Há muito que as
margens desse histórico manancial,
Já não possui
nada de serenas!
A nação curva-se em
clamores...
Ás luzes da
liberdade tornaram-se turvas,
Tomando o lugar da esperança,
Em sua nebulosa expectativa de vida.
Ela sente na pele os sinais da desigualdade!
Em seus cárceres,
A nação vegeta,
Tentando se ver livre do holocausto!
Ó aldeia odiada,
Condenada a escravidão,
Tu permaneces!
Ó aldeia de terríveis injustiças,
De terríveis pesadelos!
Um veio de cruel desamor,
Deságua sobre ti!
Subjugada,
Tu tornastes
omissa...
Tornou-se frágil, fraca, pobre, esquecida...
Terra odiada!
Entre uma e outra,
Tu és apenas uma pobre devastada ilha!
Ó terra natal,
Desfrutada por poucos!
Quem cuida de ti pobre vila,
Não sabe o que é gentileza.
Não compartilha,
Quer tudo pra si.
Ó aldeia odiada!
Tu és sacrificada, oprimida...
Tuas planícies são
tristes,
Não são alegres como dizem!
Em ti,
Não é permitido desabrocharem as flores,
Como cantam em refrões de louvores a ti!
Ó aldeia odiada!
Tu foste condenada ao cárcere perpetuo!
Ó rincão desolado!
Até parece que tu não tens as tais palmeiras
Onde cantam os sabiás!
Tu és uma epopeia que não tem brilho...
Carrega consigo o peso da discórdia presente,
Resguardando para o
futuro de seu povo ,
A vergonha como herança eterna!
Então, após tanto dissabores,
Num ato desesperado,
Fecharás teus olhos,
Pra não ver a catástrofe final.
Ó terra empoeirada, escalpelada, destruída...!
Entre uma e outra,
Tu és apenas uma pobre e injustiçada ilha!
Ó aldeia subjugada!
Faltou-lhe justiça,faltou-lhe atenção...
Faltou dignidade a ti...
Faltou respeito ao povo dessa nação!
Autor:Francisco Lisboa
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