi que,acharam
de discutir ali,onde me encontrava descansando.
Pelas
frestas das tábuas eu os observa de cócoras lá fora,de
frente um para travados na briga.
No,entanto,dali
não dava para ver o motivo da discussão,no caso
o lago.De repente o casebre se transformou numa
lancha e mansamente começou a flutuar sobre as águas.
-Estou
sobre o lago?Balbuciei raivoso.
Nuns
galhos que emergiam estavam os tais enfeites causador da
discórdia entre ambos.
No
que pensei em abandonar o barco,ele assumiu
sua forma original de casebre,causando espanto aos velhinhos
que não sabiam que tinha alguém no seu
interior.
Dali
a pouco um dos briguentos disparou:
-Epa!Enquanto discutíamos acordamos
um percador.
-Não
me acordaram não.Já estou de saída.Outra coisa:não
sou pescador não.Preciso ir.
No
quê retomei o curso de minha jornada,lembrei
que aquele descanso havia sido proporcionado por
minha áurea generosa.Ao lembrar fiquei feliz
e me senti revigorado.E assim,quanto mais o tempo passava
mais distante do carcere me sentia.Porem,com uma
agravante significativo.Naquele estágio continuava
salvando almas longe dos carceres imundos e sujos,mas
bem próximo do mundo real.
Volta
e meia me via as voltas com seres aparentemente normais
que se divertiam a me verem ou ficavam
gratas por serem ajudadas.
Todavia,tudo
que me mostravam ou partilhavam comigo,acabava
dando algum tipo de problema instantaneamente.
Aquele
ambiente em si não era igual a uma prisão,mas lá no
fundo os seres estavam carregados de energias negativas,que
fazia com
que trabalhassem involuntariamente para
si mesmos,lhes acarretando prejuízos nos seus bens
materiais,emocionais e espirituais.
Com
intuito de combater tal fenômeno,comecei observar
as minúcias nos movimentos das coisas por onde eu passava.
Naquela faze os obstáculos eram muito
subjetivos.Não eram concretos, reais como
no presidio onde se via maldade por todo lado.Não havia
muros ou grades que os dividissem.Mas havia forte
possibilidades de as almas estarem presas dentro
do próprio ser.Ou seja,nas cadeias da alma.E
como se dava isso?Através das reações
involuntária do ser,que ,por falta de perspectivas de
vida,colocavam suas vidas vidas e bens nas mãos enganadoras do mau que aos
poucos as destruíam,sem que se dessem conta que
agindo assim estariam favorecendo a ação do maligno
em suas vidas.
XII Capitulo
214 E OS TORTUOSOS CAMINHOS DA LAGOSTA VOADORA
Vagando por mais caminhos tortuosos,alimentei a ideia de me aproximar de um modesto povoado,onde constatei a movimentação de seres no interior de um mercadinho de característica popular,que fazia questão de exibir em suas prateleiras produtos dos mais variados gêneros entre comuns e exóticos.
Ziguezagueei
pra lá e pra cá esbarrando nos
frequentadores analisando do ambiente.
De
repente impressionei-me com algo que se movia
dentro de um recipiente transparente encima do
balcão,e perguntei a atendente:
-
O que é isso?
-Uma
lagosta voadora!
-Lagosta
voadora!Nunca soube que poderia existir tal espécime.
-Pode
olhar de perto.Ela não morde!É linda não,é?Tornou
com tom do voz meigo,contemplando a beleza
exótica do animal.
-Quanto
custa?
-214 folhinhas
verdes.
-Folhinhas!?
Choraminguei...
-Cuidado
para não abrir essa vasilha.
-Até
nesse plano as criaturas fazem uso da moeda vegetal? No quê
ouvi sobre as tais folhinhas percebi que forças
estranhas também atuavam ali.De forma discreta mais
atuavam.Ou pelo menos se postavam com cara de anjo,mas ao
mesmo tampo com coração de leão.
Desconfiado
dei de costas para o balcão.No que o fiz o recipiente se
abriu sem que eu
o tocasse. Pressentido o ocorrido a amável
atendente se virou no ato e nisso assistimos o voo do
raro animalzinho que
zarpou
dali e pousou dentro de uma densa
vegetação.O que me fez lembrar da plantação
de amoras lá do presido instintivamente,onde havia sido
travado combate mortal entre fugitivos e
seguranças anteriormente.
Sem
chão, olhei para a mocinha cujos olhos marejavam
devido o infausto ocorrido.
Afim
de confortá-la,retruquei:
-Não
se preocupe!Vou recuperá-la.Procurei tranquilizá-la
enquanto enxugava suas lágrimas.Não será difícil...
Prometo. Afinal de contas ao afirmar a sentença
estava contando que minha busca fosse facilitada devido
as cores reluzentes do raro
espécime marinho.Sabia que elas
a denunciavam onde estivesse.Portanto,esconder
seria difícil devido a tão grande profusão de cores.
Depois,
refletindo, tive a impressão de quê devido meu
envolvimento anterior junto a vegetação,tal acontecimento
poderia muito bem ser outra armação para me incriminar.Mas
não dei credito a especulação e saí com pressa atras
da lagosta que flutuava daqui
e dali,desviando dos galhos das plantas
em altíssima velocidade.Todavia,quanto mais me aproximava
mais rápido se deslocava dificultando o resgate.Era como
se ela fosse algum tipo de referencia que me levaria a algum
lugar em especial.De repente temi perdê-la,pois quanto mais o
tempo passava mais cansado me sentia.Porém, no que
ia sendo vencido pelo cansaço,numa mudança de jogo
inesperada,me vi em perseguição não mais a pé,mas
abordo de um transporte que flutuava,cujo aspecto lembrava
muito o extinto anhanguera,ave pre-histórica que reinou absoluta
nos longínquos tempos jurássicos.Porém,sua imagem
se mesclava com uma inconfundível estrutura metálica.
Saí
da vegetação e a segui em perseguição numa planície salpicada de
pedras sabão e pedras cristais. Estas ultimas se conservavam com
cortes afiadíssimos,cortantes como navalha.Em velocidade deixei
a planície para trás e rapidamente cheguei a um vale rodeado
de penhascos de paredes praticamente insuperáveis. E foi no pico
de um deles que a lagosta pousou,atendendo aos apupos de
uma plateia inflamada que a incentivava.
Falei
baixinho:
-Ela
está me desafiando. Mas no quê acalentei a possibilidade de apanhá-la,fui
lançado de volta como um
projétil de catapulta automaticamente até o vale das
rochas.Andei para trás...'Como pode ocorrer tal fenômeno.'Pensei.
No,entanto,ao
me preparar para superar as pedras cortantes ouvi gritos
de incentivos que também vinham do alto do penhasco.No que
parei para prestar atenção ao burburinho,presenciei a lagosta fujona se
inflando,inflando,inflando....Como se fosse um balão...De repente
transformou-se num enorme templo reluzente.Imagem vista de longe
devido suas abundantes cores.Quem o via a distancia era impossível não
se encantar com suas
imponentes escadarias lagostais.
A
mim o que restava era escalar aquilo tudo de novo na unha,já que
meu transporte não estava mais ali.Sumiu.
Comecei
minha sina ouvindo o coro de incentivos que repetia sem parar:
-Vai,vai,vai!!!
Porém,
enquanto ia ouvindo os incentivos ,procurei minhas forças e não as
encontrei.Tornei-me terrivelmente debilitado.Uma fraqueza de
dar dó.Aquilo justificava o apoio que segundos antes
fiquei surpreso em receber.Aquelas vozes
sabiam de ante mão que ia precisar dele.Mas
porque rasão estariam torcendo por mim?
E
nisso o cansaço tomou conta do meu ser.E para
poder me locomover me apoiava nas pedras cristais.Porem,no que as
tocava seu corte afiado cortava fundo minhas mãos.Então,resolvi me apoiar nas
pedras sabão,mas ao tocá-las,quando não derretiam,escorregavam
como quiabo.Minha perseguição havia atingido um ponto critico.Quando
já não estava mais aguentando surgiu ao meu lado
a imagem da moça do estabelecimento que para me incentivar,dizia:
-Vai
em frente.Você triunfará sempre porque luta
pela redenção dos excluídos.Em seguida planou sobre
os obstáculos daquele terreno maldito e foi embora.
Então,respirei
fundo e fixei o olhar na direção do templo
e sem olhar onde pisava fui adiante.Quanto
aos incentivos da plateia já não sabia se
estavam a meu favor ou se ainda faziam festa
somente no entusiasmo de presenciar o que ocorreria
lá no alto do cume.Mas não me prendi aquilo.Pelo
sim,pelo não,fui a luta sem me deixar levar pelas
duvidas.
Todavia
meus pés e mãos estavam em chagas
vivas.Mas ao ver meus membros desfigurados e meu
sangue angelical jorrando em profusão na direção do
chão pagão,não me assustei tanto, devido a
milagrosa intervenção da poderosa pedra sabão.Percebi
que ao tocá-lá já não se derretia e
nem escorregava,mas cicatrizava o corte feito pelas
pedras cristais.Assim fui naquele vai e vem
constante.Uma corta e a outra cicatrizava e foi assim até
superar aquele poderoso desafio.Quando
atingi as alturas me certifiquei que realmente os aplausos
eram para mim,mas com um detalhe:a plateia
era invisível.
Dali
a pouco fui convidado por um senhor
de túnica branca e barbas longas e alvas a juntar
se ele junto a um curioso parlatório,dizendo:
-Venha
214.Não temos muito tempo para lhe
entregar o premio.
-Premio?Que
premio é esse?
-Ora!O
que recebe o vencedor de nosso concurso,ué! De tempos
em tempos promovemos o concurso da lagosta
encantada.Ganha quem conseguir persegui-lá até o
cume dessas montanhas.Nunca ninguém havia
conquistado tal feito de superar essas rochas mágicas,mas hoje esse
enigma foi posto por terra.
-Quer
dizer que tudo isso faz parte de um simples concurso
que visa me meter em mais sofrimentos?
-Não
meu bom jovem de luz.Não é sofrimento não,mas
purificação.Disse confiante o ancião e continuou...Tenho
certeza Anjo Menor,que não se esqueceu do
numero de almas que deve salvar.
-Não.Não
esqueci não. E alias,como o senhor sabe desses
mistérios?
-Não
ha nada de misterioso nisso meu bom jovem,desde que
você a muito tempo entendeu
as estranhezas dessa busca,de sua peregrinação,e
sabiamente quais seriam os instrumentos que estaria a seu
dispor afim de que pudesse chegar ao seu final
com sucesso.Sou apenas mais um desses instrumentos
que aqui está para lhe dar apoio nessa
caminhada.O resto tudo mais você já sabe.
-Ah,sim!Como
sei.Peregrinação! E a história que não entendi direito
quando o Anjo Maior me explicou,com relação as 488
almas do império maligno.Então,é verdade?
Apos essa caminhada estou convencido de
que não as resgataria somente lá no presidio.Conclui convicto
de que estava no caminho certo.Ou aqui não
existem almas a serem salvas?
-Não
existem?Você esqueceu do que te disse sobre
ninguém nunca ter superado o vale dos
enganos? Sobre ninguém nunca ter conquistado tal proeza?Olha
sua volta orgulhoso pupilo.Vê o cenário
que superou?Não é fácil derrotar esses
obstáculos tão poderosos e você superou.
-Não,não
é fácil.Retruquei pasmado quando vi que naquele
momento estávamos pisando as misticas terras
galileias. A terra do Criador!
-Surpreso?
-Um
pouco.
-Anjo
Menor...Não vê que mais uma etapa de sua batalha foi
superada?Durante anos permaneci aqui presenciando o
sofrimento de criaturas desavisadas que,sem o devido
preparo,insistiam em visitar o povoado e sem
saber do risco que corriam eram conduzidos até
o reino das rochas e por fim ao lago dos
desenganos,até que finalmente você fosse enviado
para libertar a todos.
-Um
momento...O senhor se parece muito com Moisés.Aquele que
guiou o povo de Deus pelo deserto do Sinai.Só
que mais novo.Como se chama?De onde vem?
-No
reino do Pai podemos ser muitos personagens
ou nos multiplicarmos em tantas outras
coisas,para que possamos cumprir seus santos
mandamentos.Por exemplo:eu poderia ser a lagosta encantada!Poderia
ser as desafiadoras pedras cortantes ou as aliviadoras
sabão.Poderia ser os vales,os penhascos,as montanhas de paredões
quase insuperáveis,emfim,quando servimos ao Pai,podemos
usar uma infinidade de métodos ou assumirmos a formula de
muitas coisas para que sua vontade seja estabelecida.
-Está
muito floriado...Não estou entendendo meu
bom amigo.
-Explicarei
até que entenda.Para ter bom entendimento basta
apenas que creia que sou um humilde servo do
Pai,que se encontra entre você e o
Anjo Maior.
-Há!Entendi.Entendi.
Éééé...Tudo é magico nestas misticas terras santas.
Não
obtendo nenhum tipo de resposta em relação
ao meu ardoroso comentário,olhei a minha volta
e me vi só mais uma vez.O sábio orientador havia
ido embora sem se despedir.E,como sinal de paz
e amizade deixou um esboço no chão de uma
pombinha da paz.Igual a que havia visto lá no
chão da prisão.
-Como
é que ele sabia da pombinha?Será que estava
por trás do plano de fuga com o Anjo Maior?
Bom....Vou adiante....
XIII Capítulo
214/O VIOLÃO SEM CORDAS/E OS LAGARTOS QUE ENSINAVAM VOAR
No que tomei o rumo de minha nova direção,fui surpreendido pela presença de dois seres estranhos que correram atrás de mim até me alcançar.Foram se aproximando e dizendo:
-Você
gostaria de aprender voar?
-Voar!?
Como assim,voar?
-É.Voar
como fazem as aves!
-Não,não
quero voar não.Agradeço a gentileza do convite.Mas não
me preocupo isso não.Há muito tempo sei voar.Se
ainda não o faço aqui,vou aguardar outra
oportunidade mais confiável,se é que me entendem...
-Então,ela
chegou!Retrucaram com felizes.
Por
minha vez desconfiei logo de todo aquele empenho em
ensinar,uma vez que os dois usavam roupas desfiguradas e
imundas.Estavam em farrapos.Logo aqueles não seriam os
melhores trajes para professores
bem intencionados selecionar seus
alunos.Portanto,a julgar por suas características miseráveis e
sem vida,era óbvíl que não podia estar me
oferecendo algo tão valioso assim de graça.Certamente
teria que pagar um preço que esta na cara que
não seria barato.Mas na intenção de descobrir
mais a respeito da oferta,fingindo
estar interessado,perguntei:
-Se
realmente eu quisesse aprender esta nobre arte....Onde
seria o local de treinamento?
-É
muito fácil!Disseram empolgados apontando na direção de
uma pinguela.
O
intrigante detalhe da pinguela havia respondido dos
minhas duvidas em relação ao que aqueles
indivíduos queriam realmente praticar contra mim.Vi de
imediato que eram paranoicos,assim como o privilegio que ofereciam.Isso
sem contar o aspecto absurdo da tal pinguela que
era composta por uma única tábua e ainda por cima comida por
cupins.
-Vamos
lá...Nós iremos mostrá-la a você.É muito fácil
transpô-la.Veja:nós vamos passar primeiro.Olhe! É muito fácil e
seguro.Viu?Cá estamos nós.Agora é sua vez.
Após
tanta insistência revolvi
desapontá-los,lançando-me num voo pleno,pousando juntos
aos pés onde ambos
se encontravam que,naquele instante nada
mais era do quê no fundo de
um precipício.
Desapontados
apelaram para o plano 'B'.Dali em diante insistiam para que
eu aceitasse tomar aulas de vilão com os mesmos,apresentando-me um
vilão velho que sequer cordas tinham.
-Vocês
não desistem,hein?Estão subestimando minha inteligencia?
Estão?Disse aos berros.
-Não.Nós
só queremos que toque no nosso instrumento.Toque,toque!
Então,tomei
o violão nas mãos e solou uns acordes que
ressoaram uma melodia dos anjos.
Apavorados
com que haviam acabado de presenciar,olharam-se com os
olhos arregalados um para o outro,assumiram uma
forma esquisita de lagartos e bateram em
retirada,escalando as paredes do buraco onde nos
encontravamos e sumiram.
Voei
para fora do buraco e os vi fugindo já
lá longe,rastejando pela areia de um deserto escaldante.
-Que
coisa louca!A todo instante sou tentado das
formas mais bizarras possíveis.Bom... Vida que segue...
IV Capitulo CONTINUA....
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