Tanto homens quanto mulheres
exibiam cabelos longos e de um alvor incontestável.Apesar da aparente idade avançada, ao se
comunicarem,revelavam imensa jovialidade de espírito.Os homens em
contrastes com as mulheres,além dos cabelos, mantinham barbas longas de brancura também transcendente.
Então, aproximei-me de um senhor que
se encontrava agachado perto dos trilhos, e perguntei:
-Porque vocês não tomaram o trem?
-Estávamos esperando você meu filho.
-E por que vocês deveriam
esperar por mim?Quem são vocês?Que
lugar é esse?
De,repente,disse:
-Rápido... Toma aquele trem que está chegando.
E se foi.
Confuso,permaneci ali e num relance o trem partiu.
Confuso,permaneci ali e num relance o trem partiu.
Em
continência ao gesto daquele senhor,surgiu uma senhora,com ares de desespero,dizendo:
-Afastem-se!Afastem-se!Preciso
consertar os trilhos. Dizia ela ao passo que tentava me afastar do seu caminho.
-Consertar o quê, se está tudo em
ordem?
-Ah,não sei! Só
estou fazendo meu trabalho.
-Aquele outro trem que está chegando vai
pra onde?
-Vira logo ali.Disse um
ancião de barbas cintilantes que se aproximou de mim sem que eu o visse primeiro.
-Meu Deus! Não vejo mais trem algum.Sumiu!
De,repente,os vejo festejando a chegada de um trem que flutuava serenamente sobre a calda
barreta do solo.
Afastei-me de lado pra não sujar meu
terno branco.
-Terno branco... De novo!E mais uma vez o trem se foi.
Receoso, fui perguntar ha um
dos operadores de máquinas, onde estavam aquele pessoal que antes esperavam por mim.
-Ué!Tomaram o
trem.
-Que
trem?
-Aquele que acabou de sair.
Ignorei o operário e me desloquei na direção de uma montanha próxima.Andei alguns metros e,ao olhar para trás,tudo que antes era movimentado estava em escombros,ruínas.
Então, pensativo retornei a estrada é segui meu caminho.Sem o traje branco e com uma sacola com um par
de chinelos velhos dentro.Estava
me sentindo nem vestido nem nu.
E de novo,do nada,surgiu a minha frente uma jovem que esperava por mim, tranquila descansando sob a sombra de uma árvore de folhas
incrivelmente reluzentes.Ao me vir aproximando perguntou me sobre o terno
branco.
-Que terno é esse?
-Aquele lá da estação.
Não sabia o que dizer já que o terno havia
desaparecido.
Então, lembrei-me da sacola em minha mão e
disse:
-Está aqui.Pega.
-Vem. Vou te levar pra casa. Disse com afetividade na fala ao meu tomar pelo braço.
Dali a pouco comecei a ouvir uma voz
doce como se eu estivesse despertando de
um sonho,que dizia:
-Calma. Agora está tudo bem.
Aí, despertei sobre o leito de um hospital,
onde uma enfermeira afagava carinhosamente minhas mãos tremulas e frias.
-Enfermeira... Como vim parar aqui?
-Uma
moça que usava uma roupa branca
que te trouxe.Disse que te encontrou vagando na rua em frente a
casa dela.
-Enfermeira... Essa moça carregava uma sacola com um
par de chinelos dentro?
-Sim. Ela disse que a sacola era onde
ela guardava seu
traje branco.Estranho,né?
-É. Concordei pensativo.
Depois de alguns instantes em reflexão,
convenci-me de que não sabia direito por onde andei ou com quem andei...
Autor:Francisco Lisboa
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