segunda-feira, 24 de junho de 2013

ESTAÇÃO DE LUZ


 Encontrava-me passeando tranquilamente por uma rua deserta, até que, de repente,surgiu à minha frente centenas de pessoas que se vestiam criteriosamente iguais.Todas vestidas de branco.Estranhei o fato de estarem em uma estação  ferroviária,e, no entanto,o trem passou e elas permaneceram conversando umas com  as outras, com suas bagagens imoveis  no chão.
Tanto  homens quanto   mulheres  exibiam  cabelos  longos e de um alvor incontestável.Apesar  da aparente idade avançada, ao se comunicarem,revelavam imensa jovialidade de espírito.Os homens em contrastes  com  as mulheres,além dos cabelos, mantinham barbas longas de  brancura também  transcendente.
Então, aproximei-me de um senhor que se encontrava agachado perto dos trilhos, e perguntei:
-Porque vocês  não tomaram o trem?
-Estávamos  esperando você meu filho.
-E por que vocês  deveriam  esperar por mim?Quem  são vocês?Que lugar é esse?
De,repente,disse:
-Rápido... Toma aquele trem que está chegando. E se foi.
Confuso,permaneci ali e num relance o trem partiu.
Em  continência ao gesto daquele senhor,surgiu uma senhora,com ares de desespero,dizendo:
-Afastem-se!Afastem-se!Preciso consertar os trilhos. Dizia ela ao passo que tentava me afastar  do seu caminho.
-Consertar o quê, se está tudo em ordem?
-Ah,não  sei! Só  estou fazendo meu trabalho.
-Aquele outro trem que está chegando vai pra onde?
-Vira logo ali.Disse  um  ancião de barbas cintilantes que se aproximou de mim sem que eu o visse primeiro.
-Meu Deus! Não vejo mais trem algum.Sumiu!
De,repente,os vejo festejando   a chegada de um trem  que flutuava serenamente sobre a calda barreta do solo.
Afastei-me de lado pra não sujar meu terno branco.
-Terno branco... De novo!E mais uma vez o trem se foi.
Receoso, fui perguntar ha um dos operadores de máquinas, onde estavam aquele pessoal  que antes esperavam por mim.
-Ué!Tomaram  o  trem.
-Que  trem?
-Aquele que acabou  de sair.
Ignorei  o operário e me desloquei  na direção de uma montanha próxima.Andei  alguns metros e,ao olhar para  trás,tudo  que antes era movimentado estava em escombros,ruínas.
Então, pensativo retornei  a estrada é segui meu caminho.Sem  o traje branco e com  uma sacola com  um par  de  chinelos velhos dentro.Estava me sentindo nem vestido nem nu.
E de novo,do nada,surgiu  a minha frente uma jovem que esperava por mim, tranquila descansando sob a sombra de uma árvore de folhas incrivelmente reluzentes.Ao me vir aproximando perguntou me sobre o terno branco.
-Que terno é esse?
-Aquele lá da estação.
Não sabia o  que dizer já que o terno  havia  desaparecido.
Então, lembrei-me da sacola em minha mão e disse:
-Está aqui.Pega.
-Vem. Vou te levar pra casa. Disse com afetividade na fala ao meu tomar pelo braço.
Dali a pouco comecei a ouvir uma voz doce como se eu estivesse despertando de  um sonho,que dizia:
-Calma. Agora está tudo  bem.
Aí, despertei sobre o leito de um hospital, onde uma enfermeira afagava carinhosamente minhas mãos tremulas e frias.
-Enfermeira... Como vim  parar aqui?
-Uma  moça  que usava uma roupa branca que te trouxe.Disse  que te encontrou vagando na rua em frente a casa dela.
-Enfermeira... Essa moça  carregava uma sacola  com  um par de chinelos dentro?
-Sim. Ela disse que a sacola era onde ela  guardava  seu  traje branco.Estranho,né?
-É. Concordei pensativo.
Depois de alguns instantes em reflexão, convenci-me de que não sabia direito por onde andei ou com quem  andei...

Autor:Francisco Lisboa

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